Petróleo volta a disparar com receios de nova escalada do conflito no Médio Oriente. Brent acima dos 100 dólares
Os preços do petróleo voltaram a negociar com fortes valorizações nesta segunda-feira, depois de no conjunto da semana passada terem registado uma queda de mais de 10%. A impulsionar os preços está o facto de os Estados Unidos (EUA) e o Irão não terem conseguido chegar a um acordo durante as negociações em Islamabad, capital do Paquistão, o que levou Donald Trump a anunciar que as forças americanas vão começar a bloquear todo o tráfego marítimo que entra e sai dos portos iranianos a partir das 10h, hora de Nova Iorque, desta segunda-feira (15h em Lisboa).
O Brent – de referência para a Europa – sobe agora 7%, para os 101,86 dólares por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – avança 7,44% para os 103,75 dólares por barril.
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Noutras matérias-primas, também o gás natural negociado na Europa, chegou ontem a disparar mais de 17% e regista agora ganhos de mais de 7%, para os 46,950 euros por megawatt-hora.
Apesar de o Presidente Donald Trump ter dito a jornalistas que a ação de bloqueio planeada seria muito eficaz, analistas temem que a decisão adicione uma nova camada de incerteza ao conflito, podendo, em último caso, levar a uma nova escalada da guerra no golfo Pérsico. Além do bloqueio do estreito, o líder norte-americano e os seus conselheiros estarão, também, a considerar retomar ataques limitados contra o Irão, informou o Wall Street Journal.
Do lado de Teerão, o conselheiro militar do líder supremo do Irão, Mohsen Rezaee, afirmou que o país “não permitirá” tal embargo dos EUA e acrescentou que dispõe de meios para o contrariar.
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O estreito de Ormuz, que liga o golfo Pérsico aos mercados globais – zona por onde passava cerca de 20% de todo o gás natural e crude consumidos ao nível global antes do estalar da guerra -, encontra-se efetivamente fechado desde que os EUA e Israel iniciaram uma ofensiva militar contra o Irão no final de fevereiro. Nesta segunda-feira, dois petroleiros estarão a tentar sair do golfo através do estreito de Ormuz, tornando-se nas primeiras embarcações a tentar passar esta via marítima desde que os EUA anunciaram o seu bloqueio, revelaram dados citados pela Bloomberg.
Para Michael Ratney, antigo embaixador norte-americano na Arábia Saudita, a medida dos EUA introduz “um enorme elemento de risco adicional”, disse numa entrevista à Bloomberg TV. E com alguns navios a transportar petróleo com destino à China, “irá a Marinha dos EUA bloquear esses navios e, assim, provocar uma crise nas relações entre os EUA e a China?”, acrescentou. O Irão continuava a exportar crude em março, sendo a China o principal destino, embora os fluxos tenham diminuído em relação ao mês anterior.
“Parece-me que se trata de uma [solução] bastante ambiciosa, e que não resolve o problema da interrupção”, afirmou, por sua vez, Mona Yacoubian, diretora do Programa do Médio Oriente no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, à agência de notícias financeiras, a respeito do plano de bloqueio dos EUA. “É difícil compreender o sentido disso”, sublinhou.
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A verdade é que se o Irão sentir que as suas exportações de petróleo - responsáveis por grande parte das receitas do país - estão ameaçadas, poderá pressionar os Houthis no Iémen a atacar o tráfego marítimo em Bab el-Mandeb, na entrada sul do Mar Vermelho. Este estreito é, tal como Ormuz, uma das rotas comerciais mais movimentadas do mundo e por onde passa cerca de 10% a 12% do comércio marítimo global.
Nesta linha, os fluxos de petróleo através do Mar Vermelho tornaram-se mais importantes desde que a guerra eclodiu, uma vez que a Arábia Saudita aumentou os fluxos dos oleodutos através do país até ao porto de Yanbu, localizado no Mar Vermelho. No domingo, Riade afirmou ter restaurado a capacidade total do seu oleoduto Este-Oeste, bem como a produção do campo de Manifa, após estas infraestruturas terem sofrido danos devido a ataques iranianos.
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