Petróleo volta a negociar abaixo dos 100 dólares. Japão e Coreia do Sul atingem recorde
Ouro perde terreno e negoceia abaixo dos 4.500 dólares por onça
O ouro não está a conseguir encontrar novos catalisadores para quebrar o intervalo restrito em que tem negociado e encontra-se, mais uma vez, a registar perdas, apesar de os investidores estarem mais otimistas em relação a um possível acordo de paz entre EUA e Irão. O conflito completa na quinta-feira três meses e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, já avisou que qualquer pacto demorará vários dias a ser finalizado.
A esta hora, o metal amarelo recua 0,56% para 4.485,25 dólares por onça, depois de já ter perdido mais de 1% do seu valor na sessão passada, quando foi pressionado por uma troca de ataques no Médio Oriente. Apesar de o ouro tradicionalmente beneficiar de uma escalada das tensões geopolíticas, o bloqueio do estreito de Ormuz está a levar os preços da energia a dispararem e os investidores a apostarem num aperto da política monetária - não só na Europa, como também nos EUA.
"Embora a esperança de um acordo entre os EUA e o Irão tenha proporcionado algum apoio, a situação continua frágil e persistente, uma vez que os receios de inflação continuam a pairar sobre os metais preciosos", explica o analista da TD Securities Ryan McKay, numa nota a que a Bloomberg teve acesso. "Em última análise, a assimetria de preços continua fortemente inclinada para o lado negativo em todos os setores", acrescenta.
Desde o estalar do conflito no Médio Oriente, o ouro já perdeu quase 15% do seu valor. A escalada na inflação nas principais economias mundiais está a obrigar bancos centrais por todo o mundo a adaptar uma nova estratégia para conter os preços e, mesmo que o conflito termine no curto prazo, os investidores estão a antecipar um impacto prolongado - até porque os fluxos de petróleo vão demorar vários meses a normalizarem.
Petróleo cai e volta a negociar abaixo dos 100 dólares por barril
Após ter acelerado quase 4% na sessão anterior, os preços do petróleo estão novamente a aliviar esta quarta-feira, num dia em que o otimismo em torno de um possível acordo de paz entre EUA e Irão volta a dominar o sentimento dos mercados. A incerteza ainda é grande e um entendimento pode vir a ser alcançado apenas daqui a vários dias, mas o apaziguamento das tensões após uma troca de ataques entre os dois países está a dar esperança aos investidores.
Neste contexto, o Brent - de referência para a Europa - perde 1,61% para 97,96 dólares por barril, voltando a negociar abaixo do nível dos 100 dólares. Já o West Texas Intermediate (WTI) - de referência para os EUA - desvaloriza 2,22% para 91,80 dólares, enquanto o gás natural negociado em Amesterdão cai 1,81% para 46,77 euros por megawatt-hora.
O estreito de Ormuz, por onde passa um quinto de todo o crude e gás natural consumidos no mundo, continua a enfrentar um duplo bloqueio, mas, pela primeira vez no espaço de uma semana, pelo menos dois petroleiros que carregavam cerca de quatro milhões de barris conseguiram atravessar a via marítima na terça-feira.
"Os mercados estão a reagir à perspetiva de um acordo com o Irão, mas ainda faltam meses e, possivelmente, trimestres para que se concretize uma reabertura total: o estreito continua tecnicamente fechado e a normalização levará tempo", explica Robert Rennie, diretor de investigação de matérias-primas da Westpac Banking Corp à Bloomberg. “O Brent pode testar níveis mais baixos devido ao otimismo em torno do acordo, mas até que o Estreito de Ormuz seja genuinamente reaberto - e não apenas gerido de forma condicional, racionado politicamente ou parcialmente contornado - as quedas devem permanecer superficiais e temporárias", acrescenta.
Nos EUA, Donald Trump vai encontrar-se com o seu Gabinete esta quarta-feira na Casa Branca. A guerra no Irão será, certamente, um tópico, numa altura em que ainda há vários pontos nas negociações a bloquearem um acordo de paz - incluindo os ativos iranianos congelados, avaliados em cerca de 24 mil milhões de dólares, bem como as pretensões de Teerão de controlar o estreito de Ormuz.
"Rally" na IA dá novos máximos históricos ao Japão e Coreia do Sul. Europa aponta para ganhos
As principais praças asiáticas encerraram a sessão desta quarta-feira maioritariamente em território positivo, com o Japão e a Coreia do Sul a atingirem novos máximos históricos, numa altura em que os preços do petróleo voltam a dar algum descanso aos investidores e o setor tecnológico está a alimentar um "rally" nas ações globais.
O MSCI Asia-Pacific Index está, neste momento, a acelerar 0,7%, tendo chegado a tocar num novo recorde esta madrugada, impulsionado em grande parte pelos ganhos avultados do sul-coreano Kospi. O índice já acelerou quase 100% este ano e, para já, detém o título de índice com melhor desempenho em todo o mundo - um resultado só possível de alcançar devido à valorização astronómica da SK Hynix, uma fabricante de semicondutores, que se tornou recentemente a terceira empresa asiática a atingir três biliões de dólares em capitalização bolsista.
O Kospi terminou a sessão a subir 2,6%, tendo chegado a ganhar mais de 4% esta quarta-feira para um novo máximo histórico de 8.457,09 pontos. A Samsung, a maior empresa da Coreia do Sul, saltou 3,01%, depois de os sindicatos da tecnológica terem aprovado um acordo salarial que conseguiu evitar uma greve sem precedentes no país, atribuindo aos trabalhadores que prevê bónus anuais substanciais ligados aos lucros gerados pela inteligência artificial (IA).
Pela Europa, a negociação de futuros aponta para uma abertura em alta, com o Euro Stoxx 50 a acelerar 0,27%. Os investidores continuam a mostrar-se otimistas em relação a um possível acordo de paz no Médio Oriente, apesar dos ataques realizados na segunda-feira pelos EUA contra o Irão. O Presidente norte-americano, Donald Trump, já assegurou que as negociações para estender o cessar-fogo e reabrir o estreito de Ormuz procedem.
"Os investidores devem ter cuidado para não confundir progresso com resolução", explica Josh Gilbert, analista da eToro, à Bloomberg. "As negociações parecem estar a avançar, o que é positivo, mas já vimos este padrão antes. As notícias positivas melhoraram rapidamente o sentimento do mercado, mas, neste momento, as questões subjacentes continuam em aberto", conclui.
Entre os principais índices asiáticos, o japonês Nikkei 225 acelerou para um novo máximo, fechando a sessão a ganhar mais de 0,3%, enquanto os chineses Hang Seng, de Hong Kong, e o Shanghai Composite contrariaram o otimismo asiático e encerraram a negociação com perdas superiores a 1%. Já o australiano ASX 200 saltou 0,69%.
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