Cinco gráficos que explicam a queda da bolsa de Lisboa no trimestre
Mais de cinco mil milhões de euros foi o valor de mercado que o PSI-20 perdeu em apenas três meses. Um montante elevado, para o qual muito contribuíram as fortes quedas do BCP. Mas houve congéneres europeias com piores desempenhos.
A bolsa de Lisboa estreou-se em 2015 com o "pé direito". As acções nacionais valorizaram mais de 24% só nos primeiros três meses do ano, figurando entre os melhores desempenhos do mundo. Mas o segundo trimestre trouxe quedas ao PSI-20, que acumulou uma desvalorização de 6,98% no período. E a tendência manteve-se ente Julho e Setembro. O principal índice accionista de Lisboa caiu um total de 9,09%, perdendo 5,1 mil milhões de euros em valor de mercado. O BCP foi o título que mais pesou no PSI-20 - com factores específicos e internacionais -, mas a aversão ao risco a nível mundial piorou ainda mais o cenário.
BCP foi a cotada que mais perdeu no trimestre
BCP foi a cotada que mais perdeu no trimestre
Se é verdade que as acções do BCP registaram fortes desvalorizações, também é que não foi caso único em Lisboa. Entre as 18 cotadas do PSI-20, 13 destas encerraram o trimestre em "terreno" negativo. Logo atrás do BCP surge o Banif, cujos títulos perderam 42,57%. Mais significativa ainda foi a queda da Galp Energia. A petrolífera nacional caiu 16,36%. Em contraciclo estiveram Altri, CTT, REN, Jerónimo Martins e NOS, com a primeira a liderar os ganhos. Os títulos da papeleira valorizaram 10,28%.
Feitas as contas a todas as subidas e descidas, o principal índice bolsista nacional caiu 9,09% no período. Este é o pior trimestre do PSI-20 em 2015, depois de ter registado o melhor arranque dos últimos 17 anos, com uma valorização de 24,37%. Entre Julho e Setembro, as 18 maiores cotadas nacionais perderam um total de 5,1 mil milhões de euros em valor de mercado. Um montante que equivale a uma média de 79 milhões por cada sessão.
Congéneres europeias com resultados mais negativos
Congéneres europeias com resultados mais negativos
Apesar de o desempenho das acções portuguesas ser bastante negativo, contrasta positivamente com grandes congéneres mundiais. Na Europa, por exemplo, o alemão DAX e o espanhol IBEX35 estiveram pior do que o PSI-20, ao desvalorizarem 11,74% e 11,23%, respectivamente. Já do outro lado do Atlântico, o norte-americano S&P 500 recuou 6,94%, ao passo que, mais a sul, o brasileiro Ibovespa caiu 15,11%. Mas o grande foco dos investidores esteve nas acções chinesas. O índice Shanghai Composite afundou 28,63% entre Julho e Setembro.
Acções chinesas estiveram "debaixo de fogo"
Acções chinesas estiveram "debaixo de fogo"
Estes títulos explicam, aliás, grande parte da pressão sentida nos mercados internacionais. As fortes quedas das acções chinesas tiveram início em Junho, mas adensaram-se no mês seguinte. Uma enorme turbulência que espoletou receios em todo o mundo, a par do abrandamento da economia da China. Foi aí que se centrou o "olho do furacão" que arrasou os mercados e que levou as acções chinesas a caírem três vezes mais que a média dos mercados desenvolvidos. Se o índice Shanghai Composite desvalorizou 28,63%, o MSCI Mundo, que segue os índices de mercados desenvolvidos, perdeu apenas 8,86%.