Wall Street pinta-se de vermelho. Depois de Xi, preocupações com inflação voltam a pressionar
Os principais índices dos EUA fecharam com perdas em toda a linha depois de terem batido nas últimas sessões sucessivos recordes, com os investidores a virarem-se novamente para o impasse no estreito de Ormuz, após o fim da cimeira entre Trump e Xi Jinping. Ainda assim, o S&P 500 terminou o conjunto da semana no verde - a sétima consecutiva.
Um “sell-off” invadiu os mercados bolsistas na última sessão de uma semana em que o apetite de investidores por cotadas ligadas à inteligência artificial (IA) levou Wall Street a fixar sucessivos recordes.
A crescente preocupação de que os bancos centrais possam ser obrigados a restringir a política monetária para controlar a inflação, num contexto de preços do petróleo persistentemente elevados, pressionou o sentimento dos investidores, que se afastaram assim do mercado bolsista e levaram os principais índices dos EUA a registar perdas em toda a linha, seguindo o movimento das praças europeias.
Neste contexto, o S&P 500 perdeu 1,24%, para os 7.408,50 pontos, fixando a maior queda desde março. O Nasdaq Composite derrapou 1,54%, para os 26.225,14 pontos. Já o Dow Jones recuou 1,07% para os 49.526,11 pontos.
Um cabaz que agrega fabricantes de chips caiu 3%, pressionando o mercado, num dia em que o preço de referência do barril de crude para os EUA fechou com valorizações e acima dos 105 dólares.
Sem fim à vista para o conflito com o Irão, crescem as preocupações de que o encerramento estreito de Ormuz irá agravar as perturbações já sentidas no setor energético. Dados divulgados ao longo desta semana revelaram pressões crescentes sobre os preços impulsionadas pela guerra, levando os investidores a reforçar as apostas em subidas de taxas diretoras por parte da Reserva Federal (Fed).
"O apetite pelo risco está a ser afetado por um aumento global das taxas de rendibilidade das obrigações, impulsionado por uma combinação de preocupações com a inflação, expectativas de subidas das taxas de juro pelos bancos centrais e receios em torno da dívida pública, à medida que os países procuram amortecer o impacto dos preços mais elevados da energia”, disse à Bloomberg Angelo Kourkafas, da Edward Jones.
E um mercado obrigacionista assustado pelos receios de uma aceleração da inflação será um dos primeiros testes para o novo presidente da Reserva Federal, Kevin Warsh, que liderará a sua primeira reunião de política monetária do banco central dos EUA em junho. Nesta medida, Kourkafas acrescentou à agência de notícias financeiras que os bancos centrais não podem resolver diretamente um choque energético através do aumento das taxas. Dito isto, o especialista aposta que a Fed irá evitar reagir de forma exagerada ao que poderá revelar-se uma situação temporária.
A retração das ações nesta sexta-feira surgiu após uma recuperação impulsionada por lucros empresariais sólidos, sinais de resiliência económica e uma renovada aposta nas cotadas ligadas à inteligência artificial. E apesar das quedas registadas hoje, o S&P 500 conseguiu terminar o conjunto da semana em território positivo, subindo apenas 0,13%, marcando o sétimo avanço semanal consecutivo do “benchmark” norte-americano — a série de ganhos semanais mais longa desde dezembro de 2023.
Entre as “sete magníficas”, a Nvidia desvalorizou 4,42% depois de sete sessões consecutivas de valorizações, a Tesla tombou 4,57%, a Alphabet cedeu 0,97%, a Amazon desvalorizou 1,15%, a Meta caiu 0,68% enquanto a Microsoft pulou 3,05%.