Millennium IB admite rever avaliação da Sonae Indústria após prejuízo trimestral de 16 milhões
Os analistas do Millennium Investment Banking decidiram manter o preço-alvo das acções da Sonae Indústria em 0,77 euros e a recomendação de “comprar” mas admitem realizar alterações na sequência do prejuízo registado no primeiro trimestre.
A Sonae Indústria apresentou, nos primeiros três meses do ano, um prejuízo cinco vezes superior ao reportado no período homólogo.
O resultado líquido da empresa dirigida por Rui Correia, desde que Belmiro de Azevedo abandonou a gestão executiva da mesma para ficar apenas como "chairman", foi de 16 milhões de euros negativos, que comparam com os 3 milhões entre Janeiro e Março do ano passado.
As vendas da Sonae Indústria desceram 13% para 325 milhões de euros, ou 10% caso não se conte com as operações no Reino Unido, um valor abaixo das estimativas dos analistas do Millennium Investment Banking, que apontavam para os 340 milhões de euros devido à redução da actividade na Europa.
O EBITDA (resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) fixou-se nos 16 milhões de euros, um pouco abaixo da previsão dos analistas que se situava em 16,5 milhões de euros. As margens subiram 11% face ao período homólogo e 15% face ao anterior trimestre, fruto da boa prestação da empresa no Canadá e na África do Sul. Os custos com despedimentos na unidade de Solsona, em Espanha, pesaram 3,5 milhões de euros neste indicador.
Também as amortizações e as provisões de 15 milhões de euros ficaram abaixo das estimativas dos analistas, que apontavam para 17 milhões de euros. Esta discrepância deu-se, essencialmente, devido a uma reversão das imparidades, de cerca de três milhões de euros.
Os encargos com juros foram também acima do que era expectável, 15 milhões de euros, face à previsão de 12 milhões de euros, provavelmente devido ao aumento das taxas de juro, o que levou a um prejuízo de 16 milhões de euros, face às previsões que apontava para 13 milhões de euros.
Estes resultados levaram a dívida líquida a aumentar cerca de 30 milhões de euros para 695 milhões de euros, principalmente devido ao aumento do capital de exploração, em 36 milhões de euros.
É expectável que a Europa continua pressionada, mas que a América do Norte e a África do Sul continuem a evoluir positivamente.
O preço-alvo atribuído pelo Millennium IB oferece uma potencial de subida de 40%, face à cotação actual (0,55 euros).
Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de “research” emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de “research” na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro.