Valor das ações do Deutsche Bank superam valor contabilístico pela primeira vez desde 2008
Foram precisos quase 18 anos para que o banco alemão voltasse a superar esta fasquia, um sinal de que recuperou parte da confiança dos investidores.
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Pela primeira vez desde a crise financeira de 2008, as ações do Deutsche Bank superaram o seu valor contabilístico (conhecido como book value), com este segundo a representar o valor dos ativos do banco e excluindo o passivo. Na prática, isto significa que os investidores veem no banco um valor superior aos ativos registados nas suas atividades. Este marco sinaliza um ponto de viragem na instituição alemã, depois de anos com medidas de reestruturação.
Na sessão desta segunda-feira, as ações do banco tocaram os 34,01 euros por título, o que superou o "book value" de 33,66 euros por ação. O valor contabilístico por ação é considerada como uma métrica importante para os bancos, refletindo a confiança dos investidores nos seus ativos. O book value per share (BVPS) é o valor que, em teoria, seria pago aos detentores de ações em caso de liquidação da empresa.
Desde que começou a crise financeira de 2008, que afetou de forma significativa o setor bancário, o preço das ações do banco estiveram sempre abaixo do seu valor contabilístico. Como nota a edição desta segunda-feira do Financial Times, o ponto mais baixo do rácio aconteceu já muito depois da crise financeira, em 2020, em plena pandemia, quando o valor das ações do banco caíram abaixo dos cinco euros por título, representando apenas 0,2 vezes o "book value" por ação. Na altura, os pesados custos das reestruturação em curso, as taxas de juro diretoras baixas e as perspetivas negativas sobre a evolução da economia pesaram sobre o Deutsche Bank.
O marco reflete também o momento financeiro positivo que o banco atravessa atualmente, tendo reportado em outubro os lucros mais elevados, nos primeiros nove meses do ano, desde 2007. Isso, aliado aos maiores gastos da Alemanha no sentido de estimular a economia, com destaque para o setor da defesa, tem trazido maior confiança aos investidores, nota o FT.
Apesar da recuperação, os analistas não entram em euforias. "Os recentes ganhos no preço das ações refletem a passagem de lucros praticamente inexistentes para uma rentabilidade em linha com a média", comentou Andreas Thomae, da empresa Deka Investments.
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