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Petróleo volta a ultrapassar os 110 dólares após Trump ameaçar obliterar Irão

O prazo dado pelo Presidente norte-americano a Teerão para reabrir o estreito de Ormuz aproxima-se e os investidores antecipam o pior. Apesar de as negociações continuarem, uma possível escalada do conflito está a deixar os mercados apreensivos.

Petróleo em baixa devido à Ucrânia e tensão entre Pequim e Tóquio
Petróleo em baixa devido à Ucrânia e tensão entre Pequim e Tóquio Jeff McIntosh / The Canadian Press / Associated Press
08:08

O petróleo está a responder com ganhos às ameaças de Donald Trump, Presidente dos EUA, de obliterar o Irão "numa noite". O crude de referência para a Europa, conhecido por Brent, está de novo a negociar acima dos 110 dólares por barril, mas é o petróleo de referência para os norte-americanos - o West Texas Intermediate (WTI) - que regista a maior subida de preço esta terça-feira, atingindo um dos valores mais elevado desde o início da guerra no Médio Oriente.

A esta hora, o Brent acelera 1,41% para 111,32 dólares por barril, bastante próximo de máximos intradiários. Já o WTI ganha 2,30% para 115 dólares, tendo chegado a disparar quase 4% para 116,56 dólares e tocando em máximos de quase um mês. Os dois crudes de referência encaminham-se para a terceira sessão consecutiva de ganhos, depois de terem fechado segunda-feira com uma ligeira subida nos preços - já impulsionados pelas palavras do Presidente norte-americano. 

Numa longa conferência de imprensa, , aludindo ao prazo dado para a destruição infraestruturas do Irão, caso o estreito de Ormuz, por onde passa boa parte da oferta de crude mundial, não seja reaberto à navegação, marcado para as 01:00 de quarta-feira (hora de Lisboa).  O líder norte-americano reiterou a mensagem de que os EUA “não podiam deixar o Irão ter uma arma nuclear” e que a operação resultou numa “mudança de regime”.

"Se Trump entrar de facto em modo de “aniquilação” e o Irão avançar com retaliações “mais devastadores” e “mais abrangentes”, esperamos ver um impulso [do petróleo] em direção aos 120 dólares", explica Robert Rennie, diretor de investigação de matérias-primas da Westpac Banking Corp, à Bloomberg. “No entanto, se Trump adiar, mais uma vez, então permaneceremos na atual faixa de 95 a 110 dólares, por enquanto", antecipa.

Apesar das reiteradas ameaças, o Presidente dos EUA afirma que as negociações com Teerão estão "a correr bem". Na segunda-feira, o regime de Mojtaba Khamenei apresentou uma contraproposta de dez pontos ao acordo de cessar-fogo da Casa Branca, que inclui, além do fim definitivo do conflito, um protocolo de circulação segura pelo estreito de Ormuz, o fim das sanções ao país e ainda apoios à reconstrução das infraestruturas danificadas na guerra. Trump disse que a proposta "não é suficiente, mas representa um passo na direção certa".

O conflito está agora na sexta semana e, apesar de as negociações para pôr fim à guerra continuarem, os sinais no terreno não são os melhores. O estreito de Ormuz, por onde passa 20% de todo o petróleo e gás natural consumido pelo mundo, continua encerrado, mergulhando o mundo numa nova crise energética que já está a ter grande expressão na inflação dos vários blocos económicos. A escalada nos preços está a levar os investidores a anteciparem um aperto monetário por parte dos maiores bancos centrais do globo.

(Notícia atualizada às 08:16)

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