Recuo do petróleo anima bolsas europeias. É a terceira sessão seguida em alta
Europa avança pelo terceiro dia consecutivo. Recuo do petróleo dá alento aos mercados
Juros aliviam em toda a linha na Zona Euro antes de decisão do BCE
Dólar sem grandes alterações com petróleo a reduzir perdas antes de reunião da Fed
Ouro e prata recuam em dia de decisão da Fed
Petróleo recua com Iraque a retomar exportações através da Turquia
Queda no crude e salto das tecnológicas levam Ásia a fechar em alta. Sul-coreano Kospi dispara mais de 5%
Euribor desce a três, a seis e a 12 meses
A taxa Euribor desceu esta quarta-feira a três, a seis e a 12 meses em relação a terça-feira.
Com estas alterações, a taxa a três meses, que recuou para 2,121%, continuou abaixo das taxas a seis (2,309%) e a 12 meses (2,528%).
A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, baixou, ao ser fixada em 2,309%, menos 0,024 pontos do que na terça-feira e depois de quatro sessões a subir.
Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a janeiro indicam que a Euribor a seis meses representava 38,93% do 'stock' de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.
Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,78% e 24,98%, respetivamente.
No prazo de 12 meses, a taxa Euribor também caiu, para 2,528%, menos 0,019 pontos do que na sessão anterior e também de quatro sessões a subir. Em 10 de março a Euribor a 12 meses foi fixada em 2,552%, um novo máximo desde janeiro de 2025.
No mesmo sentido, a Euribor a três meses recuou ao ser fixada em 2,121%, menos 0,027 pontos.
Esta semana realiza-se a reunião de política monetária do BCE, hoje e na quinta-feira em Frankfurt, Alemanha, e os mercados antecipam uma nova manutenção das taxas diretoras.
Europa avança pelo terceiro dia consecutivo. Recuo do petróleo dá alento aos mercados
Os principais índices europeus negoceiam com ganhos pelo terceiro dia consecutivo - a sequência de valorizações mais longa desde o início da guerra no Médio Oriente –, à medida que um alívio nos preços do petróleo segue a dar algum fôlego aos mercados na véspera da decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE).
O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – soma 0,55% para os 605,78 pontos.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX sobe 0,75%, o espanhol IBEX 35 ganha 1,25%, o italiano FTSEMIB valoriza 0,95%, o francês CAC-40 pula 1,04%, ao passo que o neerlandês AEX regista ganhos de 0,30% e o britânico FTSE 100 avança 0,25%.
Antes de o BCE, Banco de Inglaterra e Banco Nacional Suíço decidirem durante o dia de amanhã qual será o rumo das taxas de juro nas respetivas economias, hoje é a vez da Reserva Federal (Fed) norte-americana e espera-se que o banco central dos EUA mantenha os juros diretores inalterados pela segunda reunião consecutiva – movimento que deverá ser acompanhado na quinta-feira pelos congéneres europeus.
Os investidores e analistas estarão, assim, mais concentrados nas perspetivas apresentadas pelos líderes dos bancos centrais, numa altura em que a escalada dos preços do crude tem alimentado preocupações em relação a uma subida da inflação.
“O mercado quer encontrar uma referência e restabelecer parte do impulso dos preços [das ações] que tínhamos antes do conflito com o Irão”, disse à Bloomberg Shane Kelly, gestor de fundos da M&G Investment Management.
Entre os setores, o da banca (+2,09%), o industrial (+1,62%) e o dos bens e serviços (+1,62%) lideram os ganhos, enquanto o das telecom (-1,26%) e o alimentar (-1,16%) registam as maiores perdas.
Quanto aos movimentos do mercado, a HelloFresh tomba quase 13% depois de a empresa de entrega de kits de refeições ter anunciado que as vendas deverão diminuir pelo segundo ano consecutivo. Já a Unilever recua 1,65% para os 4.799 cêntimos de libra, depois de ter sido revelado que a empresa está a ponderar uma separação da unidade de produtos alimentares.
Juros aliviam em toda a linha na Zona Euro antes de decisão do BCE
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a registar alívios em toda a linha na sessão de hoje, num dia em que as bolsas europeias somam ganhos e na véspera da decisão do Banco Central Europeu (BCE) sobre as taxas de juro, onde se espera que os decisores de política monetária mantenham inalterados os juros diretores.
Os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, aliviam 2,2 pontos-base para 2,880%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade cai 3,5 pontos para 3,517%. Já em Itália, os juros recuam 3,6 pontos para os 3,617%.
Pela península Ibérica, regista-se a mesma tendência, com a "yield" das obrigações portuguesas a dez anos a aliviar 2,6 pontos-base para 3,290%. A “yield” das obrigações espanholas, por sua vez, cede 2,8 pontos, para 3,354% a esta hora.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas, também a dez anos, aliviam 4,3 pontos-base, para 4,647%, sendo que também o Banco de Inglaterra apresenta amanhã a sua decisão de política monetária.
Dólar sem grandes alterações com petróleo a reduzir perdas antes de reunião da Fed
O dólar segue a negociar sem rumo definido esta manhã, tendo chegado a registar perdas durante o arranque da sessão, ainda que a esta hora esteja a recuperar algum terreno, enquanto os preços do crude voltam a ganhar terreno após uma queda de mais de 2%.
O índice do dólar - que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes – avança 0,08%, para os 99,659 pontos, elevando os seus ganhos para mais de 2% desde o início da guerra no Médio Oriente.
Ainda assim, a “nota verde” está a perder terreno face ao iene, antes de uma reunião em Washington entre o Presidente dos EUA, Donald Trump, e a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi. A esta hora, o dólar cede 0,01%, para os 158,980 ienes, depois de a divisa nipónica ter atingido mínimos de 2024 na semana passada.
O dólar atingiu o seu nível mais alto em dez meses no final da semana passada, uma vez que o conflito no Médio Oriente e o aumento dos preços do petróleo levaram os investidores a reforçar posições na “nota verde”, que se tem mostrado o ativo-refúgio predileto dos mercados desde o início do conflito dos EUA e Israel contra o Irão.
No que diz respeito aos bancos centrais, a Reserva Federal dos EUA anunciará a sua decisão de política monetária nesta quarta-feira, com o BCE, o Banco de Inglaterra e o Banco do Japão a apresentarem a sua decisão amanhã.
Espera-se que todos mantenham as taxas de juro inalteradas e os "traders" estarão atentos aos comentários sobre a inflação e as perspetivas económicas no contexto da guerra no Médio Oriente.
Pela Europa, a libra perde 0,07%, para os 1,335 dólares e o euro perde 0,12%, para os 1,153 dólares.
Ouro e prata recuam em dia de decisão da Fed
O ouro está a negociar com ligeiras desvalorizações nesta quarta-feira, à medida que os “traders” parecem não querer fazer grandes apostas e seguem a avaliar o impacto económico do conflito no Médio Oriente, enquanto aguardam pela decisão de taxas de juro da Reserva Federal (Fed) norte-americana.
A esta hora, o ouro cede 0,29%, para os 4.990,990 dólares por onça.
Espera-se que a Reserva Federal mantenha as taxas inalteradas pela segunda reunião consecutiva esta tarde, à medida que o aumento contínuo dos preços do crude segue a alimentar as preocupações em torno de um aumento da inflação. Já durante o dia de amanhã, serão conhecidas as decisões de política monetária dos bancos centrais do Reino Unido, da Zona Euro, do Japão, do Canadá e da Suíça.
O contexto inflacionista normalmente favorece o ouro como um ativo-refúgio, mas as taxas de juro elevadas diminuem o apelo do metal amarelo, que não rende juros.
No que toca à prata, o metal precioso cai ligeiros 0,07%, para os 79,233 dólares por onça.
Petróleo recua com Iraque a retomar exportações através da Turquia
Os preços do petróleo negoceiam com desvalorizações esta manhã, revertendo já grande parte dos ganhos registados na terça-feira, depois de o Governo do Iraque e autoridades da Turquia terem chegado a um acordo para retomar as exportações de petróleo através do porto turco de Ceyhan, permitindo que o país do Médio Oriente evite o transporte de crude através do estreito de Ormuz.
O West texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – cai 2,38%, para os 93,48 dólares por barril. Já o Brent – de referência para o continente europeu – cai 1,34% para os 102,03 dólares por barril.
No entanto, sem sinais de uma desaceleração do conflito no Irão, que levou a uma paralisação generalizada das exportações de petróleo do Médio Oriente, os preços dos futuros do Brent fixaram-se acima dos 100 dólares por barril nas quatro sessões consecutivas anteriores.
O ministro do Petróleo do Iraque, Hayan Abdel-Ghani, afirmou que se esperava que o fluxo de “ouro negro” a partir de Ceyhan começasse logo pela manhã desta quarta-feira, de acordo com a comunicação social estatal, já depois de dois responsáveis do setor petrolífero terem dito na semana passada que o Iraque pretendia bombear pelo menos 100 mil barris por dia de crude através do porto turco. A produção de petróleo dos principais campos petrolíferos do sul do Iraque, onde a maior parte do seu crude é produzido e exportado, caiu 70% para apenas 1,3 milhões de barris por dia,
Já noutros pontos, os “stocks” de crude dos EUA terão aumentado em mais de seis milhões de barris na semana terminada a 13 de março, segundo dados preliminares divulgados na terça-feira.
No que toca ao gás natural, o preço do gás de referência para os mercados europeus, negociado no TTF – ponto de negociação nos Países Baixos –, soma cerca de 0,73% para 51,183 euros por megawatt-hora.
Queda no crude e salto das tecnológicas levam Ásia a fechar em alta. Sul-coreano Kospi dispara mais de 5%
Os principais índices asiáticos encerraram a negociação com fortes ganhos, avançando pelo terceiro dia consecutivo, com o renovado otimismodos investidores em relação a cotadas da área da inteligência artificial (IA) a sustentar o apetite pelo risco e antes da reunião da Reserva Federal (Fed) norte-americana nesta quarta-feira. Na Europa, os futuros do Euro Stoxx 50 pulam quase 1% e os do S&P 500 avançam 0,50%.
Pelo Japão, o Nikkei subiu 2,87% e o Topix avançou 2,47%. Já o sul-coreano Kospi disparou 5,04%. Na China, o Hang Seng de Hong Kong ganhou 0,53% e o Shanghai Composite valorizou 0,32%. Por Taiwan, o TWSE somou 1,51%.
O índice regional MASCI Ásia-Pacífico subiu 2,2%, com as valorizações a serem lideradas pelo setor tecnológico, à medida que os comentários otimistas do diretor executivo da Nvidia, Jensen Huang, impulsionaram as fabricantes de chips, num dia em que a gigante sul-coreana Samsung Electronics subiu mais de 7%.
Nesta linha, as cotadas chinesas ligadas à OpenClaw dispararam, impulsionadas pelos comentários otimistas de Huang sobre o potencial dos agentes de IA. A MiniMax Group, que acabou de lançar uma nova ferramenta de IA generativa, chegou a somar 29% para atingir um novo máximo histórico, tendo fechado o dia com ganhos de mais de 21%. Já a Knowledge Atlas Technology, conhecida como Zhipu, ganhou mais de 18%, enquanto a prestadora de serviços na nuvem UCloud Technology também registou ganhos em Shanghai tendo valorizado mais de 13%. Isto depois de Jensen Huang ter dito que o OpenClaw é “definitivamente o próximo ChatGPT”, descrevendo esta ferramenta como uma mudança fundamental na área da IA. A ferramenta conquistou um público grande na China, proporcionando um novo impulso ao “boom” local da IA iniciado com o lançamento do DeepSeek há mais de um ano.
Os ganhos na Ásia seguiram os avanços em Wall Street e pela Europa. A apoiar o sentimento esteve, também, uma queda de 2,6% no petróleo Brent, que cedeu depois de o Iraque ter assinado um acordo para retomar as exportações através da Turquia, evitando o estreito de Ormuz, e à medida que os EUA intensificaram os esforços para forçar a reabertura da importante via marítima.
Mas mesmo após a mais longa recuperação das ações em mais de um mês, os investidores permanecem em alerta máximo quanto à guerra no Médio Oriente.
“Há uma sensação crescente de que os mercados estão a tentar ignorar as tensões atuais”, afirmou à Bloomberg Fawad Razaqzada, da Forex.com. “Ainda assim, os mercados não se estão a deixar levar pelo entusiasmo. Se o conflito se prolongar, o risco é que volte a pesar mais fortemente sobre os mercados bolsistas”, disse.
No plano geopolítico, o Presidente dos EUA, Donald Trump, abandonou os seus esforços para recrutar parceiros para assumir controlo do estreito e repreendeu os aliados da NATO que rejeitaram abertamente os seus apelos. O comentário de Trump de que não precisa da cooperação da NATO ou de outros países “na verdade tranquilizou os mercados, no sentido de que a situação pode não escalar para uma guerra em grande escala”, sublinhou à agência de notícias financeiras Hitoshi Asaoka, da Asset Management One.
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