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Brent sobe para quase 105 dólares. Mercados céticos sobre resolução rápida do conflito

O petróleo valoriza hoje cerca de 3%, enquanto o gás natural sobe na mesma medida. Sinais contraditórios sobre negociações de cessar-fogo estão a deixar os investidores nervosos, enquanto os EUA continuam a enviar mais tropas para a região, apesar das manobras diplomáticas.

Guerra aproxima-se da quarta semana.
Guerra aproxima-se da quarta semana. Altaf Qadri / AP
26 de Março de 2026 às 08:31

Os preços do petróleo e do gás negoceiam na manhã desta quinta-feira, 26 de março, com valorizações, à medida que os Estados Unidos (EUA) e o Irão apresentam declarações contraditórias sobre os esforços de negociação para pôr fim à guerra no Médio Oriente.

Com os ataques a continuarem em países de toda a região, o Brent – de referência para a Europa - avança mais de 2,50%, para quase 105 dólares por barril, após ter registado uma queda superior a 2% na quarta-feira. Já o West Texas Intermediate (WTI) - de referência para os EUA – negoceia acima dos 93 dólares por barril, com uma valorização superior a 3%.

Enquanto a Casa Branca continua a insistir que as negociações de paz estão em curso, Teerão continua a rejeitar as propostas dos EUA para um cessar-fogo e apresentou as suas próprias condições, incluindo ter controlo soberano sobre o estreito de Ormuz.

Ainda pelo Irão, o parlamento do país está a trabalhar num projeto de lei para cobrar uma taxa a navios que queiram atravessar a via marítima, em troca da garantias de segurança, de acordo com a agência de notícias semioficial Fars. O plano deverá ser finalizado na próxima semana, avançou a agência, citando um legislador.

O índice de referência global do petróleo bruto está a caminho do maior ganho mensal desde 1990, tendo valorizado já mais de 44% desde o início do mês - que coincidiu com o início da guerra.

O presidente da BlackRock, Rob Kapito, afirmou que os investidores podem estar a subestimar os riscos decorrentes da crise no Irão. O preço do petróleo ainda pode disparar para 150 dólares por barril, mesmo “se amanhã anunciarmos que a guerra acabou”, uma vez que levará tempo para que as cadeias de abastecimento voltem a funcionar a plena capacidade, referiu Kapito, citado pela Bloomberg, num evento em Melbourne. Além disso, muitos países do golfo Pérsico já suspenderam a produção da matéria-prima, e retomar não é um processo automático.

Nesta linha, também os preços do gás natural negoceiam com subidas. O gás de referência para o Velho Continente, negociado no TTF – “hub” de Amesterdão –, avança hoje mais de 3%, para cerca de 54,475 megawatt/hora.

E “embora os EUA estejam claramente à procura de uma saída, nem o Irão nem os israelitas parecem estar interessados numa resolução rápida”, afirmou à agência de notícias financeiras Philip Jones-Lux, Sparta Commodities. Acrescenta-se a isto o envio de mais tropas norte-americanas e “diria que prever uma desaceleração neste momento seria prematuro”, acrescentou.

Num outro teatro de conflito, os investidores continuam a seguir de perto a guerra entre a Rússia e a Ucrânia e soube-se que no Mar Negro, um drone atacou um petroleiro turco carregado com crude perto de Istambul, informou a televisão NTV.

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