Petróleo acima dos 126 dólares em Londres
Cotações sobem perto de 3% nos mercados internacionais e estão a 20 dólares dos máximos históricos. Conflito na Líbia, instabilidade na Nigéria e queda do dólar ajudam ao movimento altista.
O contrato de Maio do West Texas Intermediate (WTI), “benchmark” para os Estados Unidos, segue a ganhar 1,90% no mercado de Nova Iorque, para 112,40 dólares por barril. Trata-se do valor mais alto desde 22 de Setembro de 2008.
Por seu lado, o Brent do Mar do Norte, crude de referência para as importações portuguesas, está a valorizar 2,92% para 126,25 dólares. Desde 1 de Agosto de 2008 que não atingia este patamar.
O prémio do Brent sobre o WTI é assim de aproximadamente 14 dólares. O Brent é tradicionalmente mais barato do que o seu congénere dos EUA, mas tem estado a valer mais devido às elevadas reservas norte-americas de crude e aos tumultos no Médio Oriente e Norte de África.
Recorde-se que os máximos históricos do “ouro negro” foram atingidos a 11 de Julho de 2008, quando o Brent se cotou nos 147,50 dólares por barril e o WTI nos 147,25 dólares.
Líbia demorará a recuperar níveis anteriores ao conflito
A NATO disse que as forças leais ao líder líbio, Muammar Kadhafi, provocaram um incêndio no terminal petrolífero de Sarir. A produção de crude do terceiro maior produtor africano desta matéria-prima continua limitada a cerca de 29% dos níveis anteriores ao conflito, segundo a Nomura Holdings, citada pela Bloomberg.
A Nomura diz também que a Líbia demorará a regressar aos níveis normais de produção quando o confito terminar. Esta opinião é partilhada por Adam Sieminsky, economista-chefe do departamento de energia do Deutsche Bank. “Nos últimos 30 anos, o Koweit foi o único país a regressar a 100%, em termos de produção, depois de uma forte perturbação”, afirmou, citado pela Bloomberg.
Com efeito, o Irão, o Iraque e a Venezuela não conseguiram voltar aos níveis anteriores aos dos conflitos que viveram nos seus territórios logo após o fim desse período de perturbação.
Eleições na Nigéria podem ser pressão adicional
Por outro lado, amanhã é dia de eleições para os membros do Parlamento na Nigéria, naquela que é a primeira de três fases das eleições gerais. “Podemos facilmente chegar a segunda-feira e perceber que há perturbações adicionais, decorrentes das eleições nigerianas”, comentou à Bloomberg um estratega da PFGBest, Phil Flynn. “E isto é crítico, porque a Nigéria produz o mesmo tipo de crude de alta qualidade que a Líbia”, acrescentou.
Entretanto, o dólar continua a perder terreno face ao euro, o que também está a animar os mercados petrolíferos. Quando a nota verde desvaloriza, os activos denominados em dólares ficam mais atractivos como investimento alternativo.
De par com a valorização do petróleo, o ouro atinge hoje máximos históricos pela quarta sessão consecutiva e a prata está no valor mais alto dos últimos 31 anos. O índice CRB Reuters/Jefferies – que agrega 19 matérias-primas – sobe hoje 0,7% para 366,97 pontos, o nível mais alto desde 25 de Setembro de 2008.