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Gonçalo Matias denuncia falta de "vontade política" para cumprir digitalização dos processos regulatórios

O ministro da Reforma do Estado defende que o reforço da independência das entidades reguladoras é essencial para evitar crises como as de 2007 e 2008, mas deve ser acompanhada de uma maior responsabilização.

Gonçalo Matias denuncia falta de 'vontade política' para investir na modernização.
Gonçalo Matias denuncia falta de "vontade política" para investir na modernização. Mariline Alves
14:06

A reforma do regime dos reguladores já está em andamento e Gonçalo Matias, ministro da Reforma do Estado, defende que esta deve criar independência com responsabilização. Na conferência anual da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o governante afirmou que o "equilíbrio entre estas duas exigências não é fácil de encontrar", mas torna-se "incontornável", já que sem estes dois fatores pode existir uma "subordinação da regulação a interesses políticos ou económicos que não coincidem com o interesse público". 

"Os custos desta captura — como a crise financeira global de 2007 e 2008 demonstrou de forma devastadora — podem ser suportados durante gerações", adverte Gonçalo Matias, não esquecendo de apontar a necessidade de escrutínio como uma força essencial para tornar esta reforma bem sucedida. "A responsabilidade, neste contexto, não é um constrangimento à independência. É a sua condição de legitimidade. É o que distingue a autonomia regulatória da irresponsabilidade institucional", acrescenta.

O ministro da Reforma do Estado aponta ainda o dedo à falta de "vontade política para investir na modernização do Estado regulador". O potencial vindo da digitalização dos processos regulatórios é elevado, admite, mas "esse potencial só se realiza se houver investimento deliberado, coordenação entre entidades e uma visão estratégica partilhada sobre o que queremos que a regulação digital seja capaz de fazer". E para isso acontecer, Gonçalo Matias não tem dúvidas: não só é preciso confiança e autonomia de gestão, mas também recursos

O governante considera que esta reforma, que foi submetida a consulta pública este ano, "é uma oportunidade que não pode ser desperdiçada". Para o ministro, é imperativo que a mesma simplifique processos, invista na digitalização, e corrija vulnerabilidades de governação que comprometem a independência. No entanto, Gonçalo Matias receia que seja apenas "cosmética", ou seja, "que altere a lei sem mudar a prática". 

"A diferença entre uma reforma real e cosmética não está nas normas que se aprovam. Está na cultura que se constrói. Na disposição genuína para confiar nas instituições que criámos. Na seriedade com que se exerce a responsabilização. E na consistência com que se aplica, ao longo do tempo e independentemente dos ciclos políticos, um conjunto de princípios que coloquem o interesse público acima de qualquer interesse particular", conclui o governante. 

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