Brent atinge 85 dólares pela primeira vez desde julho de 2024. Gás natural dispara mais 47%

O custo do transporte de petróleo bruto do Médio Oriente para a China atingiu o nível mais alto já registado.
Estreito de Ormuz
Ali Haider / EPA
João Duarte Fernandes 03 de Março de 2026 às 08:37

O petróleo está a ampliar o aumento nos preços registado na sessão de segunda-feira e negoceia com valorizações próximas de 10%, à medida que os Estados Unidos (EUA) e Israel intensificam a guerra contra o Irão, que se está a alastrar a outras zonas do Médio Oriente. Já o preço do gás natural europeu continua a escalar na manhã desta terça-feira, tendo subido mais de 60% desde o fecho das negociações do final da semana passada.

Na manhã desta terça-feira, o barril de Brent chegou a valorizar 9,5% para os 85,12 dólares, tendo ultrapassado esta barreira pela primeira vez desde julho de 2014. Já a referência americana, o crude West Texas Intermediate (WTI), chegou a avançar 8,9% para 77,58 dólares. 

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Já os contratos futuros do gás natural de Amesterdão, com prazos a um mês, dispararam um máximo de 47,54% na sessão desta terça-feira, negociando nos 65,665 euros por megawatt-hora.

A influenciar os preços do crude está sobretudo o facto de Teerão ter ontem decretado o encerramento do Estreito de Ormuz – via marítima por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás produzidos ao nível mundial. Apesar de o fecho da via ter sido rejeitado mais tarde pela Administração norte-americana, as embarcações, à semelhança do que tem vindo a ser registado desde o início do conflito no sábado, estão a evitar navegar pelo Estreito controlado em grande parte pelo Irão e Omã, sob pena de poderem ser atingidos por ataques militares.

Nesta linha, Ebrahim Jabbari, conselheiro do comandante da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão, disse ontem à televisão estatal iraniana que as forças do país “incendiarão qualquer navio que tente passar” pelo Estreito de Ormuz.

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Por enquanto, os aumentos nos preços do crude “permanecem contidos — apesar da impressionante extensão geográfica do conflito e da crescente proximidade com a infraestrutura energética — refletindo que um prémio de risco substancial já está precificado”, escreveram analistas do JP Morgan numa nota citada pela Bloomberg.

Na segunda-feira, a Saudi Aramco suspendeu as operações na sua refinaria de Ras Tanura após um ataque com drones ter sido registado na área. Já o Qatar – segundo maior exportador de gás a nível global - encerrou a produção de gás natural liquefeito (GNL) na maior instalação de exportação de GNL do mundo - responsável por cerca de um quinto do GNL produzido em todo o mundo -, depois de ter sido alvo de um ataque iraniano.

À medida que o aumento nos preços da energia , o . O custo do transporte de petróleo bruto do Médio Oriente para a China atingiu o nível mais alto já registado na segunda-feira, de acordo com dados da Baltic Exchange.

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A China — maior importador mundial de petróleo — apelou a todas as partes envolvidas na guerra para que garantam a passagem segura dos navios pelo Estreito de Ormuz. O país “insta todas as partes a cessarem imediatamente as operações militares, evitarem o agravamento das tensões e salvaguardarem a segurança da navegação”, afirmou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Mao Ning, numa conferência de imprensa em Pequim, nesta terça-feira.

Na segunda-feira, a Bernstein elevou a sua previsão para o preço do petróleo Brent em 2026 de 65 dólares para 80 dólares por barril, mas a casa de investimento acredita que os preços podem chegar à faixa entre 120 e 150 dólares num caso extremo de conflito prolongado.

(Notícia atualiza às 12:20 horas com nova cotação do petróleo e do gás natural)

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