Petróleo volátil enquanto investidores reagem a troca de propostas sobre cessar-fogo
Wall Street sem rumo com investidores a navegar incerteza da guerra. "Biotech" Soleno dispara 33%
Relatos de possível acordo de cessar-fogo levam crude a perdas de mais de 1%
Euro e libra ganham terreno com "traders" a avaliar relatos de cessar-fogo
Ouro reduz perdas com relatos de possível cessar-fogo entre EUA e Irão
Crude sobe ligeiramente com "traders" a pesar possível escalada da guerra contra negociações
Ásia fecha com maioria de ganhos em dia de negociação reduzida
Petróleo volátil enquanto investidores reagem a troca de propostas sobre cessar-fogo
Os preços do petróleo estão divididos entre ganhos e perdas na primeira sessão da semana, marcada por alta volatilidade, à boleia das novas ameaças do Presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o Irão e a pressão para reabrir o estreito de Ormuz.
Entretanto, esta segunda-feira, e após cinco semanas de guerra, o Irão e os Estados Unidos receberam um plano de cessar-fogo de 45 dias que poderá entrar em vigor já esta segunda-feira e reabrir o estreito de Ormuz. Os esforços para travar as hostilidades estão a ser liderados por um grupo de mediadores, que inclui o Paquistão, Egito e Turquia. Entretanto, o Irão rejeitou o plano e exige o fim imediato das hostilidades, apresentando uma contraproposta com 10 pontos.
O plano surge depois de este fim de semana Trump ter ameaçado levar "o inferno" ao Irão com ataques a centrais elétricas e outras infraestruturas caso Ormuz não fosse reaberto. Teerão rejeitou as exigências, deixando ainda apenas passar algumas embarcações. Aliás, o tráfego marítimo por esta via atingiu os níveis mais altos desde os primeiros dias da guerra, tendo passado 21 navios durante o fim de semana.
Neste contexto, o West Texas Intermediate (WTI), referência para os EUA, sobe 0,10% para 111,66 dólares por barril, enquanto o Brent cede 0,08% para 108,94 dólares por barril.
“Já não vemos a situação apenas como uma bola de neve a rolar cada vez mais rápido montanha abaixo, mas como uma avalanche”, disse Arne Lohmann Rasmussen, analista-chefe da A/S Global Risk Management, à Bloomberg. “Os mercados de petróleo e derivados estão agora a mudar o foco do risco de interrupções no fornecimento - a que também chamamos de prémio de risco geopolítico - para focar cada vez mais nas condições reais do mercado físico - o prémio físico”, acrescentou.
O mercado petrolífero está a correr contra o tempo. Os preços de alguns barris, desde o crude ao jetfuel, dispararam em todo o mundo desde o início da guerra, naquilo que a Agência Internacional de Energia chama de maior interrupção de abastecimento da história. Quanto mais tempo a guerra continuar, mais elevados os preços provavelmente se vão tornar.
O Irão anunciou no sábado que o Iraque seria isento das restrições para atravessar o estreito, permitindo, possivelmente, um aumento das cargas de petróleo. Ao mesmo tempo, a organização estatal de comercialização de petróleo do Iraque, disse que os comerciantes e as refinarias poderiam carregar o seu petróleo bruto, uma vez que os navios que transportam o crude do país podem agora transitar pelo estreito, testando a confiança dos compradores na garantia de segurança.
Nos EUA, Trump disse que vai realizar uma conferência de imprensa às 18 horas de Lisboa desta segunda-feira, tendo publicado também uma mensagem sobre um prazo final às 20h de terça-feira (hora de Washington), sem oferecer detalhes sobre o que queria dizer. De recordar que a 26 de março, o Presidente dos EUA deu ao Irão um prazo de 10 dias para reabrir Ormuz, prazo que expira esta noite.
À medida que a guerra continua, há sinais de grande preocupação com o abastecimento a curto prazo. O Brent subiu acima dos 140 dólares, atingindo o valor mais alto desde 2008.
Wall Street sem rumo com investidores a navegar incerteza da guerra. "Biotech" Soleno dispara 33%
Os principais índices norte-americanos negoceiam sem rumo definido na primeira sessão da semana, à medida que os preços do petróleo registam uma tendência de queda, enquanto os investidores centram atenções em relatos que apontam para a possibilidade de um acordo de cessar-fogo entre os Estados Unidos (EUA) e o Irão.
O “benchmark” S&P 500 avança ligeiros 0,01%, para os 6.583,11 pontos. Já o Nasdaq Composite sobe 0,15%, para os 21.911,50 pontos. O Dow Jones, por sua vez, desvaloriza 0,14% para os 46.437,82 pontos.
A Axios, que cita fontes com conhecimento das negociações, noticiou que aliados dos EUA estão a pressionar a Administração Trump para que chegue a um entendimento com Teerão. Ainda assim, um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão afirmou que “nenhuma pessoa racional” concordaria com a proposta de cessar-fogo apresentada pelos EUA.
Durante o fim de semana, o Presidente Donald Trump ameaçou destruir as centrais elétricas do Irão. "Esta mistura de coerção e negociação deixa o mercado sem uma referência estável", disse à Bloomberg Sergio Avila, do IG Group. "A recuperação faz sentido do ponto de vista tático, mas ainda não sinaliza uma melhoria sólida nas perspetivas macroeconómicas e financeiras", acrescentou.
Por outro lado, a contribuir para reforçar o otimismo dos mercados, estão sinais de que alguns navios atravessaram o estreito de Ormuz. Na semana passada, confirmou-se que um porta-contentores francês e um petroleiro de com bandeira japonesa conseguiram atravessar a via marítima. Além disso, dois petroleiros que transportam gás natural liquefeito do Catar parecem estar a tentar sair do golfo Pérsico através do estreito.
Entretanto, Trump, ao renovar as suas ameaças de atacar infraestruturas energéticas do Irão, disse à Axios que iria “explodir tudo” se Teerão não chegasse a um acordo. Espera-se que o republicano aborde o tema numa conferência de imprensa que decorrerá esta segunda-feira, pelas 18h de Lisboa.
As ações da Soleno Therapeutics estão a disparar mais de 32%, depois de a Neurocrine Biosciences (-0,60%) ter anunciado que vai adquirir a empresa de biotecnologia por 2,9 mil milhões de dólares, com vista a expandir-se para o setor das doenças genéticas raras, segundo informação avançada pela agência de notícias financeiras.
Quanto às "big tech”, a Nvidia desliza 0,24%, a Apple soma 0,71%, a Alphabet valoriza 0,58% e a Amazon sobe 0,53%, a Microsoft cede 0,44% e a Meta pula 0,92%.
Relatos de possível acordo de cessar-fogo levam crude a perdas de mais de 1%
Os preços do petróleo estão a inverter a tendência de valorizações registada até há pouco e negoceiam agora com perdas, à medida que os “traders” analisam relatos de um possível cessar-fogo na guerra do Médio Oriente depois de Donald Trump ter feito um novo ultimato a Teerão para que o país reabra o estreito de Ormuz.
O Brent – de referência para a Europa – cai 1,75%, para os 107,13 dólares por barril, tendo chegado a subir anteriormente para perto dos 112 dólares. Já o West Texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – recua 1,69% para os 109,66 dólares por barril.
O Irão e os Estados Unidos (EUA) receberam um plano de cessar-fogo de 45 dias que poderá entrar em vigor já esta segunda-feira e reabrir o estreito de Ormuz. Os esforços para travar as hostilidades estão a ser liderados por um grupo de mediadores, que inclui o Paquistão, Egito e Turquia.
Ainda assim, as hipóteses de que seja alcançado um acordo nas próximas 48 horas são baixas e no fim de semana, o Presidente norte-americano ameaçou numa série de publicações nas redes sociais levar o “inferno” ao Irão com ataques a centrais elétricas e outras infraestruturas se a via marítima não for reaberta. Teerão, por sua vez, já rejeitou as exigências norte-americanas, e a rota permanece, na prática, ainda encerrada, alimentando a incerteza dos mercados sobre o rumo do conflito.
Mas a dar algum fôlego aos preços parece estar também o facto de o Irão ter anunciado no sábado que o Iraque estaria isento das restrições impostas pelo país à navegação pelo estreito, o que poderá permitir um aumento dos carregamentos de petróleo.
Euro e libra ganham terreno com "traders" a avaliar relatos de cessar-fogo
O dólar está a oscilar entre ganhos e perdas na manhã desta segunda-feira, com os “traders” a continuarem centrados na guerra no Médio Oriente e focados na possibilidade de um cessar-fogo de 45 dias, anteriormente anunciado pelo portal Axios.
O índice do dólar - que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes – avança ligeiros 0,01%, para os 100,035 pontos.
Nesta medida, os “traders” já não estão a prever uma intervenção da Reserva Federal até, pelo menos, a segunda metade de 2027, comparando com as expectativas que havia no arranque do ano de duas reduções das taxas em 2026. Os dados da semana passada sugeriram que as condições do mercado laboral dos EUA permaneceram estáveis em março, embora economistas tenham alertado que uma guerra prolongada no Médio Oriente representava um risco de queda do emprego.
Já pelo Japão, face ao iene, o dólar negoceia com uma queda de 0,04%, para os 159,600 ienes, com a divisa nipónica a negociar não muito longe dos mínimos de 21 meses atingidos na semana passada, enquanto os mercados aguardam por sinais de uma possível intervenção de Tóquio no mercado cambial, na sequência de fortes avisos por parte de responsáveis nos últimos dias. A ministra das Finanças japonesa, Satsuki Katayama, alertou na sexta-feira que o Governo está pronto para agir contra movimentos especulativos nos mercados cambiais, uma vez que a volatilidade aumentou “significativamente”.
No que toca à Europa, o euro ganha 0,38%, para os 1,156 dólares. Já a libra avança 0,31%, para os 1,324 dólares.
Ouro reduz perdas com relatos de possível cessar-fogo entre EUA e Irão
O ouro e a prata estão a negociar em baixa nesta manhã, ainda que estejam a reduzir as perdas neste momento, com relatos de um possível cessar-fogo no Irão a impulsionar a procura pelo metal amarelo, apesar de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter intensificado as suas ameaças de escalada do conflito.
A esta hora, o ouro perde 0,53%, para os 4.651,910 dólares por onça, já depois de ter chegado a registar um recuo de cerca de 1,60%. No que toca à prata, o metal precioso cede 1,64%, para os 71,786 dólares por onça.
Os Estados Unidos (EUA), o Irão e mediadores regionais estão a discutir os termos de um potencial cessar-fogo de 45 dias, informou a Axios, citando fontes com conhecimento das negociações. Posteriormente, o Presidente dos EUA afirmou que planeia realizar uma conferência de imprensa na tarde desta segunda-feira, ao mesmo tempo que publicou uma mensagem nas redes sociais sobre um prazo limite de terça-feira à noite, sem fornecer quaisquer detalhes sobre o que se seguirá a esse prazo.
Noutros pontos, dados indicaram uma estabilização do mercado de trabalho norte-americano e atenuaram a urgência de cortes nas taxas de juro para impulsionar a economia, aumentando a pressão sobre o ouro. O aumento do número de empregos em março, para o nível mais elevado desde o final de 2024, irá provavelmente reforçar o foco da Reserva Federal nos riscos de inflação, que estão a ser agravados pelos preços mais elevados do petróleo.
Nesta medida, o ouro, que não rende juros, beneficia normalmente de um ambiente de taxas mais baixas. O metal amarelo já caiu cerca de 12 % desde o início do conflito, uma vez que a subida acentuada dos preços da energia alimentou os receios de uma escalada da inflação, com as perspetivas de cortes nas taxas a desvanecerem-se.
Crude sobe ligeiramente com "traders" a pesar possível escalada da guerra contra negociações
Os preços do petróleo estão a oscilar sem grandes alterações nesta manhã, enquanto os “traders” acompanham as notícias sobre um possível pedido de cessar-fogo no Médio Oriente por parte do Irão, enquanto um novo ultimato do Presidente Donald Trump a Teerão também marca a agenda.
Em Londres, o Brent do Mar do Norte, que é a referência para as importações europeias, avança 1,08% para 110,21 dólares por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI), "benchmark" para os Estados Unidos (EUA), segue a somar 0,20% para 111,86 dólares.
Os EUA, o Irão e mediadores regionais estarão a discutir os termos de uma potencial pausa de 45 dias na guerra, segundo informou a Axios, citando fontes com conhecimento das negociações.
No fim de semana, Trump ameaçou, numa série de publicações nas redes sociais, levar o “inferno” ao Irão com ataques a centrais elétricas e outras infraestruturas caso o estreito de Ormuz não fosse reaberto. Mas Teerão tem rejeitado repetidamente as exigências norte-americanas, e a rota marítima permanece, na prática, fechada, exceto a um pequeno número de embarcações.
Ainda assim, o Irão anunciou no sábado que o Iraque estaria isento das restrições impostas pelo país à navegação pelo estreito, o que poderá permitir um aumento dos carregamentos de petróleo.
E refletindo a agitação que tem levado a uma escalada dos preços da energia nos mercados internacionais, a Arábia Saudita decidiu elevar o preço do seu principal tipo de petróleo destinado à Ásia para um nível recorde. A Saudi Aramco aumentará os preços do crude conhecido como Arab Light, para venda em maio, para um prémio de 19,50 dólares acima dos índices de referência regionais, de acordo com uma lista vista pela Bloomberg.
Já pelos EUA, Trump disse que planeia realizar uma conferência de imprensa esta tarde, que será seguida com atenção pelos mercados. A 26 de março, Trump deu ao Irão um prazo de 10 dias para reabrir o estreito de Ormuz – e este ultimato expira nesta terça-feira à noite.
“À primeira vista, a guerra entrou noutra fase de escalada acentuada”, afirmou à Bloomberg Vandana Hari, fundadora da Vanda Insights. Ainda assim, “a expectativa de uma correção de preços massiva e rápida no caso de uma resolução cria uma hesitação em aumentar demasiado as posições longas nesta fase”, acrescentou.
Nesta medida, os investidores têm-se mostrado nervosos com as mensagens frequentemente contraditórias de Trump sobre o conflito, com o líder norte-americano a oscilar entre afirmações de que a guerra terminará em breve e ameaças de intensificar os ataques, incluindo contra infraestruturas civis.
Ásia fecha com maioria de ganhos em dia de negociação reduzida
Os principais índices asiáticos fecharam a sessão com uma maioria de ganhos, num dia de negociações reduzidas devido ao fecho das bolsas tanto pela China, como por Hong Kong e pela Austrália e Tailândia.
Pelo Japão, o Topix ganhou 0,22%. O Nikkei seguiu a mesma tendência e subiu 0,73%. Já por Taiwan, o TWSE recuou 1,82%, enquanto pela Coreia do Sul o Kospi pulou 1,37%.
Os investidores mantiveram-se atentos aos desenvolvimentos no Médio Oriente e depositaram as suas esperanças numa desaceleração do conflito, após uma notícia indicar que mediadores iranianos fizeram um pedido de última hora para um cessar-fogo de 45 dias. O índice regional MSCI Ásia-Pacífico subiu 0,5%, com as ações das cotadas coreanas de semicondutores como a Samsung (+3,79%) e SK Hynix (+0,80%) a liderarem as subidas.
As ameaças de Donald Trump ao Irão durante o fim de semana e relatos de que as negociações ainda estão em curso entre Washington e Teerão foram os principais pontos de foco dos mercados, assim como a flutuação dos preços do crude, que se encontram a valorizar esta manhã e acabaram por reduzir parte dos ganhos.
“Se o mercado considerar que o pior cenário possível no estreito de Ormuz ainda pode ser evitado, os mercados asiáticos podem recuperar mesmo com o petróleo em alta”, disse à Bloomberg Charu Chanana, do Saxo Markets.
Pela região, as bolsas também subiram em Singapura e no Vietname, enquanto as das Filipinas e da Indonésia recuaram.
Entre os movimentos do mercado, a T&D Holdings perderam quase 7% e chegaram a registar a maior queda intradiária desde abril de 2025, depois de a seguradora japonesa ter anunciado o seu novo plano de médio prazo. Já as ações da Pan Pacific International pularam mais de 3%, depois de a empresa ter anunciado que irá adquirir a cadeia de supermercados Olympic Group através de uma troca de ações.
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