Euribor sobe a três meses e desce a seis e a 12 meses
Europa pinta-se de verde com queda do crude e dos juros das dívidas
Juros registam fortes alívios na Zona Euro
Euro com ganhos tímidos mantém-se perto de mínimos de 17 meses
Ouro negoceia em queda pressionado por dólar mais forte
Petróleo cai com maior abastecimento proveniente do Médio Oriente
Ásia fecha em alta com queda do crude a alimentar apetite por ações
Euribor sobe a três meses e desce a seis e a 12 meses
A taxa Euribor subiu esta terça-feira a três meses e desceu a seis e a 12 meses em relação a segunda-feira.
A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, baixou hoje, ao ser fixada em 2,954%, menos 0,032 pontos que na segunda-feira.
No prazo de 12 meses, a taxa Euribor também cedeu hoje, para 3,177%, menos 0,009 pontos que na véspera.
Em sentido contrário, a Euribor a três meses avançou hoje, ao ser fixada em 2,602%, mais 0,005 pontos.
Em 10 de setembro, como esperado pelos mercados, o Banco Central Europeu (BCE) subiu as taxas diretoras, em 25 pontos base, depois de as ter mantido em julho.
Em junho, o BCE tinha subido, pela primeira vez desde setembro de 2023, as taxas diretoras, designadamente 25 pontos base, depois de as manter em abril, pela sétima reunião consecutiva e de oito reduções desde que a entidade iniciou o ciclo de cortes em junho de 2024.
A próxima reunião de política monetária do BCE realiza-se em 28 e 29 de outubro em Frankfurt.
As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 21 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.
Europa pinta-se de verde com queda do crude e dos juros das dívidas
Os principais índices europeus estão a negociar com ganhos em toda a linha nesta terça-feira, com o apetite por ativos de risco a ser impulsionado por quedas dos preços do petróleo nos mercados internacionais e por um forte alívio dos juros das dívidas soberanas da Zona Euro.
O “benchmark” Stoxx 600 avança nesta altura 0,79%, para os 638,63 pontos, registando ganhos pela terceira sessão consecutiva.
Entre as principais praças bolsistas da região, o alemão DAX ganha 0,74%, o francês CAC-40 soma 0,86%, o espanhol Ibex valoriza 1,06%, enquanto o italiano FTSEMIB avança 1,15%, o britânico FTSE 100 pula 0,76% e o neerlandês AEX negoceia com ganhos de 0,98%.
Quanto aos setores, o dos media (+1,43%), o da saúde (+1,42%) e o a banca (+1,29%) lideram as valorizações. Por outro lado, o setor da defesa (-0,64%) é o único a registar perdas neste momento.
“Os preços do petróleo continuam contidos e as taxas de juro estão a estabilizar”, disse à Bloomberg Stephan Kemper, do BNP Paribas Wealth Management Germany. “Tudo o que ajude os investidores a reduzir mentalmente as expectativas de novas subidas das taxas de juro está a reforçar a confiança, desde que se considere que o crescimento continua forte”, acrescentou.
Entre os movimentos do mercado, a BE Semiconductor Industries perde mais de 4% após o Bank of America ter revisto em baixa a recomendação sobre a cotada de “comprar” para “neutral”. Já a Genmab soma mais de 7%, depois de a empresa dinamarquesa de biotecnologia ter divulgado novos dados sobre o seu medicamento para o linfoma que impressionaram analistas, segundo a agência de notícias financeiras.
Juros registam fortes alívios na Zona Euro
Os juros das dívidas soberanas europeias estão a negociar com alívios expressivos, num dia em que os preços do petróleo nos mercados internacionais estão a desvalorizar à medida que os mercados digerem um maior nível de exportações da matéria-prima provenientes do golfo Pérsico, atenuando os receios em torno da inflação.
Neste contexto, os juros das "Bunds" alemãs com maturidade a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, aliviam 4,4 pontos-base, para 3,445%.
Já a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade cai 12,8 pontos-base, para 4,727%, enquanto em Itália, os juros seguem a mesma tendência e cedem 12,4 pontos, para 4,510%.
Pela península Ibérica, a "yield" das obrigações portuguesas a dez anos alivia 7,8 pontos-base, para 3,920%, enquanto a “yield” das obrigações espanholas recua 7,4 pontos, para 4,048%.
Euro com ganhos tímidos mantém-se perto de mínimos de 17 meses
O euro está a negociar perto de mínimos de 17 meses esta terça-feira, seguindo a tendência registada durante o dia de ontem, à medida que a “moeda única” segue pressionada pela incerteza política e pelas preocupações orçamentais em toda a Zona Euro, enquanto o dólar prolonga a forte valorização dos últimos dias, acompanhando a subida das “yields” das Treasuries norte-americanas.
A moeda única tem estado sob pressão devido às preocupações com os elevados níveis de dívida e o impasse político em França, enquanto as eleições antecipadas previstas em Espanha acrescentam pressão sobre a divisa.
Nesta altura, o euro avança ligeiros 0,04%, para os 1,123 dólares, enquanto a libra valoriza 0,03%, para os 1,323 dólares.
Já quanto à “nota verde”, o índice do dólar - que mede a força da “nota verde” face às principais rivais – soma 0,03%, para os 102,194 pontos e, face ao iene, o dólar segue a ganhar 0,13%, para os 158,120 ienes.
Ouro negoceia em queda pressionado por dólar mais forte
O ouro está a registar desvalorizações nesta terça-feira, pressionado por um dólar mais forte que torna o metal amarelo mais caro para detentores de outras divisas.
O metal amarelo cede agora 0,04%, para os 4.137,930 dólares por onça, enquanto a prata desliza 0,45%, para os 60,79 dólares por onça.
O dólar aproximou-se na segunda-feira do nível mais elevado deste ano e as Treauries norte-americanas voltaram a estar sob pressão, levando as “yields” das obrigações de maturidades mais longas para máximos de várias décadas. Os sinais de pressão inflacionista também aumentaram depois de um relatório do Institute for Supply Management, citado pela Bloomberg, mostrar que os custos no setor dos serviços norte-americano cresceram no mês passado ao ritmo mais elevado em mais de quatro anos.
Apesar da pressão inflacionista, os investidores atribuem atualmente uma probabilidade de cerca de 20% de uma nova subida dos juros pela Reserva Federal na reunião deste mês.
As atas da reunião da Fed de setembro, na qual as taxas foram aumentadas pela primeira vez em três anos, serão divulgadas esta quarta-feira.
“O ouro e a prata continuam sob pressão, à medida que um dólar mais forte e a subida das ‘yields’ das Treasuries pesam sobre os metais”, referiu à agência de notícias financeiras Renisha Chainani, da Augmont Enterprises. Ainda assim, acrescentou, as perdas têm sido limitadas porque os mercados reduziram as expectativas de uma subida das taxas da Fed este mês.
Desde o início do conflito entre os EUA e o Irão, no final de fevereiro, o metal amarelo já acumula uma queda superior a 20%.
Petróleo cai com maior abastecimento proveniente do Médio Oriente
Os preços do petróleo estão a negociar com desvalorizações de cerca de 1% e fixam-se agora abaixo dos 100 dólares por barril com o aumento das exportações de crude provenientes do golfo Pérsico e um corte de preços por parte da Arábia Saudita a apontarem para um mercado mais abastecido.
O Brent, de referência para a Europa, cai agora 0,67%, para os 99,65 dólares por barril, numa altura em que o West Texas Intermediate (WTI), de referência para os EUA, cede 0,91%, para os 88,62 dólares por barril. Na sessão anterior, os preços da matéria-prima recuaram mais de 2%.
Os produtores do Médio Oriente estão a transportar maiores volumes através do estreito de Ormuz, com mais petroleiros a assumirem o risco de atravessar a via marítima, apesar de os riscos permanecerem elevados devido ao conflito em curso na região.
O Kuwait afirmou estar a produzir petróleo a cerca de 75% dos níveis registados antes da guerra com o Irão, enquanto o Iraque procura contratar mais navios para transportar as suas cargas através de Ormuz, avança a Bloomberg. Estes movimentos surgem depois de a Saudi Aramco ter reduzido o preço do seu principal crude, o Arab Light, para os compradores asiáticos para um mínimo de seis anos, numa tentativa de aumentar a sua quota de mercado.
Ainda assim, o Brent continua cerca de 65% acima do nível registado no início do ano. Embora os fluxos de petróleo provenientes do Médio Oriente tenham recuperado para níveis próximos dos registados antes do conflito, os mercados de produtos refinados continuam particularmente pressionados, em parte devido aos ataques ucranianos contra a Rússia. Esta situação levou o G7 e os seus parceiros a aumentarem as libertações das reservas estratégicas.
No Iémen, forças apoiadas pela Arábia Saudita tomaram a cidade portuária de Mocha, no Mar Vermelho, aos houthis apoiados pelo Irão, enquanto avançam em direção ao estreito de Bab el-Mandeb, uma importante rota marítima para as exportações sauditas. Nos últimos meses, a escalada dos ataques dos houthis contra a Arábia Saudita provocou danos em infraestruturas energéticas e petroleiros, incluindo no oleoduto este-oeste.
Nesta linha, a intensificação dos combates no Iémen e o risco de novos ataques estão a limitar as quedas do petróleo, segundo disse à Bloomberg Naohiro Niimura, sócio da consultora energética Market Risk Advisory.
“As preocupações com a oferta persistem, tornando difícil para o mercado manter posições curtas durante muito tempo”, afirmou o mesmo especialista.
Esta terça-feira, a Energy Information Administration (EIA) dos Estados Unidos deverá divulgar o relatório “Short-Term Energy Outlook”, que incluirá previsões para os combustíveis durante o inverno no hemisfério Norte.
Ásia fecha em alta com queda do crude a alimentar apetite por ações
Os principais índices asiáticos terminaram a sessão desta terça-feira em alta, à exceção do sul-coreano Kospi, num dia em que uma queda dos preços do crude está a alimentar o apetite por ativos de risco. Também o aumento do investimento por parte de empresas ligadas à inteligência artificial apoiou os ganhos pela região.
Pelo Japão, o Nikkei ganhou 1,05%, enquanto o Topix subiu 0,92%. Na China, o Hang Seng de Hong Kong valorizou 0,79% e o Shanghai Composite avançou 0,31%. Já por Taiwan o TAIEX somou 0,22%, enquanto pela Coreia do Sul o Kospi deslizou 0,89%.
A subida dos principais índices pela Ásia seguiu ganhos das bolsas norte-americanas registadas na sessão de ontem. Neste contexto, o índice regional MSCI Ásia-Pacífico avançou 0,3% esta terça-feira, fixando-se a cerca de 2% do seu último recorde.
“Em vez de estarmos perante uma simples subida das ações impulsionada pelo apetite pelo risco, penso que existe também uma componente de investimento defensivo”, referiu à Bloomberg Hitoshi Asaoka, da Asset Management One. “Parece um pouco uma fuga para a qualidade em resposta à subida das yields [das dívidas soberanas].”
Entre os movimentos do mercado, destacaram-se na sessão de hoje as fabricantes de placas de circuitos (CPUs, na sigla em inglês). Entre cotadas da área, a sul-coreana IsuPetasys disparou quase 9%, impulsionada pelas expectativas de que uma maior procura por CPUs leve a um aumento das vendas dos seus principais componentes.
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