Já a pensar em férias? Atenção aos cancelamentos
Para evitar o risco de perder a viagem e o dinheiro das reservas do alojamento ou das viagens de avião tenha em atenção as regras em vigor para os cancelamentos à última hora, sobretudo em tempos de pandemia.
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Com o verão à porta começamos a planear as férias e a namorar destinos turísticos.
Mas, em tempos de pandemia e com os casos diários de covid-19 a subirem novamente, é importante que olhe com atenção para as regras de cancelamento das estadias ou das viagens de avião para garantir o reembolso dos pagamentos, caso à última hora fique impedido de viajar.
Até porque, apesar de a pandemia ter trazido uma nova realidade para o nosso dia-a-dia e de terem entrado em vigor uma série de leis para vários setores, com caráter temporário e excecional, o mesmo não aconteceu com as regras para o alojamento e viagens de avião. Ou seja, de acordo com a lei em vigor, "os cancelamentos de viagens obedecem às regras pré-pandemia", não havendo aqui nenhuma exceção para casos de cancelamento por isolamento ou por infeção de covid-19, sublinha ao Negócios Rodolfo Cardoso, "chief marketing officer" do Portal da Queixa.
O mesmo aviso é deixado pelo coordenador jurídico e económico da Deco, Paulo Fonseca, que diz que a solução para garantir o reembolso é optar por alojamentos ou hotéis que tenham disponível a opção de cancelamento gratuito. Desta forma, o "consumidor não paga nada porque estava abrangido" por esta opção. "Se não há cancelamento gratuito, arrisca sem garantir o reembolso da totalidade, independentemente de não aceder aos espaços", explica Paulo Fonseca.
O jurista da Deco diz ainda que pode haver outras soluções de forma a que não perca a reserva, em caso de cancelamento à última hora. "Deve entrar em contacto diretamente com o hotel ou com o alojamento local, no sentido de procurar ter uma alternativa", que pode passar por "disponibilizar a reserva a uma outra pessoa ou alterar a data de reserva para mais tarde", aconselha Paulo Fonseca.
Nas agências de viagens tem sempre direito ao reembolso total ou parcial do valor pago pela viagem.
Caso o cancelamento da reserva seja iniciativa do alojamento, o hotel "é obrigado a indemnizar o consumidor" porque "se não há uma prestação do serviço tem o direito a ser reembolsado". Mas a opção de cancelamento à última hora permite ainda poupar tendo em conta que "poderá acompanhar os preços do hotel que escolher e, caso encontre uma promoção de última hora, poderá cancelar a primeira e fazer nova reserva", por um preço inferior, diz ainda ao Negócios Rodolfo Cardoso.
No caso das viagens de avião "é muito difícil o reembolso" nos casos de cancelamento à última hora. Por isso, a melhor opção, aconselha o jurista da Deco, é "subscrever um seguro de viagem que acautele estas situações de doença súbita", que o impeça de fazer a viagem.
Agências de viagens com regras diferentes
No caso das agências de viagens, a lei em vigor aplica regras diferentes para os cancelamentos e reembolsos. Quando reserva pacotes turísticos ou viagens combinadas numa agência "tem sempre direito a rescindir o contrato" e ao reembolso do valor que foi pago, explica Paulo Fonseca. No entanto, o reembolso pode não ser a totalidade do custo da viagem. Há casos em que pode ter de pagar "uma taxa que já está previamente definida pela agência para o cancelamento de última hora", ou então, caso não esteja definida qualquer taxa, só terá de pagar "as despesas que houveram lugar a essa reserva" cujo valor vai "variando consoante aproximar da data" da reserva, diz ainda o jurista da Deco. Ou seja, quanto mais próximo da data de reserva, menor vai ser o valor do reembolso.
Mas além de ter em atenção as regras para os cancelamentos e reembolsos, os especialistas deixam ainda ao Negócios oito dicas para conseguir poupar e conseguir encontrar soluções a problemas que surjam depois de ter pago as suas férias.
Procure quem dá mais garantias
Ao procurar poupar o consumidor pode estar a criar um problema na viagem. Quando vai para destinos mais longínquos e caso surjam imprevistos durante a viagem, pode ter mais dificuldade em resolver problemas. Por isso, procure sempre contratar uma viagem com quem lhe dá uma garantia maior. Para a Deco, a solução que oferece maior segurança para o consumidor é a combinação de viagem que inclui transporte e alojamento por um período superior a 24 horas., que normalmente são celebrados através agências de viagem. Caso surjam imprevistos a responsabilidade é da agência, que tem de resolver o problema.
Reserve mais do que uma noite no alojamento
Reservar mais do que uma noite de alojamento pode ser uma boa opção. É muito comum encontrar promoções que oferecem uma noite de alojamento na reserva de mais do que uma, lembra o Portal da Queixa. Além disso, procure viajar nos dias de semana. Os fins-de-semana são, por regra, os dias mais caros. Reservar o seu alojamento entre domingo e quinta poderá significar uma poupança nos seus gastos.
Viajar durante os dias de semana pode ficar mais em conta do que aos fins de semana.
Pesquise e compare os preços
Antes da reserva deve fazer sempre uma pesquisa para comparar os preços, seja dentro ou fora das plataformas online. Deve também contactar diretamente o hotel para saber que preço está a disponibilizar diretamente. Desta forma, consegue perceber se existe alguma diferença de preço entre os valores que são apresentados nas plataformas e os que são pedidos diretamente pelo hotel ou alojamento. Caso opte por fazer a reserva diretamente junto do hotel ou do alojamento, elimina uma entidade a intervir no processo, ficando havendo uma maior possibilidade de se encontrar uma solução caso surja algum problema.
Evite estadias no centro da cidade
Procure alojamento próximo da cidade ou local que pretende visitar. Os preços dos hotéis ou dos alojamentos mesmo no centro da cidade podem ser mais elevados. Mas tenha também em atenção o preço dos transportes, alerta o Portal da Queixa. Isto porque poderá poupar no alojamento, mas acabar por gastar mais no transporte. Assim, procure mais informações e pesquise antes de tomar uma decisão.
Se optar por estadias fora da cidade tenha atenção aos preços dos transportes.
Viagens de avião com antecedência
Reserve as viagens de avião com a maior antecedência possível. É a recomendação mais óbvia para o Portal da Queixa, mas nem sempre cumprida. Mas lembre-se que é comum que as companhias disponibilizem os primeiros lugares a serem vendidos através de uma promoção a um voo/destino. Além disso, pode utilizar uma VPN para procurar voos mais baratos. Isto porque, ao utilizar uma VPN poderá alterar a sua localização de pesquisa, no browser, para um outro país. Escolha, por exemplo, um país asiático e provável que os valores sejam relativamente mais baixos, lembra ainda o Portal da Queixa.
Bilhetes de última hora são mais baratos
Para conseguir bilhetes de avião mais baratos, deve pesquisar com liberdade de datas e horários. Com maior liberdade de pesquisa, os motores de busca de voos vão procurar as melhores combinações de voos, ao melhor preço, explica o Portal da Queixa. Esteja também atento às ofertas de última hora. Tal como nos hotéis, as companhias áreas procuram optimizar as suas operações. Os bilhetes de última hora são uma oportunidade que pode significar uma elevada poupança no "budget" da sua viagem. Pode ainda inscrever-se nos programas de milhas das companhias áreas, através dos quais pode ter redução no preço.
Cuidado com as falsas promoções
Há de facto muitos casos em que as promoções são apenas mecanismos de marketing. E nestas ocasiões não existe poupança real, alerta o Portal da Queixa. Mas na sua maioria, as promoções dos hotéis permitem uma real poupança. É o exemplo das promoções para reservas de última hora, em que os hotéis procuram garantir uma ocupação de 100% das suas unidades e dessa forma otimizar os seus serviços, reduzindo o preço.
As promoções para reservas de última hora oferecem preços mais reduzidos.
Pague de forma faseada e evite o crédito
Opte por serviços que disponibilizem o pagamento faseado da viagem. É o caso das agências de viagens onde pode pagar um montante inicial no momento da reserva e ir depois fazendo pagamentos até à data da viagem. Desta forma dilui o esforço no orçamento. Evite recorrer ao crédito ao consumo para pagar as férias, sobretudo se já tem um crédito à habitação ou automóvel. Se esta for a escolha, deve ter em atenção a taxa de juro que é aplicada e a TAEG. Caso a sua taxa de esforço ultrapassar os 30%, deve pensar duas vezes antes de contrair o crédito, aconselha a Deco, para evitar entrar numa situação de endividamento excessivo.