“Vários países estão a caminho” para proteger Ormuz, embora com "pouco entusiasmo", diz Trump

Alegando que sempre soube que o Irão iria “utlizar o estreito como arma económica”, Trump disse que outros países “que dependem muito mais" do que os EUA do petróleo de Ormuz vão colaborar na proteção do estreito, embora alguns "pouco entusiasticamente". "Queremos que nos ajudem", apelou.
Trump fala sobre o Médio Oriente
Radar
Pedro Barros Costa 16:52

Donald Trump disse esta segunda-feira que os EUA estão “a arrasar a capacidade de ameaçar a navegação comercial no estreito de Ormuz”, tendo destruído mais de 30 navios lança-minas, a totalidade deste tipo de embarcações, e duvida que tenham sido realmente lançadas minas no estreito, o que seria um “suicídio” para o Irão.

Alegando que sempre soube que o Irão iria “utlizar o estreito como arma económica”, o Presidente dos EUA disse também que outros países “que dependem muito mais do que nós” do petróleo de Ormuz, vão colaborar na proteção do estreito. “Vários países disseram-me que estão a caminho” para proteger o estreito, referiu em conferência de imprensa. "Queremos que nos ajudem", apelou.   

PUB

Contudo, Trump reconhece que alguns países “não estão a fazê-lo muito entusiasticamente”, apesar de terem sido protegidos nos últimos anos pelos EUA, revelando que disseram que “preferiam não se envolver”. “Essas economias dependem 90%/95% do petróleo do estreito, deviam estar a ajudar-nos.”

Trump não especificou que países estão a caminho do Golfo, mas assinalou que várias economias estão muito mais dependentes do que os EUA do petróleo que passa pelo estreito, como a China, o Japão, a Coreia do Sul, ou "muitos países europeus". "Prefiro não dizer", mas sugeriu que será divulgada uma lista mais tarde.    

O chefe de Estado norte-americano disse também que sempre foi cético em proteger outros países, “porque se precisarmos de ajuda eles não vão estar lá para nós”, lamentou, deixando críticas implícitas aos aliados da NATO.     

PUB

Como exceção, o Presidente dos EUA referiu um país em específico, França, dizendo que a recetividade do seu homólogo francês, Emmanuel Macron, se sitou em oito numa escala de 0 a 10. "Penso que ele vai ajudar", referiu.

O Presidente norte-americano assinalou que os EUA “já deram conta” do Irão, mas que agora “apenas um terrorista pode colocar algo na água ou disparar um míssil de curto alcance”, visto que "é uma área muito estreita”. “O Irão sempre usou o estreito como arma económica, mas isso não vai durar muito mais tempo”, assinalou. "Estamos a lidar com um tigre de papel. Não era há duas semanas, mas agora é."

A UE não demorou tempo a responder, com a Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros a dizer que "não há vontade" entre os Estados-membros para expandir missões navais do bloco para o Estreito de Ormuz e afirmou que a guerra no Irão "não é da Europa".

PUB

"Por agora, não há vontade em mudar o mandato da operação 'Aspides'", afirmou Kaja Kallas. A diplomata referia-se à missão naval que visa proteger navios comerciais e mercantes no Mar Vermelho, e que poderia eventualmente ser mobilizada para o estreito de Ormuz caso os 27 assim o decidissem.

Kaja Kallas referiu, após uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, que houve um acordo para reforçar essa missão, mas não quiseram expandir o seu mandato para o estreito de Ormuz, optando por mantê-la no Mar Vermelho.

"Embora o Estreito de Ormuz esteja no centro das atenções, o Mar Vermelho continua igualmente a ser crucial. O risco de os Huthis [rebeldes xiitas iemenitas] se envolverem é real, pelo que devemos permanecer vigilantes", defendeu, considerando, contudo, que se mantém "uma prioridade urgente" retomar a exportação de fertilizantes, comida e energia através do estreito de Ormuz.

PUB

Questionada sobre como é que irá conseguir conciliar o facto de os Estados-membros não quererem expandir a presença naval para o Estreito de Ormuz mas defenderem a retoma das exportações nesse eixo central do tráfego marítimo, Kallas respondeu que "ninguém quer entrar ativamente nesta guerra" e o envolvimento que a UE tenciona ter é sobretudo diplomático. "Esta guerra não é da Europa", disse.

A normalização do tráfego marítimo é essencial para que os preços do petróleo, que dispararam com o início do conflito, possam estabilizar, uma vez que cerca de 20% da produção de crude mundial atravessa o estreito de Ormuz.         

Sobre a guerra, Trump disse que "a campanha militar para acabar com o regime continua em toda a força", tendo sido destruídos 7.000 alvos militares e uma redução de 95% nos lançamentos de mísseis balísticos e de drones. “Atacamos as fábricas onde produzem os mísseis e os drones. Só hoje atingimos três”.

PUB

Os alertas de Von der Leyen

 Ainda esta segunda-feira, a presidente da Comissão Europeia admitiu que as restrições prolongadas no fornecimento de petróleo e gás do Médio Oriente à União Europeia, decorrentes do bloqueio do estreito de Ormuz, podem ter um "impacto significativo na economia europeia".

Contudo, a responsável afastou que possam existir problemas no abastecimento das matérias-primas aos países da UE, numa carta dirigida aos líderes europeus, antes da reunião do Conselho Europeu de quinta e sexta-feira, em que serão debatidas medidas a adotar para aliviar os elevados preços da energia.

PUB

"Atualmente, a segurança física do abastecimento energético da UE está assegurada. No entanto, o aumento dos preços dos combustíveis fósseis já está a pesar sobre a nossa economia e, desde o início do conflito, a Europa já gastou mais seis mil milhões de euros em importações de combustíveis fósseis, um lembrete direto do preço que pagamos pela nossa dependência", assinalou.

*Com Lusa

Saber mais sobre...
Saber mais Irão petróleo Ameaças Suicídio Donald Trump Estados Unidos
Pub
Pub
Pub