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Risco da dívida das economias periféricas cai com emissão de Espanha e Irlanda

Os juros dívida pública de Portugal, Espanha e Irlanda caem, depois de estes dois países terem colocado dívida no mercado, onde viram os custos de financiamento subirem.

21 de Setembro de 2010 às 13:41

O prémio que os investidores exigem para financiar a dívida pública portuguesa a 10 anos, em vez da alemã, desceu de 394 pontos base para 375 pontos, com a emissão de dívida pública de Espanha e da Irlanda a transmitir maior confiança aos investidores. O mesmo se verificou nos países emitentes: O prémio que Espanha paga, face às “bunds” alemãs a 10 anos, desceu em seis pontos para 170 pontos base.

Os juros da dívida portuguesa a 10 anos desceram 18 pontos base para 6,214% e os juros das obrigações de cinco anos recuaram 21 pontos base para 4,933%. No prazo de dois anos, a "yield" recuou um ponto base para 3,960%

A Irlanda é o único país da Zona Euro a que os investidores atribuem maior risco do que à dívida portuguesa. Ontem a Irlanda chegou a pagar um premio de mais de 400 pontos face à dívida alemã, enquanto hoje, depois da emissão, o prémio que os investidores exigem diminuiu para 381 pontos base.

A Irlanda colocou 1,5 mil milhões de euros com maturidade em 2014 e 2018, num leilão que registou uma procura equivalente a cinco vezes a oferta. Espanha vendeu um montante de 7 mil milhões de euros em obrigações e embora o custo de financiamento tenha crescido em ambas as emissões, o valor da emissão ficou em linha com o limite superior fixado para as duas emissões.

O facto de estes países conseguirem levar a cabo leilões obrigacionistas, não pode ser senão um sinal positivo.

Francisco Salvador, da Iberian Equities em Madrid, comenta as emissões de dívida de Espanha e Irlanda à Bloomberg.

“Temos visto um ressurgir das preocupações com a dívida soberana, nos últimos dias, alimentando a aversão ao risco. Por isso, o facto de estes países conseguirem levar a cabo leilões obrigacionistas, não pode ser senão um sinal positivo”, disse o estratega do Iberian Equities, Francisco Salvador, à Bloomberg. “Ainda temos de esperar para ver o que diz a Fed. Isso pode ser crucial para o sentimento”.

Ontem os investidores levaram as taxas de juro da Grécia a subir, com preocupações de que o esforço de recapitalização do sistema financeiro do país impeça o país de reduzir o maior défice orçamental União Europeia. O défice previsto em 11,6% do PIB, poderá ascender a 30%, no caso de o país ter de contar com os 25 mil milhões de euros que vai injectar nos bancos, em particular no Allied Irish Bank.

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