Ao minuto24.04.2026

Europa fecha semana no vermelho com subida do crude e incerteza no golfo a pressionar investidores

Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta sexta-feira.
Bloomberg
24 de Abril de 2026 às 17:41
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24.04.2026

Europa fecha semana no vermelho com subida do crude e incerteza no golfo a pressionar investidores

Os principais índices europeus encerraram a última sessão da semana com perdas em praticamente toda a linha, ainda que tenham reduzido parte das quedas perto do final da sessão com crescentes expectativas de que os Estados Unidos (EUA) e o Irão poderão estar prestes a iniciar uma nova ronda de negociações no Paquistão depois de, nos últimos dias, se ter assistido a um escalar das tensões entre as duas partes que levou a subidas expressivas do petróleo ao longo da semana, prejudicando o apetite dos investidores por ativos de risco.

O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – perdeu 0,58%, para os 610,65 pontos. No conjunto da semana, o “benchmark” do Velho Continente desvalorizou mais de 2,50%.

Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX recuou 0,11%, o italiano FTSEMIB caiu 0,52%, o francês CAC-40 desvalorizou 0,84%, o espanhol IBEX subtraiu 1,09%, ao passo que o neerlandês AEX subiu 0,64% e o britânico FTSE 100 registou perdas de 0,75%.

Na sessão de hoje, as cotadas europeias dos setores da tecnologia (+1,47%) e da alimentação e bebidas (+0,07%) tiveram um desempenho superior, enquanto os setores da saúde (-1,71%), dos automóveis (-1,99%) e dos recursos naturais (-1,81%) ficaram para trás.

O impasse prolongado em torno do conflito no Médio Oriente tem pesado fortemente sobre as ações europeias, que perderam a vantagem de desempenho superior em relação ao mercado norte-americano que fixavam desde o início do ano, à medida que os investidores se preocupam com o impacto dos preços elevados do petróleo no crescimento económico da região - que depende de importações de energia, ao contrário dos EUA.

O índice pan-europeu reduziu os seus ganhos acumulados no ano para 3,4%, ficando atrás do avanço de 3,8% do S&P 500.

“Uma conclusão a retirar desta época de resultados é que a liderança dos EUA está de volta, devido ao seu domínio na tecnologia e nos semicondutores, nomeadamente”, disse à Bloomberg David Kruk, da La Financière de l’Echiquier, em Paris.

Entre os movimentos do mercado, a SAP subiu mais de 4,50%, depois de ter anunciado um aumento da carteira de encomendas na área da "cloud”, o que tranquilizou os investidores quanto às perturbações causadas pela IA nas empresas de software. Já a Siemens Energy, considerada uma das principais beneficiárias da crescente procura por infraestruturas energéticas e centros de dados de IA, registou uma subida de 2,64% após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre.

24.04.2026

Juros aliviam em toda a linha antes de semana de reuniões de bancos centrais

Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro aliviaram em toda a linha na sessão desta sexta-feira, com os “traders” a mostrarem-se otimistas de que os EUA e Irão poderão voltar a sentar-se à mesa das negociações e chegar a um entendimento sobre a abertura do estreito de Ormuz, à medida que antecipam que o Banco Central Europeu não vai mexer nos juros diretores na sua reunião da próxima semana, decisão que deverá ser igualmente tomada pelo Banco de Inglaterra.

Neste contexto, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, aliviaram 1,4 pontos-base, para os 2,991%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade caiu 2,7 pontos-base, para 3,635%. Já em Itália, os juros recuaram 1,9 pontos para os 3,775%.

Pela península Ibérica, a "yield" das obrigações portuguesas a dez anos aliviou 2,4 pontos base para 3,392%, com a “yield” das obrigações espanholas a cair 2,6 pontos, neste caso para 3,442%.

Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas, também a dez anos, cederam 2,8 pontos, para 4,909%.

24.04.2026

Dólar recua com esperança de novas negociações entre Washington e Teerão

AP/Tatan Syuflana

O dólar está a registar ligeiras desvalorizações na sessão desta sexta-feira, com a possibilidade de uma nova ronda de conversações entre Washington e Teerão a pressionar a “nota verde”. Ainda assim, caminha para um novo aumento semanal, dada a procura enquanto ativo-refúgio devido ao impasse registado nas negociações entre os EUA e o Irão ao longo da semana.

O índice do dólar - que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes – cede 0,11%, para os 98,657 pontos, mas está perto de fixar uma subida de mais de 0,50% no conjunto da semana.

No Japão, a inflação subjacente abrandou para um nível inferior à meta de 2% do Banco do Japão pelo segundo mês consecutivo em março. Os analistas esperam que as pressões sobre os preços voltem a aumentar nos próximos meses, à medida que as empresas começam a repercutir os custos mais elevados dos combustíveis decorrentes do conflito no Médio Oriente. Nesta medida, face à moeda nipónica, o dólar recua 0,16%, para os 159,450 ienes.

Os "traders" estão também a antecipar uma semana movimentada para os bancos centrais, com a Reserva Federal, o Banco do Japão, o Banco Central Europeu e o Banco de Inglaterra a anunciar decisões de política monetária ao longo da próxima semana.

Prevê-se que o Banco Central Europeu mantenha a sua taxa de depósito inalterada a 30 de abril. O Banco de Inglaterra reúne-se igualmente na quinta-feira e os mercados estão a prever um aumento das taxas até ao final do ano, embora não se espere qualquer alteração nesta reunião.

Por cá, o euro soma 0,23%, para os 1,171 dólares. Já a libra avança 0,30%, para 1,351 dólares.

24.04.2026

Ouro avança mas está perto de fixar primeira queda semanal em mais de um mês

AP

O ouro está a negociar com valorizações nesta sexta-feira, com esperanças de que os Estados Unidos (EUA) e o Irão possam chegar a um entendimento para pôr fim à guerra, sendo esperada uma nova ronda de negociações entre ambos os países no Paquistão.

A esta hora, o ouro sobe 0,40%, para os 4.713 dólares por onça. No que toca à prata, o metal precioso avança 0,43%, para os 75,759 dólares por onça.

Apesar da ligeira subida, o metal amarelo segue a caminho da primeira perda semanal em cinco semanas, uma vez que as preocupações com a inflação se mantiveram elevadas devido ao impasse na guerra com o Irão.

Também os preços mais elevados do petróleo, que ganham mais de 14% no conjunto da semana, podem alimentar a inflação, aumentando as probabilidades de subidas das taxas de juro. Embora o ouro seja visto como uma proteção contra a inflação, taxas mais elevadas enfraquecem a procura pelo metal, que não rende juros.

Além disso, um dólar mais forte está a reduzir a procura por ouro para detentores de outras divisas, limitando a subida do metal.

Entretanto, Israel e o Líbano prolongaram o seu cessar-fogo por três semanas numa reunião na Casa Branca mediada pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, que afirmou estar disposto a esperar pelo “melhor acordo” para pôr fim ao conflito com o Irão.

24.04.2026

Petróleo caminha para segundo maior aumento semanal desde início da guerra

Rick Bowmer/AP

Os preços do petróleo estão a negociar de forma divergente nesta sexta-feira, com os “traders” a pesar as perturbações no abastecimento energético causadas pelo conflito no Golfo Pérsico, contra perspetivas de uma nova ronda de negociações de paz entre os Estados Unidos (EUA) e o Irão.

Nesta medida, o Brent – de referência para a Europa – sobe agora 0,56%, para os 105,66 dólares por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – recua 0,45% para os 95,42 dólares por barril. Os preços chegaram a escalar cerca de 2% no arranque da sessão devido a novos receios de uma escalada da guerra no Médio Oriente.

Ainda assim, os preços recuaram depois de notícias de que o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, iria viajar para Islamabad na sexta-feira ao fim do dia para uma esperada nova ronda de negociações com os EUA.

No conjunto da semana, o Brent subiu cerca de 16% e o WTI 14%, o segundo maior ganho semanal desde o início da guerra.

A navegação pelo estreito de Ormuz, que antes da guerra transportava cerca de um quinto da produção global de petróleo e gás natural, continua efetivamente bloqueada.

24.04.2026

Wall Street com maioria dos índices em alta com negociações EUA-Irão no horizonte. Intel dispara 26%

AP/Seth Wenig

Os principais índices dos Estados Unidos (EUA) negoceiam com uma maioria de ganhos na última sessão da semana, impulsionados pelo otimismo de que Washington e Teerão estão a avançar para uma nova ronda de negociações após vários dias de impasses entre as duas partes. Também uma forte subida da Intel segue a alimentar uma recuperação do setor tecnológico após a cotada ter apresentado resultados do primeiro trimestre.

Neste contexto, o S&P 500 ganha 0,22%, para os 7.124,28 pontos. O Nasdaq Composite sobe 0,67%, para os 24.601,12 pontos. Já o Dow Jones, por sua vez, desvaloriza 0,32% para os 49.150,41 pontos.

A subida dos índices ocorreu depois de fontes oficiais familiarizadas com o assunto e citadas pela Bloomberg terem afirmado que o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão irá viajar para Islamabad nesta sexta-feira. Está prevista uma segunda ronda de negociações de paz entre os dois países.

É uma notícia positiva”, disse à agência de notícias financeiras Alexandre Baradez, da IG. “Tem havido tantas notícias destas que não sei bem o que pensar. O mercado já precificou grande parte do que um acordo traria. Também tenho tendência a pensar que o impacto que o conflito terá na economia está a ser subestimado”, sublinhou o especialista.

Os investidores estão assim atentos a sinais de progresso nas negociações, bem como aos fluxos de transporte marítimo através do estreito de Ormuz, que permanece, na prática, encerrado, num dia em que os preços do crude estão a registar recuos nos mercados internacionais.

E “uma conclusão desta época de resultados é que a liderança dos EUA está de volta devido ao seu domínio na tecnologia, e nomeadamente nos semicondutores”, afirmou David Kruk, da La Financière de l’Echiquier. “Os investidores estão agora a concentrar-se mais nos resultados do que na geopolítica e a partir do princípio de que, eventualmente, será alcançado um acordo de paz”, acrescentou.

Nesta medida, a Intel está a disparar mais de 26%, impulsionada por uma previsão de vendas muito acima das expectativas do mercado. E o otimismo em relação ao potencial económico da inteligência artificial (IA) continua a impulsionar as fabricantes de semicondutores para uma nova subida pelo 18.º dia consecutivo. Os investidores consideram que o setor corre poucos riscos de ser afetado pela guerra no Irão, com os lucros e as perspetivas das empresas a superarem as expectativas na maioria dos casos.

Aqueles que anunciaram o fim do ciclo da IA cometeram um grande erro, como podemos ver ao analisar o setor dos semicondutores”, disse, por sua vez, Mabrouk Chetouane, da Natixis Investment Managers. “O crescimento dos lucros é simplesmente espantoso. É um ponto crítico em que a oferta de chips não consegue satisfazer a procura”, resumiu à Bloomberg.

Entre outras cotadas, a Procter & Gamble segue a somar mais de 4%, depois de ter divulgado resultados superiores às expectativas para o último trimestre, impulsionados pelo crescimento na categoria de beleza, ao mesmo tempo que elevou significativamente as suas previsões relativas aos custos das matérias-primas para o atual ano fiscal da empresa.

Já quanto às “big tech”, a Apple cede 1,15%, a Nvidia ganha 1,70%, a Alphabet cai 0,94% e a Amazon avança 2,18%. Já a Microsoft valoriza 0,95% e a Meta recua 0,39%, depois de

24.04.2026

Segunda ronda de negociações entre EUA e Irão leva petróleo a cair mais de 1%

Os preços do petróleo no mercado internacional inverteram o sentido de negociação e estão, agora, a negociar com perdas, depois de ter sido noticiado que o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros deverá viajar até Islamabad esta sexta-feira à noite, acompanhando de uma pequena equipa. 

A informação está a ser avançada por alguns dirigentes paquistaneses, citados pela Bloomberg, que dizem que uma segunda ronda de negociações deverá mesmo avançar - embora não especifiquem quando. Em reação, o preço do barril de Brent - de referência para a Europa - chegou a cair mais de 1% e a aproximar-se dos 103 dólares, estando agora a negociar com perdas de 0,56% para 104,483 dólares. Já o West Texas Intermediate - de referência para os EUA - segue a deslizar 1,28% para 94,632 dólares. 

De acordo com as mesmas fontes, que pediram para não serem identificadas, uma equipa norte-americana já está presente em Islamabad, local onde se realizou a primeira ronda de negociações. O impasse nas conversações de paz só terá sido possível desbloquear devido à intermediação paquistanesa. 

24.04.2026

Ações europeias perdem vantagem sobre os EUA com crise no Irão. SAP dispara mais de 6%

Matthias Balk/picture-alliance/dpa/AP Images

As principais praças europeias estão a negociar pintadas de vermelho esta sexta-feira, com as perdas registadas esta semana a levarem o "benchmark" europeu a perder a vantagem que tinha sobre os pares norte-americanos, numa altura em que os preços do petróleo continuam a avançar e as perspetivas para uma resolução rápida do conflito no Médio Oriente estão a desvanecer. 

A esta hora, o Stoxx 600 - principal índice europeu - recua 0,68% para 610,03 pontos, afastando-se cada vez mais dos máximos históricos atingidos no final de fevereiro. Os ganhos anuais do índice estão, agora, reduzidos a apenas 3,3%, um valor que fica abaixo dos 3,8% do S&P 500, após um arranque de ano bastante positivo para as ações do Velho Continente - que superaram as norte-americanas, muito devido às políticas erráticas de Donald Trump. 

A Europa tem sido particularmente afetada pela atual crise energética e o barril de petróleo de referência para o continente está, neste momento, a negociar quase nos 107 dólares - mais dez dólares que o crude de referência para os EUA. A época de resultados em curso também tem falhado em ser o catalisador que as ações europeias precisavam, ao contrário do que tem acontecido no outro lado do Atlântico, onde o entusiasmo em torno da inteligência artificial (IA) tem injetado otimismo nas bolsas. 

"Uma das conclusões desta época de divulgação de resultados é que a liderança dos EUA está de volta, devido ao seu domínio, nomeadamente, nos setores da tecnologia e dos semicondutores", explica David Kruk, diretor de negociação da La Financière de l’Echiquier, citado pela Bloomberg.

Mesmo assim, a alemã SAP está a ser, esta sexta-feira, um bom contraponto a uma época de resultados mais morna na Europa. A tecnológica está a disparar 6,11% para 149,30 euros, depois de ter visto os seus lucros subirem 8% no primeiro trimestre do ano para 2,27 mil milhões de euros e as receitas crescerem 9% para 9,55 mil milhões - com este último indicador a ficar dentro das expectativas dos analistas. 

Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX recua 0,32%, o italiano FTSEMIB perde 1,01% e o espanhol IBEX subtrai 1,26%, ao passo que o neerlandês AEX cai 0,19%, o britânico FTSE 100 regista perdas de 0,72% e o francês CAC-40 desliza 1,16%.

24.04.2026

Juros agravam-se na Zona Euro. Itália lidera subidas

Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a negociar com agravamentos esta sexta-feira, numa altura em que os progressos para alcançar um acordo de paz entre EUA e Irão são escassos. Sem uma resolução do conflito, o estreito de Ormuz deve continuar fechado, levando a uma subida sustentada dos preços da energia e obrigando os bancos centrais por todo o mundo, incluindo o Banco Central Europeu (BCE), a avançar com uma subida das taxas de juro. 

O mercado de "swaps" já tem dois apertos monetários de 25 pontos base incorporados nos preços e vê cada vez mais possibilidades de a autoridade da Zona Euro avançar com um terceiro. 

Neste contexto, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, sobem 2,6 pontos base para 3,031%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade cresce 2,5 pontos-base, para 3,687%. Já em Itália, os juros avançam 3,7 pontos para os 3,831%.

Pela península Ibérica, a "yield" das obrigações portuguesas a dez anos agrava-se em 2,6 pontos base para 3,442%, com a “yield” das obrigações espanholas a subir 2,9 pontos, neste caso para 3,497%.

Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas, também a dez anos, escalam 4,3 pontos, para 4,980%, com os investidores a aumentarem as probabilidades do Banco de Inglaterra avançar com três subidas de 25 pontos base nas taxas de juro. 

24.04.2026

Dólar avança com muita cautela apesar de cessar-fogo no Líbano

AP/Tatan Syuflana

O dólar norte-americano está a negociar com ganhos muito ligeiros face a divisas rivais, impulsionado pelas perspetivas de que o conflito no Médio Oriente pode não ter uma resolução no curto prazo. Desde o desencadear da guerra, que cumpre oito semanas no sábado, os investidores têm apostado na "nota verde" como um dos seus ativos de refúgio prediletos, numa altura em que se espera que a Reserva Federal (Fed) norte-americano mantenha as taxas de juro inalteradas em 2026 - ou até as acabe por subir. 

A esta hora, o índice do dólar da Bloomberg - que mede a força da divisa face às suas principais concorrentes - negoceia na linha d'água, com ganhos de apenas 0,02%, encaminhando-se para fechar a semana com uma valorização de 0,6%. É a primeira subida semanal de abril, mês marcado por uma aproximação entre os EUA e Irão, que até encetaram negociações de paz em Islamabad, capital do Paquistão - que acabaram por cair por terra. 

"O facto de ainda existirem canais de comunicação informais continua a ser tranquilizador e ainda podemos considerar grande parte da retórica como 'teatro de negociações', mas há também uma sensação crescente de que a 'tensão contida' poderia facilmente desmoronar-se", escreve Richard Franulovich, diretor de estratégia cambial da Westpac Banking, numa nota a que a Bloomberg teve acesso. “Por enquanto, os mercados estão a absorver a situação sem grande alarido", acrescenta. 

As tensões entre EUA e Irão continuam a aquecer e o estreito de Ormuz está no centro do bloqueio das negociações. As disrupções na via marítima, por onde passa um quinto de todo o petróleo e gás natural consumidos no mundo, estão a fazer disparar os preços da energia e têm pressionado os EUA a chegar a um acordo, mas a relutância de Teerão em sentar-se à mesma de negociações está a diminuir as possibilidades de uma resolução no curto prazo. 

24.04.2026

Ouro cai abaixo dos 4.700 dólares com conflito no Médio Oriente em foco

Uli Deck/AP

O ouro continua sem conseguir afirmar-se nos mercados internacionais e voltou a cair abaixo da marca dos 4.700 dólares por onça, pressionado pela falta de avanços nas negociações entre EUA e Irão - apesar de a extensão do cessar-fogo entre Israel e Líbano ter ajudado a reduzir as perdas do metal precioso na sessão de quinta-feira. A interrupção nos fluxos no estreito de Ormuz está a alimentar os receios dos investidores em torno de uma escalada da inflação que leve bancos centrais por todo o mundo a tomar uma postura agressiva em termos de política monetária. 

A esta hora, o metal amarelo cede 0,28% para 4.684,72 dólares por onça, encaminhando-se para fechar a semana com perdas superiores a 3%. O duplo bloqueio em Ormuz, via marítima por onde passa um quinto de todo o petróleo e gás natural consumidos a nível global, está a mergulhar o mundo na pior crise energética da história recente e só um acordo de paz deverá pôr fim às disrupções. 

No entanto, torna-se cada vez mais improvável que isso aconteça no curto prazo. O Irão continua a afirmar que só se vai sentar à mesa das negociações caso os EUA levantem o bloqueio em Ormuz e, de acordo com dirigentes citados pela Bloomberg, as constantes ameaças e as publicações de Donald Trump nas redes sociais não estão a incentivar uma maior flexibilização da posição do regime de Mojtaba Khamenei. 

"Sem que se tenham registado progressos nas negociações para um cessar-fogo, o ouro continuou a ser negociado com base na dupla lógica da diminuição das expectativas de redução das taxas de juro e do pessimismo em relação às tensões com o Irão", escrevem os gestores de fundos da Zhishui Investment Management, numa nota citada pela Bloomberg. Acrescentam que os investidores tendem a conter as suas apostas à medida que se aproxima o fim de semana.

Desde o estalar da guerra, o ouro já caiu cerca de 11%. Além de estar a ser pressionado por perspetivas de um agravamento da política monetária - ou, pelo menos, interrupção do ciclo de alívio das taxas de juro nos EUA -, o metal precioso foi ainda penalizado pelas perdas nos ativos de risco, com os investidores a aproveitarem o "rally" da matéria-prima no ano passado para retirarem mais-valias e cobrirem estas perdas. 

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