Economia sólida dá gás a Wall Street e eclipsa Irão. Moderna dispara 16%
O setor dos serviços e o mercado laboral expandiram-se mais do que antecipado nos primeiros meses do ano e deram força aos principais índices norte-americanos para terminar no verde.
Após uma sessão de perdas, Wall Street voltou a ver o verde esta quarta-feira. O conflito no Médio Oriente e as suas implicações para a inflação e política monetária norte-americana acabou por dar um passo atrás na lista de preocupações dos investidores durante a sessão, num dia em que a maior economia deu maiores sinais de resiliência do que era antecipado - tanto no mercado de trabalho como no setor dos serviços.
Depois de ter desvalorizado quase 1% na sessão anterior, o S&P 500 encerrou a negociação com ganhos de 0,78% para 6.869,50 pontos. Já o industrial Dow Jones acelerou 0,49% para 48.739,41 pontos, mas foi o tecnológico Nasdaq Composite que mais recuperou, valorizando 1,29% para 22.807,48 pontos. "Mesmo com o conflito com o Irão, o mercado tem demonstrado uma resiliência impressionante - em vez de vender em massa por impulso emocional", explica Mark Hackett, estratega-chefe de mercados da Nationwide, à Bloomberg.
A atividade dos serviços nos EUA em fevereiro expandiu-se ao ritmo mais elevado desde meados de 2022 e a inflação nos preços do produtor continuou em queda - embora em menor magnitude do que era antecipado pelos economistas. Também o mercado de trabalho dá sinais de maior resiliência, com a criação de postos de trabalho no setor privado a atingir o nível mais elevado em sete meses, segundo a empresa de processamento de salários ADP.
Com uma economia mais robusta, os investidores acreditam que os EUA têm agora mais margem de manobra para lidar com os impactos da guerra no Irão. Os mercados estão a apostar que o conflito deverá chegar ao fim rapidamente, principalmente depois de o The New York Times ter reportado que os serviços de inteligência iranianos contactaram os congéneres norte-americanos de forma indireta para pôr termo às ofensiva - uma notícia que foi, mais tarde, desmentida por Teerão.
A dar mais força ao otimismo, o governador da Fed Stephen Miran admitiu esta quarta-feira que continuará a ser apropriado cortar as taxas de juro, apesar da guerra no Irão. O mercado de "swaps" continua a apontar para um alívio de 25 pontos base apenas em setembro deste ano, mas as probabilidades do banco central avançar com um corte em julho estão a crescer. Ao todo, estão em cima da mesa duas reduções este ano das taxas diretoras.
Apesar de os investidores estarem a apostar num conflito de curta duração, a guerra no Médio Oriente continua a "ferro e fogo". Esta quarta-feira, a NATO abateu um míssil iraniano que se dirigia à Turquia. Os EUA afundaram um navio iraniano, matando cerca de cem pessoas, e o exército israelita anunciou esta quarta-feira ter bombardeado um complexo militar e de segurança em Teerão, incluindo bases da Guarda Revolucionária.
Entre as principais movimentações de mercado, a Moderna disparou 15,99%, após a empresa de biotecnologia ter concordado em pagar à Genevant, uma subsidiária da Roivant Sciences, e à Arbutus 950 milhões de dólares para resolver um litígio relacionado com a sua vacina contra a covid-19. Por sua vez, a GitLab afundou 6,18%,depois de a empresa de software ter previsto um lucro por ação para 2027 que ficou abaixo das expectativas do mercado.
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