Certificados de aforro - Um bom investimento a 10 anos?
Pouco mais de um mês depois da entrada em vigor das novas regras dos certificados de aforro, a dúvida mantém-se entre os investidores. O que fazer? Ainda valerá a pena investir em certificados de aforro, agora que o valor da remuneração é mais baixo? É certo que a decisão estará sempre nas suas mãos. Contudo, existem formas bastante mais atractivas de fazer render o seu dinheiro durante dez anos. Esse período é suficiente para poder ambicionar resultados melhores. Durante esse período, os ponteiros do relógio jogam a seu favor contra os imprevistos.
Mas o que mudou nos certificados de aforro que transformou os "reis" da poupança em Portugal num produto menos atraente? A grande diferença está, essencialmente, no prémio de permanência. O novo regime, que cria uma nova série de certificados (C), alarga o prazo de aplicação desse prémio, que todos os anos é acrescido à taxa de juro. Apesar de o tecto máximo desse incentivo ter subido de 2% para 2,5%, este valor só é alcançado no final do nono ano do certificado, ou seja, quatro anos depois da data permitida no regime antigo e apenas a um ano da maturidade, dado que os certificados deixaram de ser vitalícios e têm agora um período de vida limitado a dez anos. Também a fórmula de cálculo dos juros foi alterada, tendo apenas como referência a taxa Euribor a três meses.
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Passando da teoria à prática, a diferença dos novos certificados de aforro para outros produtos de investimento, pode ser bastante significativa. Mesmo em produtos com risco semelhante.
Quem aplicar 5.000 euros num certificado de aforro, pode chegar ao fim de dez anos com um investimento de 7.693,332 euros. A simulação feita pelo Jornal de Negócios tem por base a taxa de juro de 3,458% dos certificados da série C, fixada para Março, assim como os diferentes prémios de permanência pagos em dez anos (ver caixa das novas regras). Embora este retorno possa ser bastante mais interessante do que os retornos dos tradicionais depósitos a prazo, acaba por perder atractividade quando comparado com o resultado potencial que outros produtos financeiros podem proporcionar. É o caso dos fundos de investimento, mesmo os que têm um nível de risco baixo, equivalente aos certificados.
Simulando o mesmo investimento de 5.000 euros no fundo de obrigações de alto rendimento com o melhor desempenho, entre risco e a rendibilidade, à venda em Portugal - o Morgan Stanley SICAV European Curr High Yield Bond I Acc - verifica-se que o retorno final pode superar os 10.596 euros. Este valor é calculado com base na valorização de 7,8% acumulada por este fundo nos últimos cinco anos, segundo dados da Morningstar.
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Apesar de uma das regras de "ouro" dos investimentos impôr que os resultados passados não sejam garantia de desempenhos futuros, a diferença no retorno final das duas aplicações ilustra bem o potencial de valorização do seu dinheiro que pode ficar por ganhar, depois da entrada em vigor das novas regras dos certificados de aforro. E isto, sem correr riscos adicionais. Pois se souber aproveitar os ponteiros do relógio, dez anos são suficientes para arriscar um pouco mais e olhar atentamente para os fundos de acções.
Apostar na diversificação de um fundo de acções global, que não o coloca sobreexposto a um único país ou sector, estando o risco mais controlado, poderá render-lhe mais de 22.057 euros nos mesmos dez anos. Este montante é simulado com base na rendibilidade do melhor fundo de acções globais classificado com cinco estrelas pela Morningstar, o Mellon Global Entrepid A EUR, que acumula uma ganho de 16% em cinco anos.
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