Petróleo cai 1% nos mercados internacionais. Ouro volta a perder terreno com subida na inflação
Índia quase triplica tarifas sobre ouro e prata para proteger economia
Petróleo recua após ter avançado cerca de 8% nas últimas três sessões
Tecnológicas animam Ásia e levam Europa a apontar para uma abertura em alta
Excedente da balança corrente do Japão cresce 30% em março
Ouro volta a perder terreno com nova escalada na inflação
O ouro está a negociar com perdas pouco avultadas esta quarta-feira, numa altura em que a escalada da inflação nos EUA está a fazer com que os investidores aumentem as probabilidades da Reserva Federal (Fed) norte-americana aumentar as taxas de juro ainda este ano. O metal precioso tende a perder terreno com apertos monetários, uma vez que não rende juros.
A esta hora, o ouro cede 0,2% para 4.705,72 dólares por onça, depois de já ter perdido 0,4% do seu valor na terça-feira - pressionado por uma subida de preços acima do esperado na maior economia do mundo. O índice dos preços no consumidor norte-americano acabou por acelerar para 3,8% no mês passado, ficando ligeiramente acima dos 3,7% previstos pelos economistas e alcançando o valor mais elevado desde 2023.
O mercado de "swaps" vê agora uma probabilidade de mais de 40% da Fed avançar com um aperto monetário de 25 pontos base ainda este ano, quando no final de abril esse valor estava reduzido quase a zero. Quanto mais o conflito no Médio Oriente durar e o estreito de Ormuz continuar a enfrentar disrupções, mais este valor poderá aumentar, com o banco central a ver-se obrigado a subir as taxas de juro para fazer face a um disparo nos preços - principalmente na energia.
No entato, e apesar das perspetivas de um aperto monetária estarem a crescer, o ouro tem conseguido evitar grandes perdas. Esta relação "assimétrica", como descreve Yuxuan Tang, estretega cambial no JPMorgan Private Bank, não é nova. "Observámos o mesmo padrão - muito acentuado - a partir de 2022. Os preços do ouro mantiveram-se estáveis quando as taxas subiram. E tenderam a subir quando as taxas baixaram", disse à Bloomberg.
Índia quase triplica tarifas sobre ouro e prata para proteger economia
O Governo da Índia aumentou esta quarta-feira as tarifas sobre as importações de ouro e prata de 6% para 15%, uma medida de emergência para conter a desvalorização da rupia e a drenagem das reservas cambiais, agravadas pelo conflito no Irão.
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Petróleo recua após ter avançado cerca de 8% nas últimas três sessões
Os preços do petróleo estão a desvalorizar esta quarta-feira, depois de terem acelerado quase 8% nas últimas três sessões, numa altura em que as negociações para acabar com o conflito no Médio Oriente chegaram a um impasse. Os EUA recusaram a contraproposta do Irão para terminar de vez com as hostilidades e vários representantes norte-americanos têm apontado para uma retoma dos ataques no golfo Pérsico, com Donald Trump a afirmar que o cessar-fogo está em modo "suporte de vida".
A esta hora, o Brent - de referência para a Europa - cai 1,19% para 106,48 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) - que serve de referência para os EUA - cede 1,11% para 101,01 dólares. Por sua vez, o gás natural negociado em Amesterdão acompanha a trajetória dos preços do crude e cai 0,86% para 46,28 euros por megawatt.
A atenção dos investidores vira-se agora para a cimeria entre Trump e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, mas não se espera que o tema da guerra no Irão tenha grande destaque. Pelo menos, foi essa a indicação do Presidente dos EUA, que, diz, prefere focar-se nas relações comerciais com os dois países. Aos jornalistas, o líder norte-americano reafirmou esta terça-feira que "o Irão está sob controlo" - apesar de as negociações estarem bloqueadas e o estreito de Ormuz, vital para o comércio global, continuar encerrado.
A pressão interna sobre Trump também está a aumentar, principalmente depois de a inflação no país ter atingido o nível mais elevado desde 2023, à boleia de uma escalada nos preços dos combustíveis. O índice dos preços no consumidor acelerou para 3,8% em abril em termos homólogos, ficando ligeiramente acima das estimativas dos economistas. Foi o suficiente para aumentar as probabilidades de a Reserva Federal (Fed) avançar com uma subida nas taxas de juro este ano, embora o consenso continue a apontar para um aperto monetário apenas em 2027.
"A inflação está a regressar com força - impulsionada, em grande parte, pelos preços do petróleo que se mantêm elevados -, o que irá dominar o panorama da inflação durante o resto do ano, à medida que o conflito no Médio Oriente continua a desenrolar-se", explica Skyler Weinand, da Regan Capital, à Bloomberg.
Excedente da balança corrente do Japão cresce 30% em março
O Japão registou um excedente da balança corrente de 4,68 biliões de ienes (25,3 milhões de euros) em março, quase 30% acima do registo homólogo anterior, informou esta quarta-feira o Governo japonês.
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Tecnológicas animam Ásia e levam Europa a apontar para uma abertura em alta
A sessão ainda arrancou no vermelho, mas a entrada dos "dip-buyers" (investidores que aproveitam desvalorizações recentes para reforçar posições) no mercado levou os principais índices asiáticos a terminarem a negociação maioritariamente em território positivo. O setor tecnológico tomou o palco principal, numa altura em que todas as atenções viram-se para a cimeira entre Donald Trump, Presidente dos EUA, e o líder chinês, Xi Jinping.
O MSCI Asia Pacific está a negociar com ganhos de 0,57% esta manhã, com a negociação de futuros do Euro Stoxx 50 a apontar para uma abertura em alta. O sul-coreano Kospi - "cabeça de cartaz" para a tecnologia e para o setor da inteligência artificial (IA) - conseguiu reverter as perdas iniciais e avançar para território positivo, terminando a sessão com ganhos de 2,6%, depois de na terça-feira ter chegado a perder 300 mil milhões de dólares em menos de duas horas.
Os dois grandes pesos pesados da bolsa da Coreia do Sul, as tecnológicas SK Hynix e Samsung, aproveitaram o entusiasmo dos investidores com as tecnológicas e dispararam, com a primeira a escalar mais de 9% e a atingir um novo máximo histórico. "O FOMO ['Fear Of Missing Out', 'Medo de ficar de fora' em tradução livre] tecnológico está a revelar-se mais importante do que a situação no Irão na mente dos investidores neste momento", explica Francis Tan, estratega-chefe para a Ásia da Indosuez Wealth, à Bloomberg.
Na frente geopolítica, Trump disse aos jornalistas na segunda-feira que iria prioritizar discussões relacionadas com a guerra comercial com o seu homólogo chinês, Xi Jinping, minimizando a atenção que os dois líderes vão dedicar à guerra no Irão. Ainda esta terça-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, apelou ao Paquistão que intensifique os esforços de mediação para alcançar o fim do conflito no Médio Oriente, numa altura em que as negociações chegaram a um impasse.
Entre os principais índices asiáticos, o japonês Nikkei 225 acelerou 0,78%, enquanto os chineses Hang Seng, de Hong Kong, e Shanghai Composite ganharam 0,01% e 0,69%, respetivamente. Na Austrália, o ASX não acompanhou o otimismo sentido nas restantes praças da região e acabou por cair 0,46%.
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