FT: "Portugal produziu os melhores retornos de dívida no mundo desenvolvido este ano"
Com a apreciação das obrigações portuguesas no mercado secundário e a elevada taxa de juro implícita nos títulos, alguns dos investidores em dívida nacional estão a conseguir os melhores retornos do mundo desenvolvido, avança o "Financial Times".
Já as emissões de cinco a sete anos ficam em quarto lugar, apenas atrás de emissões de longo prazo da Hungria e de Itália, refere a publicação britânica.
O desempenho da dívida soberana portuguesa é positivo desde o início do ano, mas também bastante volátil. Os juros implícitos nas obrigações a 10 anos estão em 11%, abaixo dos 13% a que entraram em 2012, mas já chegaram a superar a taxa implícita de 18%, relembra o “FT”. Por isso, o analista do HSBC para o mercado de dívida soberana, Steven Major, mantém o cepticismo sobre os ganhos efectivos dos investidores.
Na dívida, os juros implícitos das obrigações oscilam em sentido contrário ao preço das obrigações. A taxa implícita resulta do valor do cupão - que é fixo - face ao real valor das obrigações - que é determinado pelo mercado. A rendibilidade obtida pelos investidores resulta, não só dos juros implícitos com da eventual apreciação das obrigações no mercado.
O desempenho “é um pouco enganador porque pode-se questionar o volume [de negociação] que houve. Não sei de muitos investidores que compraram [obrigações à taxa de juro implícita de] 18% e que estão agora gozar os lucros a 11%”, disse o analista do HSBC para o mercado de obrigações, Steven Major. Na dívida, o preço das obrigações oscila em sentido contrário aos dos juros implícitos.
Com o programa de ajuste que contempla o financiamento a Portugal até ao final de 2013, a quase totalidade das necessidades de financiamento da dívida portuguesa será suprida fora do mercado primário de dívida. Por isso, Portugal não beneficia materialmente da descida dos juros, ressalva o analista citado pelo FT.
“Do ponto de vista do Governo português é quase irrelevante se as taxas de juro da dívida soberana estão a 18% ou a 8% porque eles não vão emitir obrigações. Já para os investidores, a menos que se tenha tido a sorte de comprar quando a taxa implícita estava a 18%, a relevância está confinada à recuperação de posições que antes registavam um prejuízo.”
Juros dívida disparam hoje nas economias da periferia da Zona Euro
A tendência de descida dos juros implícitos na dívida pública portuguesa interrompeu hoje a tendência de descida. No prazo de dois anos a subida foi de 25,3 pontos base para 9,623%, enquanto a dívida a cinco anos sobe 1,7 pontos base para 13,396% e a de 10 anos avança 5,6 pontos base para 11,337%.
As subidas dos juros foram, hoje, generalizadas entre os países com economias periféricas na Zona Euro. As "yields" de Espanha também chegaram a subir mais de 20 pontos base e as de Espanha dispararam mais de 30 pontos base em algumas maturidades.