"Stress" no crédito privado e petróleo atiram Wall Street para o vermelho
Os principais índices caíram todos mais de 1%, influenciados por fortes quedas no setor da banca, depois de o Morgan Stanley e a Cliffwater terem limitado as retiradas de capital após pedidos de resgate de fundos de crédito privado. O petróleo escalou acima dos 100 dólares por barril e voltou a pressionar o sentimento dos investidores, que parecem antecipar que a guerra está para durar.
Os principais índices norte-americanos fecharam a sessão desta quinta-feira com fortes perdas, num dia em que o petróleo voltou a escalar acima dos 100 dólares por barril, com o sentimento dos investidores a ser também afetado por sinais de crise no mercado do crédito privado.
O “benchmark” S&P 500 caiu 1,52%, para os 6.672,62 pontos. Já o Nasdaq Composite afundou 1,78%, para os 22.311,98 pontos. O Dow Jones, por sua vez, desvalorizou 1,56% para os 46.677,85 pontos.
Um novo aumento do preço do petróleo alimentou os receios de que a guerra no Irão venha a restringir ainda mais o abastecimento energético e a alimentar uma subida da inflação. Por trás da escalada do crude, entre outros fatores, estiveram declarações do novo líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, que sinalizou que Teerão não tem intenção de encerrar o bloqueio do estreito de Ormuz.
E numa altura em que Donald Trump tem apresentado várias medidas para tentar mitigar a escalada do “ouro negro”, soluções essas que não têm surtido grande efeito para já, o republicano escreveu numa publicação nas redes sociais que impedir o Irão de ter armas nucleares e ameaçar o Médio Oriente é “de muito maior interesse e importância para mim” do que o custo do petróleo.
O Goldman Sachs alertou que os preços do petróleo podem ultrapassar o pico de 2008 se os fluxos através de Ormuz permanecerem com disrupções durante o mês de março. Nesse ano, o Brent atingiu mais de 147 dólares por barril.
“A questão número um que os mercados enfrentam neste momento é, obviamente, a guerra”, disse à Bloomberg Matt Maley, da Miller Tabak. “O conflito no Médio Oriente não está a diminuir. Isto fez com que o preço do petróleo bruto disparasse. Temos também a questão do crescente stress nos mercados de crédito”, acrescentou o mesmo especialista.
Nesta linha, os bancos afundaram em bolsa depois de pedidos de resgate de fundos de crédito privado terem forçado o Morgan Stanley (-4,05%) e a Cliffwater a limitar as retiradas de capital. A BlackRock caiu quase 3%, sendo que o Wells Fargo e o Bank of America cederam mais de 2%.
Apesar de todas as preocupações com os impactos da guerra, os últimos relatórios económicos não foram suficientes para desviar o foco da geopolítica. Ainda assim, os “traders” estão a preparar-se para a divulgação do indicador de inflação preferido da Fed já nesta sexta-feira, numa altura em que analistas têm tentado antecipar qual vai ser o rumo de política monetária que o banco central dos EUA decidirá seguir na sua reunião da próxima semana.
“O resultado mais agressivo seria se a Fed removesse a sua tendência de flexibilização do comunicado, enquanto a projeção média passasse de um corte este ano para nenhuma alteração”, afirmou à agência de notícias financeiras Stephen Brown, da Capital Economics.
Entre as “big tech”, a Nvidia perdeu 1,54%, a Apple caiu 1,94%, a Microsoft perdeu 0,73%, a Alphabet recuou 1,69%, a Amazon cedeu 1,47% e a Meta tombou 2,55%.
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