Putin está a considerar cortar todos os fornecimentos de gás à Europa
Em 2025, o gás russo ainda representava cerca de 13% das importações totais da matéria-prima pela UE, no valor de mais de 15 mil milhões de euros. Objetivo do Kremlin é favorecer mercados que considera mais promissores, como a Índia e China.
- 4
- ...
O Presidente russo, Vladimir Putin, disse que está a considerar acabar com as vendas de gás natural à Europa, sendo o objetivo do Kremlin favorecer mercados que considera mais promissores, como a Índia e a China.
A intenção agora exposta pelo líder russo é vista como uma rota de fuga perfeita, já que a União Europeia (UE) irá proibir, a partir do final de 2027, a compra de gás natural russo.
Foi neste contexto que Putin disse que vai instruir o seu Governo a avaliar o redirecionamento dos fornecimentos para fora do bloco. “Outros mercados estão a abrir agora”, referiu o Presidente russo numa entrevista à televisão estatal nesta quarta-feira. “Se [a UE] vai cortar o fornecimento daqui a alguns meses, porque não parar de enviar gás agora e aproveitar a oportunidade para fortalecer os mercados onde os nossos parceiros são mais confiáveis?", acrescentou, sublinhando ainda que já deu “instruções para trabalharmos nessa questão com as empresas de energia russas”.
Os preços do gás europeu atingiram o maior pico em três anos esta semana, impulsionados pelo conflito no Médio Oriente.
Ao desviar a maior parte do gás produzido pela Rússia da Europa para mercados alternativos, o país estaria apenas a seguir o exemplo de alguns outros fornecedores, afirmou Putin. “Surgiram alguns clientes que estão dispostos a comprar esse mesmo gás natural a preços mais elevados”, afirmou. “As empresas americanas, é claro, irão para onde forem mais bem pagas”.
Embora os fluxos de combustível russo para o Velho Continente tenham diminuído bastante desde a invasão da Ucrânia em 2022, a Rússia continua a fornecer gás por gasodutos a alguns mercados europeus, incluindo a Sérvia, a Hungria e a Eslováquia. Nesta medida, o líder russo, que se reuniu com o ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Peter Szijjarto, no Kremlin na quarta-feira, salientou que o seu país ainda queria fornecer energia ao que chamou de parceiros fiáveis, como a Eslováquia e a Hungria.
Em 2025, o gás russo ainda representava cerca de 13% das importações totais da matéria-prima pela UE, no valor de mais de 15 mil milhões de euros, de acordo com dados do Conselho da UE. O número está longe do domínio indiscutível que a Rússia desfrutava no mercado do gás europeu em 2021, quando as exportações do país para os 27 atingiram 45% do total.
No entanto, perder 13% do abastecimento de uma só vez representa uma ameaça séria para a Europa num momento em que a luta por novos carregamentos de GNL se está a intensificar.
Mais lidas