Petróleo cai quase 1%. Irão diz que recebeu "sinais" de que os EUA estão prontos a acabar com o bloqueio
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta quarta-feira.
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Esperanças de um acordo no Irão atiram dólar para perdas
O dólar norte-americano está a perder terreno face aos seus principais rivais esta quarta-feira, embora as movimentações sejam bastante limitadas, numa altura em que o prolongamento do cessar-fogo no Irão e sinais de que Washington pode vir a acabar com o bloqueio no estreito de Ormuz estão a retirar alguma atratividade ao ativo de refúgio predileto dos investidores, desde o estalar da guerra.
A esta hora, o índice do dólar da Bloomberg - que mede a força da "nota verde" face a um cabaz de divisas concorrentes - está a cair 0,22%, elevando as perdas desde máximos de março para cerca de 2,4%. Por sua vez, o euro avança 0,08% para 1,1753 dólares, depois na passada sexta-feira ter tocado no valor mais elevado desde o início do conflito no golfo Pérsico, enquanto a libra ganha 0,09% para 1,3520 dólares e a moeda norte-americana cai 0,06% para 159,27 ienes.
"É provável que a volatilidade nos mercados aumente, uma vez que ambas as partes procuram reforçar a sua posição nas negociações", escreveu Chang Wei Liang, estratega cambial e de crédito do DBS Bank, numa nota a que a Bloomberg teve acesso. "No entanto, qualquer recuperação do dólar americano deverá ser moderada, uma vez que, por enquanto, continua a ser improvável um novo agravamento do conflito", acrescenta.
Na terça-feira, através de uma publicação na sua própria rede social, o Presidente norte-americano anunciou que iria prolongar o cessar-fogo no Médio Oriente, de forma a dar tempo para que a liderança "fraturada" do Irão apresente uma proposta "unificada". No entanto, os EUA vão manter o bloqueio à navegação de e para o país, anunciou ainda Donald Trump, apesar de uma agência de notícias iraniana ter afirmado que o regime de Mojtaba Khamenei recebeu "um sinal" de que Washington estaria disposto a deixar cair por terra o embargo.
Ouro recupera terreno perdido com prolongamento do cessar-fogo
O ouro está a recuperar algum do terreno perdido nas últimas sessões, numa altura em que os investidores mostram algum otimismo em relação à possibilidade de um acordo para acabar com o conflito no Médio Oriente. Apesar de uma nova ronda de conversações ter sido suspensa na terça-feira, o prolongamento do cessar-fogo por parte dos EUA e as notícias de que Washington terá dado "um sinal" a Irão de que está pronto para acabar com o bloqueio no estreito de Ormuz estão a animar o sentimento de negociação.
A esta hora, o metal amarelo acelera 0,95% para 4.764,82 dólares por onça, depois de ter perdido mais de 2% na sessão anterior. Apesar de o aumento das tensões geopolíticas ter, tradicionalmente, um impacto positivo no ouro, a disrupção em Ormuz está a levar os preços do petróleo e do gás natural a dispararem - o que já está a ter um grande impacto na inflação e pode levar bancos centrais por todo o mundo a apertarem a política monetária.
Desde o início da guerra, o ouro já perdeu cerca de 10% do seu valor, apesar de nas últimas semanas ter negociado num intervalo bastante limitado. É um sinal de que o mercado "já tem, em grande medida, descontado o atual nível de risco geopolítico e exige agora ou uma clara escalada ou uma mudança decisiva nas condições macroeconómicas para justificar uma reavaliação", explica Ahmad Assiri, analista da Pepperstone Group, à Bloomberg.
O metal precioso está ainda a ser pressionado pela promessa de Kevin Warsh - o nome escolhido pela Administração Trump para liderar a Reserva Federal (Fed) - de ser independente, rejeitando a ideia de que iria ser uma marioneta do Presidente norte-americano, numa audição perante o Comité da Banca do Senado dos EUA. Para já, a votação vai ser adiada até o processo contra Jerome Powell, atual presidente do banco central, estiver concluído. As ameaças de Trump à independência da Fed foram um dos catalisadores para o "rally" do ouro no ano passado.
Petróleo cai quase 1%. Irão diz que recebeu "sinais" de que os EUA estão prontos a acabar com o bloqueio
O barril de petróleo está a negociar em território negativo esta quarta-feira, depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter decidido prolongar o cessar-fogo com o Irão e o país do Médio Oriente ter revelado que recebeu "um sinal" de que Washington estava disponível para acabar com o bloqueio no estreito de Ormuz - abrindo espaço para as negociações continuarem, após uma nova ronda ter sido suspensa na terça-feira.
A esta hora, o Brent - crude de referência para a Europa - chegou a cair mais de 2% com as notícias, estando agora a negociar com perdas de apenas 0,87% para 97,61 dólares por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI) - de referência para os EUA - está a ceder 1,02% para 88,75 dólares. A suspensão das negociações na sessão anterior levou o petróleo a inverter a tendência de queda do início do dia e a acelerar cerca de 3%.
"As notícias sucedem-se a um ritmo alucinante, mas os barris continuam parados [no estreito de Ormuz]", explica Rebecca Babin, operadora sénior de energia no CIBC Private Wealth Group, à Bloomberg. "As idas e vindas em torno da prorrogação do cessar-fogo, de um potencial bloqueio e do papel do Irão estão a manter os mercados em suspense, mas a realidade é que os fluxos continuam limitados", acrescenta.
Na terça-feira, através de uma publicação na sua própria rede social, o Presidente norte-americano anunciou que iria prolongar o cessar-fogo no Médio Oriente, de forma a dar tempo para que a liderança "fraturada" do Irão apresente uma proposta "unificada". No entanto, os EUA vão manter o bloqueio à navegação de e para o país, anunciou ainda Donald Trump, apesar de uma agência de notícias iraniana ter afirmado que o regime de Mojtaba Khamenei recebeu "um sinal" de que Washington estaria disposto a deixar cair por terra o embargo.
O preço do petróleo tem registado grandes desde que estalou a guerra no Golfo Pérsic, levando a uma quase total paralisação do tráfego marítimo no estreito de Ormuz - uma artéria vital pela qual normalmente passa cerca de um quinto do fluxo global de crude. A volatilidade atingiu o seu nível mais elevado desde 2020, quando a pandemia de covid-19 afundou a procura pela matéria-prima.
Ásia e Europa celebram prolongar do cessar-fogo. Japonês Nikkei 225 atinge novo máximo
As principais praças asiáticas encerraram maioritariamente no verde e a Europa deve seguir o mesmo caminho, impulsionadas pela decisão do Presidente dos EUA, Donald Trump, de estender o cessar-fogo com o Irão. Isto aconteceu depois de a mais recente ronda de negociações entre os dois países ter sido suspensa, com o regime de Mojtaba Khamenei a recusar comparecer em Islamabad - local onde se iriam realizar as conversações.
“Com base no facto de o Governo do Irão estar seriamente fraturado, e não inesperadamente, a pedido do marechal de campo Asim Munir e do primeiro-ministro Shehbaz Sharif, do Paquistão, solicitaram-nos que adiássemos o nosso ataque ao país do Irão até que os seus líderes e representantes possam apresentar uma proposta unificada”, escreveu o líder norte-americano nas redes sociais. Mesmo assim, Trump decidiu manter o bloqueio de Washington ao estreito de Ormuz, que diz respeito apenas a embarcações iranianas.
A incerteza sobre a resolução do conflito continua a dominar nos mercados, mas o prolongamento do cessar-fogo e a abertura dos EUA para continuar as negociações - apesar da relutância iraniana, que acusa o país de ter exigências irrazoáveis - foram o suficiente para animar a negociação asiática.
"O choque inicial causado pela guerra provavelmente já passou, por isso estamos a entrar num período de incerteza caracterizado por oscilações", explica Vivian Lin Thurston, gestora de fundos da William Blair, à Bloomberg, acrescentando que "os mercados irão ignorar as incertezas de curto prazo e o ruído relacionado com a guerra".
Neste contexto, o japonês Nikkei 225 tocou mesmo num novo máximo histórico esta quarta-feira, impulsionado ainda por novos dados económicos, que indicam que as exportações nipónicas cresceram pelo sétimo mês consecutivo. As ações do SoftBank Group chegaram a disparar quase 10%, fechando a negociação com ganhos de 8,20%, depois de ter sido anunciado que Rene Haas, o atual CEO da Arm Holdings, vai assumir o cargo de diretor executivo das operações internacionais do banco japonês.
Nas restantes principais praças asiáticas, o sul-coreano Kospi e o chinês Shanghai Composite, conseguiram terminar em alta, com ganhos respetivos de 0,43% e 0,41%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, acabou por perder 1,29%. Pela Europa, a negociação de futuros conseguiu reverter as perdas da madrugada e, agora, o Euro Stoxx 50 aponta para uma abertura com ganhos de quase 0,2%.