Mercados num minuto Abertura dos mercados: Depois de Draghi, todos aguardam Powell. Bolsas e juros corrigem ligeiramente e petróleo sobe

Abertura dos mercados: Depois de Draghi, todos aguardam Powell. Bolsas e juros corrigem ligeiramente e petróleo sobe

As bolsas europeias estão a registar quedas ligeiras após as subidas significativas de ontem provocadas pelas palavras de Draghi. Já o petróleo continua a valorizar.
Abertura dos mercados: Depois de Draghi, todos aguardam Powell. Bolsas e juros corrigem ligeiramente e petróleo sobe
Reuters
Tiago Varzim 19 de junho de 2019 às 09:56

Os mercados em números
PSI-20 cede 0,3% para os 5.110,73 pontos
Stoxx 600 recua 0,17% para os 384,14 pontos
Nikkei subiu 1,72% para 21.333,87 pontos
"Yield" a 10 anos de Portugal sobe 1,5 pontos base para 0,542%
Euro avança 0,05% para 1,12 dólares
Petróleo valoriza 0,55% para 62,47 dólares por barril em Londres

Bolsas europeias cedem ligeiramente  
Os "estímulos adicionais" admitidos ontem pelo presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, continuaram a suportar as bolsas europeias no arranque da sessão, mas a tendência já inverteu.

O Stoxx 600, o índice que agrega as 600 principais cotadas europeias, desvaloriza agora 0,17% para os 384,14 pontos, assim como a maior parte das praças europeias, incluindo o PSI-20 que desce 0,3% para os 5.110,73 pontos. De certa forma esta é uma ligeira correção face às fortes subidas de ontem e representa também uma posição de cautela por parte dos investidores. 

Esta terça-feira, 18 de junho, as palavras de Draghi na sexta edição do Fórum BCE, em Sintra, tiveram repercussão nos mercados. Tal aconteceu porque cresce a expectativa de que o BCE avance em breve com um corte dos juros ou com a compra de mais dívida pública, caso a desaceleração económica continue e a inflação não descole.

É a esses mesmos indicadores que a Reserva Federal norte-americana está atenta. Esta quarta-feira, 19 de junho, termina a reunião da Fed e, embora não se espere nenhuma mudança, é expectável que Jerome Powell dê indicação sobre os próximos passos e a forma como vê a evolução da economia e dos sinais dados pelo BCE. Recentemente, Powell admitiu a possibilidade de baixar os juros, mas apenas se for estritamente necessário


Além do rumo da política monetária, o assunto que continua a marcar a conversação entre os investidores, a disputa comercial entre os EUA e a China, pode conhecer mais um capítulo em breve. Ontem o presidente norte-americanao Donald Trump revelou que teve um conversa telefónica com o presidente chinês Xi Jinping e que ambos vão reunir-se na próxima semana à margem da cimeira do G-20. 

Juros europeus corrigem após fortes quedas
Os juros da dívida dos países da Zona Euro estão a corrigir ligeiramente, depois do alívio significativo da sessão de ontem. A "yield" a dez anos da dívida portuguesa sobe 1,5 pontos base para os 0,542% e a da dívida alemã avança 1,4 pontos base para os -0,307%.

Apesar desta ligeira subida, grande parte da dívida europeia negoceia em terreno negativo. É isso que mostram os dados da Bloomberg: o montante de dívida soberana com juros negativos está nos 12,5 biliões de dólares (cerca de 11,17 biliões de euros), o valor mais elevado de sempre


Para isso contribuiu o discurso de ontem de Draghi: poucas horas depois, os juros a dez anos da dívida francesa chegaram pela primeira vez aos 0% e passaram a negociar em terreno negativo. O mesmo aconteceria à dívida sueca - país que está fora da Zona Euro, mas que faz parte da União Europeia - e austríaca. Em termos simples, isto quer dizer que os investidores não "cobram" a estes países para emprestar dinheiro durante uma década.

O "rally" das obrigações europeias enfrentará esta quarta-feira, 19 de junho, um obstáculo do outro lado do Atlântico. A Reserva Federal divulgará ao final da tarde a decisão da reunião de política monetária, o que poderá mexer com as expectativas dos investidores. 

Após a guerra comercial, vem aí a guerra das divisas?
Após ter iniciado há um ano a guerra comercial que desde então domina o debate económico, Donald Trump atacou ontem o euro, comparando-o à divisa chinesa. O presidente norte-americano abriu assim a porta a uma guerra de divisas.

Por diversas vezes, Trump tem insistido que os EUA estão a ser prejudicados pelos outros países que desvalorizam a sua divisa face ao dólar, tornando as exportações norte-americanas menos competitivas. Ao contrário dos seus antecessores, Trump não quer um "dólar forte", uma característica que deu à divisa norte-americana o estatuto de ativo de refúgio. 

O euro segue a valorizar 0,05% para os 1,12 dólares. Ainda assim, no acumular do ano, a divisa europeia desvaloriza mais de 2% face à divisa norte-americana. 

Petróleo sobe ligeiramente
O barril continua a valorizar em Nova Iorque e em Londres, depois de ter registado ontem a maior subida em mais de cinco meses. Após muita especulação, os países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e os seus aliados decidiram marcar a reunião nos primeiros dois dias de julho para decidir se os cortes na produção - medida que tem como objetivo a subida da cotação - serão prolongados.

A indecisão tinha penalizado o petróleo numa altura em que os mercados lidam já com turbulência vinda de outros lados, como é o caso da disputa comercial. Além disso, não ajudou a recente tensão geopolítica com os EUA e a Arábia Saudita a acusarem o Irão de atacar dois navios com petróleo no Golfo de Omã.

O barril do Brent, negociado em Londres e referência para Portugal, está a subir 0,55% para 62,47 dólares. Já o West Texas Intermediate (WTI) avança 0,45% para 54,13 dólares.

Ouro afasta-se de máximos de 14 meses
O metal precioso está a negociar perto de máximos de 14 meses numa altura em que os bancos centrais - que têm reforçado as suas reservas de ouro - fazem alertas sobre o andamento da economia. Após o sinal dado por Draghi, os investidores aguardam agora as palavras de Powell. 

O ouro, que é visto como um ativo de refúgio, tem beneficiado da possibilidade dos juros diretores baixarem ainda mais uma vez que isso torna os investimentos em moeda menos lucrativos. "Os dados económicos mais fracos dos EUA têm suportado o ouro e, ao mesmo tempo, dão mais razões à Fed para agir mais cedo", considera Stephen Innes, managing partner da Vanguard, em declarações citadas pela Bloomberg.

Contudo, no arranque da sessão de hoje, o ouro desvaloriza 0,25% para os 1.343,27 dólares por onça, afastando-se de máximos de 14 meses. 




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