Europa em alta após acordo histórico entre UE e Índia. Puma dispara com investimento chinês
Taxa de desemprego em Espanha abaixo dos 10% pela primeira vez desde 2008
Juros das dívidas europeias agravam-se em toda a linha
Dólar ignora novas ameaças tarifárias e ensaia recuperação
Tarifas de Trump voltam a dar força aos metais preciosos. Ouro perto de máximos
Petróleo em queda apesar de disrupções em refinarias dos EUA
Ásia em máximos e Europa no verde com época de resultados a centrar atenções
Europa em alta após acordo histórico entre UE e Índia. Puma dispara com entrada da Anta Sports no capital
Os principais índices europeus estão a negociar em terreno positivo, embora sem a pujança da abertura da sessão, num dia em que os investidores celebram a assinatura de um acordo comercial histórico entre a União Europeia (UE) e a Índia, bem como uma série de resultados trimestrais que ficaram acima das expectativas dos analistas.
O Stoxx 600, "benchmark" para a negociação europeia, avança 0,2% para 610,79 pontos, aproximando-se dos máximos históricos de 615 pontos que atingiu em meados de janeiro. A banca e o setor da construção registam o melhor desempenho a esta hora, enquanto o setor mineiro cai mais de 1% - corrigindo dos grandes ganhos do dia anterior, à boleia de um disparo nos preços dos metais preciosos.
Esta manhã, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, confirmou que a UE e Índia finalizaram um mega-acordo comercial, após décadas de negociações. Este acordo cria um mercado de quase dois mil milhões de pessoas e que representa um quarto do produto interno bruto de todo o mundo. Os detalhes do acordo só serão conhecidos durante o desenrolar do dia, mas sabe-se à partida que o setor automóvel, a agricultura, a indústria vitivinícola e acordos na defesa deverão destacar-se no acordo comercial.
"Estamos otimistas em relação às ações europeias, tanto a curto como a longo prazo", explica Anthi Tsouvali, estratega de ativos da UBS Global Wealth Management, à Bloomberg. "As contas provavelmente não serão excelentes, mas as expectativas são muito baixas - pelo que o resultado do mercado poderá ser positivo, à medida que as más notícias forem sendo ultrapassadas", antecipa. O mercado prevê que os lucros das empresas que fazem parte do MSCI Europe tenham aumentado em 1,3% no quarto trimestre do ano passado, um claro desaceleramento dos 6,9% registados nos três meses anteriores, de acordo com dados compilados pela Bloomberg Intelligence.
Entre as principais movimentações de mercado, a Puma chegou a disparar quase 21%, tendo entretanto reduzido os ganhos para 9,52% para 23,69 euros, depois de a empresa chinesa Anta Sports, especializada em equipamento desportivo, ter chegado a acordo para adquirir 29,06% da Puma por 1.505 milhões de euros, tornando-se assim no principal acionista da marca alemã.
Por sua vez, a farmacêutica Roche avança 0,37% para 351,80 francos suíços, depois de ter informado o mercado que um ensaio clínico de segunda fase do seu medicamento experimental contra a obesidade apresentou resultados positivos.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX é o único a cair, cedendo 0,19%. Já o espanhol IBEX 35 ganha 0,08%, o italiano FTSEMIB valoriza 0,17%, o francês CAC-40 salta 0,03%, ao passo que o britânico FTSE 100 soma 0,26% e o neerlandês AEX ganha 0,18%.
Taxa de desemprego em Espanha abaixo dos 10% pela primeira vez desde 2008
A taxa de desemprego em Espanha caiu para 9,93% no último trimestre de 2025, situando-se abaixo dos 10% pela primeira vez desde o início de 2008, revelou esta terça-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE) espanhol. Leia a notícia completa aqui.
Juros das dívidas europeias agravam-se em toda a linha
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro agravam-se nesta terça-feira, num dia que está a ser marcado pela maior aposta dos investidores nos mercados de ações. De sublinhar que o agravamento dos juros das dívidas europeias acontece quando existe uma menor procura por estes ativos.
As obrigações alemãs a dez anos, tidas como referência para o contexto europeu, estão a avançar 1,2 pontos-base para uma taxa de 2,877%.
Já em França, os juros mantêm-se inalterados nos 3,434%. Em Itália a subida é de 1 ponto-base para 3,474% de rendibilidade.
A "yield" das Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos sobem 1,1 pontos para 3,232%. Espanha acompanha a tendência, com os juros da dívida a 10 anos a subirem igualmente 1,1 pontos-base para 3,238%.
No Reino Unido, a rendibilidade das obrigações situa-se nos 4,505%, uma subida de 1 ponto-base. Nos EUA, as obrigações seguem também a agravar, ainda que de forma mais ligeira, avançando 0,6 pontos-base para uma taxa de rendibilidade de 4,217%.
Dólar ignora novas ameaças tarifárias e ensaia recuperação
O dólar está a recuperar algum do terreno perdido nas últimas sessões, embora continue sob o olhar atentos dos investidores, numa altura em que as políticas adotadas pela Casa Branca têm pressionado a "nota verde". Mesmo assim, a divisa norte-americana parece estar a sair ilesa da nova ameaça de Donald Trump à Coreia do Sul, que pressupõe o aumento de tarifas de 15% para 25%.
A esta hora, o euro recua 0,15% para 1,1862 dólares, enquanto a libra cede 0,06% para 1,3673 dólares. Já a "nota verde" ganha 0,34% para 154,70 ienes, depois de ter atingido mínimos de dois meses contra a moeda nipónica, ao recuar quase 3% nas duas últimas sessões.
O iene foi impulsionado por rumores de uma possível intervenção conjunta das autoridades japonesas e norte-americanas para dar apoio a uma divisa que tem enfrentado grandes fatores de pressão, como é o caso da política expansionista da atual primeira-ministra do país, Sanae Takaichi. Os seus planos de grandes gastos orçamentais já levaram mesmo a um "sell-off" no mercado de dívida, com a "yield" a longo prazo a ultrapassar pela primeira vez em décadas os 4% na semana passada.
A valorização do dólar face ao iene este ano contrasta com o desempenho da "nota verde" contra as restantes principais rivais. A guerra diplomática entre os EUA e Europa, motivada pela pretensão de Donald Trump anexar a Gronelândia, levou vários investidores a afastarem-se do dólar e a apostar noutras moedas, como é o caso do euro e do franco suíço - um dos ativos de refúgio de excelência do mercado.
O dólar enfrenta agora um novo teste com a reunião da Reserva Federal (Fed) norte-americana que começa esta terça-feira e dura até quarta. É esperado que o banco central mantenha as taxas de juro inalteradas - um corte só deve vir a meio do ano -, mas os investidores vão estar bastante atentos às palavras de Jerome Powell, Presidente da Fed, após a decisão de política monetária, numa altura em que a independência da entidade tem vindo a ser ameaçada pela atual administração dos EUA.
Tarifas de Trump voltam a dar força aos metais preciosos. Ouro perto de máximos
O ouro está a conseguir aguentar-se acima da marca dos 5 mil dólares e está mesmo a negociar bastante próximo dos máximos históricos que atingiu na segunda-feira, dia em que ultrapassou o nível dos 5.100 dólares por onça. Apesar de o cenário global estar, agora, muito menos tenso do que na semana passada e com os investidores a mostrarem-se mais expostos ao risco, as novas ameaças tarifárias de Donald Trump, Presidente dos EUA, estão a dar força aos ativos de refúgio.
A esta hora, o metal amarelo avança 1,72% para 5.095,09 dólares por onça, depois de ter tocado, pela primeira vez, nos 5.111,21 dólares na sessão anterior. Por sua vez, a prata acelera 8,24% para 112,34 dólares por onça, tendo também conseguiu alcançar um novo máximo histórico na segunda-feira, quando chegou aos 117,71 dólares. A platina e o paládio também negoceiam em alta.
Estes movimentos estão a ser apoiados no mais recente anúncio da administração norte-americana, que quer impor tarifas de 25% aos produtos vindos da Coreia do Sul. Donald Trump acusa os legisladores do país de falharem em retificar o acordo alcançado entre as duas partes no ano passado. “Porque a legislatura coreana não implementou o nosso acordo histórico, que é a sua prerrogativa, estou a aumentar as tarifas sul-coreanas sobre automóveis, madeira, fármacos e todas as restantes tarifas recíprocas de 15% para 25%”, escreveu o Presidente dos EUA nas redes sociais.
O ouro já ganhou mais de 17% só em 2026, isto depois de já ter registado o melhor desempenho desde 1979 no ano passado. Os investidores estão cada vez mais a apostar no metal amarelo, em detrimento de outros ativos de refúgio como é o caso do dólar e das obrigações norte-americanas (estratégia conhecida como "debasement"), numa altura em que a política errática de Donald Trump revive preocupações de que podemos estar a assistir novamente a um movimento "Sell America".
Com o isolacionismo norte-americano a crescer, muitos investidores estão a aproveitar para reduzir a sua exposição ao mercado norte-americano e a mudar para o ouro, explica o diretor de investimentos da Amundi, Vincent Mortier. "A longo prazo, o ouro é uma excelente proteção contra o "debasement" e uma boa forma de manter algum poder de compra", acrescenta, numa entrevista à Bloomberg.
Petróleo em queda apesar de disrupções em refinarias dos EUA
O barril de petróleo está a negociar em território negativo, pressionado pelas perspetivas de um grande excedente no mercado para este ano, embora a queda nos preços esteja a ser limitada pelas disrupções na produção norte-americana e o aumento dos gastos energéticos para fazer face a um inverno rigoroso naquela que é a maior economia do mundo.
A esta hora, o preço do Brent, o índice de referência para a Europa, cai 0,40% para 60,39 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), a referência americana, negoceia nos 65,25 dólares, uma descida de 0,52%. Estes movimentos acontecem numa altura em que o maior produtor de crude do Cazaquistão prepara-se para retomar as operações do seu maior campo petrolífero, que tinha ficado inoperacional devido a um incêndio, e a Chevron Corp. está a trabalhar para aumentar a produção da matéria-prima exponencialmente na Venezuela.
Nos EUA, as temperaturas muito baixas estão a causar disrupções na extração de crude em várias refinarias ao largo do Golfo do México, embora os analistas admitam que o impacto possa não vir a ser prolongado. "As tempestades de inverno normalmente tendem a afetar o petróleo através de perturbações logísticas e de refinação a curto prazo, em vez de afetar a procura subjacente", explica Haris Khurshid, diretor de investimentos da Karobaar Capital LP, à Bloomberg. "A menos que os 'stocks' já estejam esgotados, o impacto geralmente desaparece assim que as operações voltam ao normal", esclarece ainda.
Os preços do petróleo têm vindo a ganhar bastante terreno desde o arranque do ano, depois de um ano negativo para a matéria-prima, impulsionados por uma escalada nas tensões geopolíticas e disrupções na produção de um dos maiores produtores do mundo, o Cazaquistão. O país faz parte da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), que vai reunir-se no próximo fim de semana para discutir níveis de produção - que devem ficar intactos, após a reversão de vários cortes no ano passado.
Ásia em máximos e Europa no verde com época de resultados a centrar atenções
As principais praças asiáticas conseguiram reverter as perdas de segunda-feira e avançar para um novo recorde, numa altura em que os investidores estão a desviar as atenções das tensões geopolíticas e de uma possível intervenção no iene para uma semana repleta de resultados das grandes empresas norte-americanas. Só na quarta-feira, a Microsoft, Meta e Tesla vão apresentar contas ao mercado depois do fecho de sessão, com a Apple a marcar a agenda na quinta-feira.
O MSCI AC Asia Pacific Index saltou quase 1% e atingiu um novo máximo histórico. Os ganhos devem chegar também à Europa, com os futuros do Euro Stoxx 50 a avançarem 0,4%, isto depois de Wall Street já ter encerrado em alta na segunda-feira. Estes movimentos seguem-se a uma sessão marcada por alguma volatilidade, com a especulação em torno de uma possível intervenção no iene por parte das autoridades japonesas e norte-americanas a pressionar as praças asiáticas.
"Neste momento, tudo parece bem encaminhado [para as ações mundiais], mas isso não significa que não podem aparecer problemas de vez em quando", explicou David Solomon, CEO do Goldman Sachs, numa entrevista à Bloomberg TV. "Economicamente, as coisas estão bem encaminhadas", acrescentou, citando políticas de estímulo orçamental e grandes investimento em inteligência artificial (IA).
Entre as principais praças, o sul-coreano Kospi conseguiu terminar a sessão no verde com ganhos de 2,7%, apesar de até ter arrancado em território negativo. O índice foi inicialmente pressionado pelo anúncio de Donald Trump, Presidente dos EUA, que quer impor tarifas de 25% aos produtos oriundos da nação asiática, acusando os legisladores sul-coreanos de falhar em ratificar o acordo comercial que os dois países assinaram no ano passado.
No entanto, o impacto parece ter sido de curto prazo. Apesar de os metais preciosos terem visto um impulso com o anúncio, não só o principal índice coreano conseguiu afastar receios de uma guerra comercial, como também os chineses Hang Seng e Shanghai Composite e os japoneses Nikkei 225 e Topix. Enquanto os dois primeiros terminaram a sessão com ganhos de 1,3% e 0,18%, os dois últimos aceleraram 0,85% e 0,31% - afastando a turbulência do dia anterior motivada por uma possível intervenção no iene.
Pela Índia, que assinou esta segunda-feira um acordo comercial histórico com a União Europeia (UE), o Nifty 50 conseguiu inverter o sentido de negociação e está agora a acelerar 0,15%. O primeiro-ministro do país, Narendra Modi, acredita que esta nova aliança "vai fortalecer a confiança dos investidores e dos negócios na Índia".
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