Taxa Euribor desce no prazo mais curto e volta a subir a seis e 12 meses
Europa mantém recuperação e negoceia com ganhos. Alemã Springer pula 7%
Juros aliviam na Zona Euro em semana de decisão do BCE
Euro e libra com ganhos modestos face à "nota verde" antes das decisões dos bancos centrais
Ouro ganha terreno na véspera de decisão da Fed
Ataques iranianos a infraestruturas energéticas dão impulso a preços do crude e gás
Ásia fecha mista com nova subida do petróleo a pressionar. Futuros europeus apontam para quedas
Euribor desce a três meses e sobe de novo a seis e a 12 meses
A taxa Euribor desceu a três meses e voltou a subir, pela quarta sessão consecutiva, a seis e a 12 meses em relação a segunda-feira.
Com estas alterações, a taxa a três meses, que recuou para 2,148%, continuou abaixo das taxas a seis (2,333%) e a 12 meses (2,547%).
A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, subiu, ao ser fixada em 2,333%, mais 0,021 pontos do que na segunda-feira.
Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a janeiro indicam que a Euribor a seis meses representava 38,93% do 'stock' de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.
Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,78% e 24,98%, respetivamente.
No prazo de 12 meses, a taxa Euribor também avançou, para 2,547%, mais 0,007 pontos do que na segunda-feira. Em 10 de março a Euribor a 12 meses foi fixada em 2,552%, um novo máximo desde janeiro de 2025.
Em sentido contrário, a Euribor a três meses recuou ao ser fixada em 2,148%, menos 0,009 pontos do que na segunda-feira.
Esta semana, realiza-se a reunião de política monetária do BCE na quarta e na quinta-feira em Frankfurt, Alemanha, e os mercados antecipam que a instituição mantenha de novo as taxas diretoras.
Europa mantém recuperação e negoceia com ganhos. Alemã Springer pula 7%
Os principais índices europeus negoceiam com ganhos, já depois de terem arrancado a sessão no vermelho, enquanto os investidores continuam a avaliar os desenvolvimentos em torno do conflito no Médio Oriente, com os preços do petróleo a voltarem a registar subidas.
O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – soma 0,39%, para os 600,78 pontos.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX sobe 0,26%, o espanhol IBEX 35 ganha 0,72%, o italiano FTSEMIB valoriza 0,60%, o francês CAC-40 pula 0,63%, ao passo que o neerlandês AEX regista ganhos de 0,27% e o britânico FTSE 100 avança 0,49%.
A guerra no Irão e a subida vertiginosa dos preços da energia têm afetado fortemente as ações europeias desde o arranque do mês, depois de o índice de referência - o Stoxx 600 - ter registado ganhos nos oito meses anteriores, num clima de otimismo em relação à despesa orçamental na região.
A Europa é dependente das importações de petróleo e gás, e os investidores temem que o aumento dos preços prejudique o crescimento económico, ao mesmo tempo que acelera a inflação. “Penso que o mercado está a mudar de rumo, passando de uma reação reflexiva à crise para uma avaliação mais deliberada do que se segue”, disse à Bloomberg Mathias Heim, da Bellecapital. “Após os picos acentuados na volatilidade implícita tanto nas ações como no petróleo, uma parte significativa da reavaliação do risco parece ter ficado para trás”, sublinhou o mesmo especialista.
Nesta medida, o otimismo dos investidores em relação ao crescimento europeu este ano caiu drasticamente desde o início da guerra, à medida que aumentam as preocupações com a estagflação, de acordo com um inquérito do Bank of America a gestores de fundos europeus. Este inquérito revelou que 29% dos gestores de fundos esperam agora uma aceleração da economia europeia, uma descida em relação aos 74% de há um mês.
Entretanto, a escalada militar no Médio Oriente não tem contribuído para impulsionar as ações do setor da defesa do Velho Continente, com os investidores aparentemente relutantes em aumentar as suas posições, dado as elevadas valorizações destas cotadas e algum ceticismo de que estas empresas conseguirão fazer crescer os seus lucros, com as ações do setor a manterem-se sem grandes alterações desde meados de janeiro. Algumas das cotadas da área, como a Rheinmetall, a Leonardo e a Thales registam todas desvalorizações de mais de 1%.
Entre os setores, o das “utilities” (+1,39%) lidera as subidas, seguido do automóvel (+1,06%) e das seguradoras (+0,89%). Por outro lado, o tecnológico (-0,39%), os media (-0,39%) e os bend domésticos (-0,30%) registam as maiores desvalorizações.
Quanto aos movimentos do mercado, a Springer Nature soma mais de 7% depois de o “outlook” da editora alemã para 2026 se ter revelado melhores do que o esperado.
Juros aliviam na Zona Euro em semana de decisão do BCE
Os juros da dívida soberana dos países da Zona Euro aliviam em toda a linha nesta manhã, a poucos dias da reunião de política monetária do Banco Central Europeu e também do Banco de Inglaterra, na quinta-feira.
Os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, a referência para a Zona Euro, aliviam 1,8 pontos base para 2,929%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade cai 2,9 pontos para 3,584%. Já os juros das obrigações italianas seguem a mesma tendência e recuam 3,5 pontos para 3,688%.
Pela península Ibérica, os juros da dívida soberana portuguesa também a dez anos aliviam 2,9 pontos base para 3,348%. Já em Espanha, a "yield" das obrigações cede 2,6 pontos para 3,411%.
Fora da Zona Euro, a tendência mantém-se no Reino Unido, com os juros das "Gilts" a aliviarem 4,4 pontos base para 4,723%.
Euro e libra com ganhos modestos face à "nota verde" antes das decisões dos bancos centrais
O dólar segue a negociar sem grandes oscilações nesta manhã, à medida que os “traders” continuam a avaliar os desenvolvimentos da guerra no Médio Oriente e o petróleo volta a ganhar tração, na véspera de ser conhecida a decisão de política monetária da Reserva Federal (Fed) norte-americana.
O índice do dólar – que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes – avança 0,17%, para os 99,881 pontos, elevando os seus ganhos para cerca de 2,5% desde o início da guerra.
A subida dos preços do petróleo desencadeou uma reavaliação acentuada das perspetivas de taxas de juro em todo o mundo, o que tem impulsionado a “nota verde” face à maioria das suas concorrentes, também devido ao facto de os EUA não dependerem de importações de crude, como é o caso da Europa e do Japão. Espera-se que a maioria dos bancos centrais, incluindo a Reserva Federal, o Banco de Inglaterra e o Banco Central Europeu, mantenham as taxas diretoras inalteradas, e as atenções estarão voltadas para os comentários dos responsáveis e perspetivas futuras.
A esta hora, o dólar valoriza 0,03%, para os 159,110 ienes, depois de a divisa nipónica ter atingido mínimos de 2024 na semana passada. O iene registou uma queda superior a 2% face ao dólar só em março. O governador do Banco do Japão (BoJ), Kazuo Ueda, afirmou que a inflação subjacente está a acelerar em direção à meta de 2% do banco central, antes da sua reunião de política monetária de dois dias que termina na quinta-feira.
Já pela Europa, a libra soma 0,04% para os 1,333 dólares e o euro ganha 0,05%, para os 1,151 dólares, com a moeda única a recuperar de mínimos de cerca de sete meses atingidos na segunda-feira.
Ouro ganha terreno na véspera de decisão da Fed
O ouro está a negociar com valorizações contidas nesta terça-feira, impulsionado pela diminuição dos receios de perturbações prolongadas nos transportes de petróleo produzido no Médio Oriente, enquanto os "traders” avaliam o impacto económico do conflito na região, na véspera de uma série de decisões de política monetária de vários bancos centrais durante esta semana.
A esta hora, o ouro sobe 0,31%, para os 5.021,730 dólares por onça.
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araqchi, afirmou na segunda-feira que o estreito de Ormuz não está fechado a todos, havendo relatos de navios que atravessaram a via marítima, incluindo um petroleiro que rumou em direção à China.
No entanto, o petróleo mantém-se acima dos 100 dólares por barril, já que continuam, ainda assim, a existir fortes disrupções na passagem pelo estreito de Ormuz, naquela que já é considerada a maior perturbação dos abastecimentos globais de sempre.
O Presidente dos EUA, Donald Trump, reiterou o seu apelo para que vários países ajudassem a desbloquear o estreito.
Os preços mais elevados do crude alimentam a inflação. E embora o ouro seja visto como uma proteção contra a inflação, taxas diretoras mais elevadas não beneficiam o metal amarelo, que não rende juros. Nesta linha, espera-se que a Reserva Federal dos EUA mantenha as taxas inalteradas pela segunda reunião consecutiva na quarta-feira.
Os bancos centrais do Reino Unido, da Zona Euro, do Japão, do Canadá, da Suíça e da Suécia também reúnem-se esta semana pela primeira vez desde o início da guerra no Médio Oriente.
No que toca à prata, o metal precioso negoceia com ganhos de 0,51%, para os 81,189 dólares por onça.
Ataques iranianos a infraestruturas energéticas dão impulso a preços do crude e gás
Os preços do petróleo negoceiam com valorizações esta manhã, à medida que o Irão parece intensificar os seus ataques contra infraestruturas energéticas de países vizinhos. A subida do crude chega depois de os preços terem ontem recuado quase 3%, estabilizando abaixo dos 100 dólares por barril, naquela que foi a primeira queda em quase uma semana.
O West texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – sobe 3,52%, para os 96,79 dólares por barril. Já o Brent – de referência para o continente europeu – valoriza 3,19% para os 103,41 dólares por barril.
As operações no campo de gás de Shah, nos Emirados Árabes Unidos (EAU), foram suspensas e um campo petrolífero iraquiano também foi alvo de drones e mísseis. Os carregamentos de crude no porto de Fujairah, também nos EAU, foram novamente suspensos, de acordo com uma nota da Inchcape Shipping Services citada pela Bloomberg.
Os ataques prejudicaram ainda mais as perspetivas para o abastecimento energético global, à medida que a guerra entra na sua terceira semana, com a paragem quase total do tráfego marítimo no estreito de Ormuz a começar a afetar os consumidores, especialmente na Ásia.
O petróleo já escalou mais de 40% desde o início da guerra, mas os preços caíram na segunda-feira, à medida que os EUA se preparavam para libertar a primeira parcela das reservas de emergência de petróleo bruto. “Há uma força a empurrar e outra a puxar que estão constantemente a arrastar o mercado para cima e para baixo”, disse à agência de notícias financeiras Rebecca Babin, da CIBC Private Wealth Group LLC. “Este é um mercado com cerca de 100 histórias a decorrerem ao mesmo tempo, que tenta freneticamente determinar quanta oferta está fora do mercado”, sublinhou.
Nesta linha, o Presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou alargar os ataques à Ilha de Kharg para atingir infraestruturas petrolíferas iranianas.
Washington está ainda a permitir que o Irão continue a transportar petróleo através do estreito de Ormuz, afirmou o secretário do Tesouro, Scott Bessent, à CNBC, enquanto a Arábia Saudita está a apressar-se para aumentar as exportações através de uma rota alternativa que contorna Ormuz.
A passagem pelo estreito deverá tornar-se “cada vez mais condicionada”, com o Irão a permitir a passagem de alguns navios dependendo da sua afiliação, afirmaram numa nota analistas do JPMorgan. O número de navios iranianos que atravessaram a via marítima atingiu na segunda-feira um pico desde o arranque da guerra, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. Entre eles estava um petroleiro com destino à China.
Entre outras matérias-primas, o preço do gás de referência para os mercados europeus, negociado no TTF – ponto de negociação nos Países Baixos –, soma cerca de 2,70%, para 52,270 euros por megawatt-hora.
Ásia fecha mista com nova subida do petróleo a pressionar. Futuros europeus apontam para quedas
Os principais índices asiáticos encerraram a negociação divididos entre ganhos e perdas, enquanto uma recuperação dos ativos de risco registada ontem pela Europa e os EUA parece estar hoje a perder fulgor, à medida que os preços do petróleo voltam a subir nos mercados internacionais. Tanto os futuros do Euro Stoxx 50 como do norte-americano S&P 500 cedem cerca de 0,50% a esta hora.
Pelo Japão, o Nikkei caiu 0,094% e o Topix subiu 0,45%. Já o sul-coreano Kospi valorizou 1,63%. Na China, o Hang Seng de Hong Kong ganhou 0,16% e o Shanghai Composite perdeu 0,85%. Por Taiwan, o TWSE pulou 1,48%.
A agravar o clima, o barril de Brent subiu 3,7% para cerca de 104 dólares — recuperando da queda de 2,8% registada na segunda-feira —, à medida que o Irão intensifica os ataques às infraestruturas energéticas na região do Médio Oriente.
As ações asiáticas reduziram grande parte dos ganhos anteriores perto do final da sessão, já depois de as perspetivas otimistas da Nvidia terem impulsionado as ações tecnológicas da região.
Pelo Japão, tecnológicas como a Fujikura (-4%) e a Lasertec (-5,16%) pesaram fortemente sobre o Nikkei, à medida que os investidores se tornaram mais avessos ao risco na sequência de uma subida do preço do petróleo bruto.
Já as empresas marítimas de transporte de mercadorias ganharam terreno, com a perturbação persistente no estreito de Ormuz a alimentar as expectativas de taxas de contentores mais elevadas por mais tempo. Nesta medida, a Nippon Yusen e a Kawasaki Kisen valorizaram mais de 5% e 6%, respetivamente.
No plano geopolítico, o conflito no Médio Oriente continuou a repercutir-se nos mercados, com os investidores a acompanharem de perto o tráfego marítimo no estreito de Ormuz. O Presidente dos EUA, Donald Trump, renovou os apelos a outros países para que apoiem os EUA na proteção da via marítima, enquanto ameaçou alargar os ataques às infraestruturas petrolíferas do Irão.
“À medida que a guerra com o Irão continua, os preços do petróleo estão a ditar o clima e as notícias do estreito de Ormuz estão a condicionar os mercados”, escreveu à Bloomberg Bob Savage, do BNY, numa nota. “As preocupações para esta semana giram em torno de como os bancos centrais vão lidar com estas questões”, acrescentou.
Trump solicitou à China que adiasse uma cimeira com Xi Jinping por cerca de um mês devido à guerra. “A possibilidade de a reunião entre os EUA e a China poder ser adiada por um mês também pode ser interpretada como um sinal de que a guerra com o Irão provavelmente se arrastará por mais tempo do que o esperado”, referiu à agência de notícias financeiras Hideyuki Ishiguro, da Nomura Asset Management. “Isso pesaria sobre os mercados acionistas”, sublinhou o mesmo especialista.
Os mercados estão a começar a virar a sua atenção para importantes reuniões de política monetária nesta semana, incluindo do Banco do Japão, da Reserva Federal, do Banco Central Europeu e do Banco de Inglaterra, num contexto de subida dos preços da energia devido à guerra no Irão. Na terça-feira, o banco central da Austrália aumentou a sua taxa de juro de referência pela segunda reunião consecutiva.
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