Obrigações Risco da dívida portuguesa cai para mínimos de quase oito anos

Risco da dívida portuguesa cai para mínimos de quase oito anos

Os juros das obrigações portuguesas estão no valor mais baixo desde Janeiro, e o spread face à dívida alemã em mínimos de 2010.
Risco da dívida portuguesa cai para mínimos de quase oito anos
Reuters
Rita Faria 07 de março de 2018 às 15:32

Um dia antes de o Banco Central Europeu (BCE) anunciar as suas decisões e orientações no campo da política monetária, os juros das obrigações portuguesas estão em queda, assim como o risco associado à dívida nacional, que está no valor mais baixo em quase oito anos.

Liderando uma tendência de alívio que se estende à generalidade dos países do euro, a ‘yield’ das obrigações portuguesas a dez anos cai 5,3 pontos base para 1,864%, depois de já ter negociado em 1,844%, o valor mais baixo desde 16 de Janeiro.

Em Espanha, a descida no prazo de referência é de 3,9 pontos para 1,451% e em Itália de 3,1 pontos para 1,966%. Já na Alemanha os juros aliviam apenas 1,1 pontos para 0,664%.

Como a descida dos juros das bunds alemãs é inferior à dos juros portugueses, também o risco associado à dívida nacional – que é medido pelo spread face à dívida germânica – está a cair. Desce para os 120 pontos, o nível mais baixo desde Abril de 2010.

Este comportamento das 'yields' acontece na véspera da reunião mensal do BCE, em que não são esperadas alterações aos juros nem mudanças significativas na mensagem de Mario Draghi sobre a evolução dos estímulos da autoridade monetária, ainda que possa haver pequenos ajustamentos na comunicação de movimentos futuros ("forward guidance").

Segundo analistas contactados pela Bloomberg, depois dos eventos recentes – incluindo a subida de forças anti-sistema nas eleições italianas -, a autoridade monetária deverá querer evitar movimentos súbitos. Ainda assim, poderão surgir surpresas na forma de projecções trimestrais actualizadas por parte do 'staff' de economistas do BCE.

"Qualquer ajustamento às linhas orientadoras terá um impacto mínimo, dado que o mercado já aceita o facto de o programa [de compra de obrigações] dever terminar entre Setembro e Dezembro deste ano", refere o estratega do Rabobank, Matthew Cairns, citado pela Bloomberg.  

Na última reunião, o BCE reiterou o compromisso de alterar a sua comunicação de forma gradual e em linha com os progressos na inflação, que persiste abaixo dos 2%.

 

Contudo, continuou a deixar a porta aberta para revisitar a comunicação de movimentos futuros ("forward guidance") no início de 2018.

 

O BCE tem actualmente no terreno um programa de compra de activos através do qual realiza aquisições a um ritmo mensal de 30 mil milhões de euros, até ao final de Setembro de 2018. Os analistas apontam para que o BCE opte por prolongar este programa até ao final do ano, mas com um volume mais reduzido.