Governador do Banco de França defende regulação das criptomoedas
Enquanto os interlocutores elogiavam os benefícios de uma "livre concorrência" entre criptomoedas e moeda clássica de banco central, Villeroy de Galhau mencionou o risco de um sistema financeiro global fragmentado.
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O governador do Banco da França, François Villeroy de Galhau, defendeu esta quarta-feira em Davos (Suíça), perante empresários de criptomoedas, o papel dos bancos centrais na regulação da moeda.
Villeroy de Galhau participou num debate do Fórum Económico Mundial com Brad Garlinghouse, diretor executivo de um dos principais emissores de "stablecoins" (criptomoedas quase totalmente indexadas ao dólar), a Ripple, e com Brian Armstrong, diretor executivo de uma plataforma de troca de criptomoedas, a Coinbase.
"A garantia da confiança é a independência do lado dos bancos centrais. (...) Desculpe dizer, mas confio mais em bancos centrais independentes, com mandato democrático, do que em emissores privados de bitcoins", disse o governador.
Enquanto os interlocutores elogiavam os benefícios de uma "livre concorrência" entre criptomoedas e moeda clássica de banco central, Villeroy de Galhau mencionou o risco de um sistema financeiro global fragmentado, no qual a moeda de banco central serviria como reserva para os atores económicos e financeiros mais poderosos.
"Se as 'stablecoins' forem insuficientes, poderíamos correr o risco de uma espécie de Lei de Gresham, sabe, aquela, famosa, que diz que a má moeda é mais utilizada para transações, e a boa moeda, que seria a moeda digital do banco central, seria mantida como reserva de valor", explicou.
Se apenas as 'stablecoins' ganhassem a partida, isso significaria -- é uma hipótese extrema -- que a moeda seria completamente privatizada.
"Eu não estaria completamente tranquilo, para usar um eufemismo", continuou o governador.
"Tivemos exemplos, no passado, em que a moeda era totalmente privada", lembrou Villeroy de Galhau, referindo-se aos Estados Unidos no século XIX, antes da criação da Reserva Federal dos EUA (Fed) em 1913.
"E havia muitas crises de confiança. Então, não estou a dizer de forma alguma que a moeda do banco central será dominante, terá uma participação de mercado importante. Mas é uma âncora para a confiança", concluiu.
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