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"Europa está completamente fora da corrida" à IA

A corrida à inteligência artificial está cada vez mais acelerada, mas é disputada entre gigantes norte-americanos e chineses. A grande dúvida é que empresas irão sobreviver face às elevadas necessidades de investimento.

Miguel Godinho de Matos no Talk Moment dos Prémios Melhores Fundos 2026 da APFIPP e Jornal de Negócios.
Miguel Godinho de Matos no Talk Moment dos Prémios Melhores Fundos 2026 da APFIPP e Jornal de Negócios. Mariline Alves
20:11

As grandes empresas de inteligência artificial (IA) estão a acelerar o investimento em infraestruturas de apoio, que incluem data centers, energia para os alimentar ou hardware, que totalizou 400 mil milhões de dólares no ano passado. É uma corrida liderada por “hyperscalers”, nos Estados Unidos e na China, deixando a Europa para trás.

A performance de modelos de linguagem tem acelerado a uma velocidade incrível e neste momento temos uma corrida”, começou por dizer Miguel Godinho de Matos, professor catedrático de sistemas de informação e gestão na Católica Lisbon School of Business & Economics, onde lidera os programas de mestrado e de formação executiva em inteligência artificial e machine learning, no Talk Moment dos Prémios Fundos 2026 da APFIPP e Jornal de Negócios, esta quinta-feira em Lisboa.

“A Europa está completamente fora desta corrida”, advertiu o especialista, apontando para os Estados Unidos, com modelos pagos, e a China, com modelos abertos. “Na Europa há o Mistral, que os franceses fazem questão de dizer que é francês e não europeu”, indicou ainda.

“Hyperscalers” como a OpenAI, Anthropic, Google ou Microsoft estão assim a beneficiar de uma escalada na adoção de IA - especialmente entre indivíduos, e com as empresas a demonstrarem maior ceticismo -, mas mantém-se a incógnita sobre se terão capacidade de gerar um retorno que compense o elevado investimento. “O que não sabemos é se todas estas companhias vão sobreviver. É uma das grandes incógnitas”, adiantou o académico.

E exemplificou com o caso da OpenAI, que passou de receitas de 3 mil milhões de dólares, em 2020, para cerca de 13 mil milhões em 2025, abaixo da meta de 30 mil milhões de dólares. “Para sequer as contas fazerem sentido, no acumulado do ‘cash burn’ que se espera que tenha, têm de estar a gerar, em receita, cerca de 200 mil milhões em 2030. É possível, mas seria um dos maiores casos de sucesso empresarial da história”, acrescentou.

 Lista de premiados

Prémios Melhores Fundos

Maria Luís Albuquerque, a comissária europeia com a pasta dos Serviços Financeiros e União da Poupança e dos Investimentos, é a grande vencedora do Prémio de Personalidade do Ano desta edição dos “Prémios Melhores Fundos - Jornal de Negócios/APFIPP”, organizada pela Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios. Nesta 12.ª edição dos prémios foram distinguidos os organismos de investimento coletivo (OIC) e fundos de pensões, que se destacaram pela rendibilidade histórica, atendendo ao risco. Foi ainda galardoada a Melhor Dissertação Académica, que se debruça sobre o desempenho ajustado ao risco de “exchange-traded funds” (ETF) alinhados com os objetivos de desenvolvimento sustentável e critérios ESG, da autoria de Tiago Henrique Martins Barbosa.

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