Ouro e prata avançam com "traders" a aproveitar para reforçar posições apesar de receios com inflação
Dólar cede ligeiramente após atingir máximos de duas semanas com decisão da Fed e crude
O dólar está a ceder ligeiramente nesta manhã, já depois de ter atingido no arranque da sessão o nível mais alto em duas semanas, à medida que os “traders” antecipam que a Reserva Federal dos EUA não vai cortar juros este ano e se assiste a uma escalada dos preços do crude.
Ainda pelos EUA, a Comissão Bancária do Senado validou a nomeação de Kevin Warsh para suceder a Powell como presidente da Fed, no mesmo dia em que o banco central decidiu manter os juros inalterados. A decisão da Fed, por 8 votos contra 4, de manter as taxas diretoras inalteradas foi a mais dividida desde 1992, com três votos dissidentes de responsáveis que já não consideram que o banco deva comunicar uma tendência para a flexibilização ao longo deste ano.
Nesta medida, o índice do dólar - que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes – cede 0,06%, para os 98,904 pontos, depois de ter atingido os 99,06, o nível mais elevado desde 13 de abril.
Entretanto, o iene japonês perdeu algum terreno, com o dólar a subir 0,05% para 160,490 ienes, ultrapassando assim a barreira dos 160 ienes, valor que poderá obrigar autoridades do país a intervir no mercado cambial para conter a queda da divisa nipónica.
Por cá, o euro ganha ligeiros 0,02%, para os 1,168 dólares, após ter atingido um mínimo de quase três semanas nos 1,1661 dólares no arranque da sessão. Já a libra valoriza 0,07%, para 1,349 dólares. Tanto o Banco Central Europeu como o Banco de Inglaterra apresentam hoje a sua decisão sobre taxas de juro e espera-se que ambos - à semelhança dos bancos centrais dos EUA e Japão - mantenham os juros diretores nos atuais níveis, à medida que aguardam por maior clareza sobre os impactos da guerra no Médio Oriente nas respetivas economias.
Ouro e prata avançam com "traders" a aproveitar para reforçar posições apesar de receios com inflação
O ouro está a negociar com valorizações nesta quinta-feira, com os “traders” a aproveitarem as recentes quedas do metal amarelo para reforçar posições. Ainda assim, caminha para uma segunda queda mensal consecutiva, com os preços elevados do petróleo a manterem vivos os receios de inflação e de taxas de juro mais elevadas por mais tempo.
A esta hora, o ouro soma 0,96%, para os 4.591,780 dólares por onça. No que toca à prata, o metal precioso avança 2,41%, para os 73,012 dólares por onça.
O petróleo Brent subiu para mais de 124 dólares por barril na sessão de hoje, na sequência de uma notícia de que os Estados Unidos (EUA) estarão a considerar uma potencial ação militar contra o Irão para quebrar o impasse nas negociações para pôr fim à guerra, aumentando as preocupações com mais perturbações no abastecimento das exportações do Médio Oriente, já reduzidas devido ao fecho do estreito de Ormuz, que se mantém há mais de dois meses.
No que toca à política monetária, a Reserva Federal (Fed) norte-americana manteve as taxas de juro inalteradas na quarta-feira, mas, na sua decisão mais dividida desde 1992, assinalou preocupações crescentes com a inflação.
Neste contexto, os "traders" estão agora a excluir totalmente cortes nas taxas da Fed para este ano, com os mercados a preverem agora uma probabilidade de 30% de um aumento das taxas diretoras até março de 2027. Embora o ouro seja tradicionalmente visto como uma proteção contra a inflação, taxas de juro elevadas pesam sobre o metal, que não rende juros.
Brent sobe pelo nono dia consecutivo e negoceia acima dos 124 dólares por barril
Os preços do petróleo já mais que duplicaram desde o início do ano e atingiram na sessão de ontem, 29 de abril, máximos de cerca de quatro anos. Nesta quinta-feira, o crude continua a escalar e o Brent chegou a atingir os 126,41 dólares por barril, depois de a agência de notícias Axios ter avançado que o Presidente norte-americano, Donald Trump, estará a estudar opções para novos ataques militares contra o Irão, após ter rejeitado a proposta para um acordo de paz apresentado por Teerão.
Nesta medida, o Brent – de referência para a Europa –, que avança agora pelo nono dia consecutivo, sobe 5,55%, para os 124,58 dólares por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – avança 3,14% para os 110,24 dólares por barril.
Ásia no vermelho com escalada do crude a pressionar índices
Uma nova escalada dos preços do crude nos mercados internacionais, depois de Donald Trump ter dito à Axios que rejeitou a proposta do Irão de reabrir o estreito de Ormuz e adiar as negociações sobre o programa nuclear do país, provocou quedas em praticamente todos os principais índices bolsistas da Ásia. Isto após as cotadas da região, especialmente as ligadas à inteligência artificial (IA) ainda terem registado avanços depois de terem sido conhecidos os resultados apresentados ontem após o fecho de Wall Street da Meta, Alphabet, Amazon e Microsoft.
Pelo Japão, o Nikkei caiu 1,15%, movimento igualmente acompanhado pelo Topix, que recuou 1,31%. Já por Taiwan, o TWSE cedeu 0,96%. No que toca à China, o Hang Seng de Hong Kong desvalorizou 1,06% e o Shanghai Composite registou uma subida de 0,21%. Quanto à Coreia do Sul, o Kospi perdeu 0,94%.
O petróleo atingiu o nível mais alto em quase quatro anos, num contexto de crescente pessimismo quanto aos esforços para pôr fim ao conflito no Médio Oriente. O índice regional MSCI Ásia-Pacífico caiu 1,5% e os futuros europeus apontam agora para quedas de cerca de 1% na abertura.
Desde a subida dos preços do petróleo impulsionada pela guerra no Irão até uma Reserva Federal dividida que ontem manteve as taxas inalteradas, a par dos resultados trimestrais das gigantes tecnológicas, os investidores estão a lidar com uma onda de fatores. O cenário está a pôr à prova uma recuperação global dos mercados acionistas que apagou as perdas relacionadas com a guerra e empurrou os mercados dos EUA, Japão, Taiwan e, também Coreia do Sul para novos máximos, impulsionados por fortes resultados do setor tecnológico.
“Uma combinação de preços do petróleo mais elevados durante o nosso fuso horário, notícias de que os EUA estão a considerar opções militares no Irão, além da Europa a acordar com estas notícias, está a afetar o sentimento nos mercados”, disse à Bloomberg Rodrigo Catril, do National Australia Bank em Sydney.
E nesta quinta-feira, os mercados estarão atentos à decisão de taxas de juro e perspetivas para a economia da Zona Euro apresentadas pelo Banco Central Europeu e o Banco de Inglaterra. Espera-se que ambos mantenham as taxas de juro inalteradas, à semelhança do que já foi decidido pelo Japão, Canadá e EUA. Também as contas da Apple centrarão atenções. O panorama entre ativos de risco está a começar a assemelhar-se ao observado em março, em que as ações e as obrigações caíram em uníssono, enquanto o petróleo e o dólar americano sobem.
E apesar das quedas desta quinta-feira, o índice Kospi, da Coreia do Sul, está a caminho do seu melhor mês desde 1998 e o TWSE, em Taiwan, do melhor desde 2001. “A IA está a proporcionar aos mercados uma história de crescimento estrutural, mas o petróleo está a transformar a geopolítica num risco de inflação estrutural”, afirmou, por sua vez, Charu Chanana, da Saxo Markets. “Com o posicionamento ainda sobrecarregado em alguns setores tecnológicos, o mercado já não pode depender apenas da solidez dos resultados”, resumiu o especialista.
Entre os movimentos do mercado, a Toyota Motor Corp. foi a que mais contribuiu para a queda do índice Topix, tendo registado uma desvalorização de mais de 3,50%. Já outros pesos-pesados da região, como a Samsung (-1,77%) e a TSMC (-2,06%) pressionaram a negociação.
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