Europa mergulha no vermelho com contas trimestrais e tensões geopolíticas. Airbus cede 6%
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta quinta-feira.
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Europa mergulha no vermelho com contas trimestrais e tensões geopolíticas. Airbus cede 6%
As bolsas europeias estão pintadas de vermelho, com o índice de referência a afastar-se dos recordes atingidos na sessão anterior, num dia em cheio de contas das grandes cotadas do bloco, que pressionaram o sentimento. Também a escalada de tensões entre os EUA e o Irão, com Donald Trump a dar apenas 10 dias ao Irão para chegar a um acordo nuclear, afasta os investidores de ativos de risco, como é o caso das ações.
"O cenário geopolítico ainda continua frágil neste momento", disse Richard Saldanha, gestor de fundos de ações da Aviva Investors, à Bloomberg. "A fraqueza que estamos a ver hoje está relacionada com o aumento do preço do petróleo, devido a preocupações com uma possível intervenção militar dos EUA no Irão", acrescentou.
O "benchmark" para a Europa, o Stoxx 600, recuou 0,53% para 625,33 pontos, com os setores das matérias primas (-2,12%), "utilities" (-1,83%) e dos serviços financeiros (-1,53%) a empurrar o índice de referência para as desvalorizações.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX perdeu 0,93%, o neerlandês AEX cedeu 0,28% e o italiano FTSEMI desvalorizou 1,22%. Já o britânico FTSE 100 registou uma queda de 0,55%, o francês CAC-40 desacelerou 0,36% e o espanhol IBEX 35 desceu 0,99%.
O Stoxx 600 foi pressionado também pela "earning seasons" menos positiva esta quinta-feira.
A Airbus tombou 6,75%, depois de ter anunciado hoje que o atraso no fornecimento de motores para a família de jatos A320 está a atrasar a produção e as entregas de aeronaves. Ainda assim, a empresa obteve lucros recorde 5,22 mil milhões em 2025 apesar da depreciação do dólar.
Já a Nestlé teve uma queda de 17% nos lucros no ano passado para 9,9 mil milhões de euros, bem como uma descida de 2% nas vendas para 98.085 milhões de euros. Ainda assim, as ações subiram 3,86%.
A Renault terminou o ano passado com um prejuízo de 10,9 mil milhões de euros, um resultado negativo que explicou com o impacto financeiro da participação na Nissan. Os títulos caíram hoje 3,1%.
O Grupo Rio Tinto caiu 3,7% ao registar um lucro estável no ano fiscal de 2025, com as melhorias no cobre e no alumínio a não conseguir compensar uma combinação de custos de reestruturação pontuais, as tarifas de Trump e o impacto negativo da China na sua principal unidade de minério de ferro.
Juros da dívida da Zona Euro sem tendência definida
Os juros da dívida soberana dos países da Zona Euro terminaram sem rumo definido. Algumas das obrigações do bloco foram pressionadas pela subida dos preços do petróleo e pela ata da última reunião da Reserva Federal dos EUA, que ressaltou os riscos da inflação a nível mundial.
Desta forma, os juros das obrigações alemãs a dez anos, referência para o contexto europeu, bem como as "yield" das obrigações francesas e italianas aumentaram 0,4 pontos-base cada para 2,741%, 3,312% e 3,347%, respetivamente.
Pela Península Ibérica, a tendência inverteu-se, tendo-se registado ligeiras descidas. A "yield" das Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos cederam 0,2 pontos para 3,092% e, em Espanha, os juros da dívida com a mesma maturidade aliviaram 0,3 pontos-base para 3,108%.
Fora da Zona Euro, no Reino Unido a rendibilidade das obrigações situa-se nos 4,368%, após uma descida de 0,5 pontos-base.
Fed dividida entre corte ou subida dos juros dá ganhos ao dólar
O dólar norte-americano continua a ganhar terreno, após a divulgação da ata da reunião da Reserva Federal mostrar que os membros do Comité Federal do Mercado Aberto (FOMC) não parecem ter pressa em cortar as taxas de juros, tendo até vários se mostrado abertos a aumentar os juros, caso a inflação se mostre persistente.
O euro cede 0,15% para 1,1776 dólares e, face à divisa nipónica, a "nota verde" soma 0,1% para 154,96 ienes. Já a libra recua 0,38% para 1,3454 dólares. O índice do dólar DXY sobe 0,19% para 97,889 pontos.
Os investidores também estavam preocupados com um aumento da presença militar dos EUA no Médio Oriente e com um potencial conflito entre a maior economia do mundo e o Irão, o que elevou os preços do petróleo e a procura por ativos-refúgio, como o dólar.
O euro, por sua vez, caiu ligeiramente face à moeda norte-americana, após ter sofrido uma forte queda no dia anterior, na sequência da notícia de que a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, planeia deixar o cargo antes do final do seu mandato, em outubro de 2027.
O mercado aguarda agora pelos dados do PIB e da inflação do lado de lá do Atlântico, publicados esta sexta-feira. Os dados de dezembro, hoje publicados, mostraram ainda um aumento do défice comercial.
Petróleo tem maior salto desde outubro com EUA e Irão mais perto de conflito
Os preços do petróleo estão a ganhar terreno esta tarde, numa altura em que os investidores acreditam que o conflito entre os EUA e o Irão está a intensificar-se. Tudo começou esta quarta-feira, depois de a Axios noticiar que os EUA estarão a preparar uma grande operação militar no Irão, que poderá avançar em breve - ao mesmo tempo que os dois países marcam reuniões para tentar chegar a um acordo nuclear.
O West Texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – salta 2,15%, para os 66,59 dólares por barril, enquanto o Brent – de referência para o continente europeu – valoriza 1,85% para os 71,644 dólares por barril. As duas referências chegaram hoje a subir mais de 4%, marcando o maior salto desde outubro.
A possibilidade de uma guerra iria colocar em risco o abastecimento de petróleo por parte de um dos maiores produtores mundiais - o Irão é responsável por produzir um terço do crude a nível mundial. No entanto, Donald Trump pode não arriscar uma ação militar, que iria fazer os preços dos combustíveis dispararem em ano de eleições intercalares na maior economia do mundo.
“A incapacidade de resolver os principais temas de discórdia continua a inclinar a balança a favor de outro confronto militar”, disseram os analistas da RBC Capital Markets, numa nota citada pela Bloomberg. “O aumento de recursos militares dos EUA na região, bem como o recente exercício naval iraniano no Estreito de Ormuz, parecem sugerir que um segundo conflito militar começou", adiantou ainda. Até agora, e apesar de ambas as partes dizerem que as conversações sobre o acordo nuclear foram positivas, não há conclusões concretas do que se tem discutido e negociado.
O mercado parece estar a ignorar, desta forma, o mais recente comentário do diretor executivo da Agência Internacional da Energia, que afirmou que o mercado se deve preparar para enfrentar um excesso "substancial" de crude este ano, devido à oferta alargada vinda da América, afirmou o diretor executivo da Agência Internacional de Energia.
Ouro acelera antes de dados da inflação e com divisão na Fed
Os preços do ouro estão a subir, mantendo-se perto dos 5 mil dólares por onça, enquanto os investidores avaliam a mais recente escalada na geopolítica - entre os EUA e o Irão - e o próximo passo da Reserva Federal em relação às taxas de juro.
A onça de metal amarelo valoriza 0,34% para 4.993,00 dólares.
O Presidente dos EUA, Donald Trump afirmou que os próximos dez dias serão decisivos para chegar a um acordo nuclear "significativo" com o Irão, dizendo ainda que o país é um "ponto crítico". O aumento da presença militar norte-americana na região significa que a janela de oportunidade para Teerão chegar a um acordo diplomático corre o risco de se fechar, de acordo com o chefe da agência nuclear das ONU.
O aumento dos riscos geopolíticos impulsionou a procura por ouro como ativo-refúgio, tendo chegado a subir 0,9% antes de reduzir parte dos ganhos.
O mercado também está atento ao rumo da política monetária nos EUA. Esta quarta-feira, as atas da Fed da última reunião indicaram que os decisores políticos estiveram divididos e cautelosos quanto a uma descida dos juros. O adiamento de uma flexibilização monetária colocaria o banco central em rota de colisão com Donald Trump, que tem insistido por uma descida. Irá ainda complicar a tarefa do nomeado para a presidência da Fed, Kevin Warsh. Os "traders" vão amanhã analisar os dados do PIB norte-americano, bem como o indicador de inflação preferido da entidade monetária para avaliar a inflação nos EUA - o PCE subjacente (índice de preços do consumo pessoal) de dezembro.
Noutros metais, a prata sobe 0,40% para 77,91 dólares por onça.
Tensões EUA-Irão travam recuperação das tecnológicas e atiram Wall Street para o vermelho
Os principais índices norte-americanos arrancaram a sessão em território negativo, num dia em que o "rally" de recuperação das tecnológicas foi interrompido pelo aumento das tensões entre EUA e Irão. Esta quinta-feira, a Agência Internacional de Energia Atómica alertou que a janela de oportunidade para Teerão alcançar um acordo diplomático está a fechar, após uma série de reuniões com o ministro iraniano das Relações Estrangeiras.
O S&P 500 arrancou a sessão com perdas de 0,43% para 6.851,85 pontos, enquanto o tecnológico Nasdaq Composite desliza 0,71% para 22.592,97 pontos e o industrial Dow Jones cede 0,58% para 49.374,15 pontos. Os investidores estão a avaliar se um novo conflito poderá mesmo estalar no Médio Oriente, numa altura em que crescem sinais de que tanto os EUA como o Irão estão a intensificar os exercícios militares na região.
Washington reforçou a presença de navios militares em águas próximas ao país do Médio Oriente, enquanto Teerão decidiu conduzir alguns exercícios navais com a Rússia que restringiram, de forma temporária, alguns embarques através do Estreito de Ormuz — um ponto crucial para as exportações de petróleo. O movimento está a fazer com que os preços do crude valorizem mais de 1%.
As tensões geopolíticas voltam, assim, a ser o tema dominante entre os investidores, depois de várias sessões a avaliar a existência de uma "bolha" nas ações de inteligência artificial (IA) e o impacto que esta tecnologia poderá ter nos modelos de negócio mais tradicionais - tanto fora do setor tecnológico como dentro. Apesar de uma recuperação nos últimos dias, estes receios fizeram com que o S&P 500 ficasse bastante atrás dos seus pares europeus e asiáticos no acumulado deste ano.
"O que é realmente interessante é que parece não haver nenhuma estratégia de longo ou curto prazo em jogo", explica Alexandre Baradez, analista-chefe de mercados da IG, à Bloomberg. "Isto continuará, pelo menos, até a próxima época de resultados. Até lá, todos os olhos estão voltados para os resultados da Nvidia na próxima semana", acrescenta.
Entre as principais movimentações de mercado, a Walmart acelera 1,64%, apesar de a maior retalhista dos EUA, agora liderada por John Furner, ter projetado um crescimento da receita líquida que ficou abaixo das estimativas dos analistas. No entanto, o programa de recompra de ações anunciado, avaliado em 30 mil milhões de dólares, parece estar a ser suficiente para animar os investidores.
Já o EBay ganha 2,04%, depois de a empresa ter revelado as suas previsões para o primeiro trimestre deste ano, que ficaram acima das expectativas, e após ter anunciado a aquisição do "marketplace" Depop por 1,2 mil milhões de dólares à rival Etsy.
Taxa Euribor sobe a três meses, desce a seis e mantém-se a 12 meses
A taxa Euribor subiu esta quinta-feira a três meses, desceu a seis e manteve-se a 12 meses em relação a quarta-feira.
Com estas alterações, a taxa a três meses, que avançou para 2,024%, continuou abaixo das taxas a seis (2,137%) e a 12 meses (2,198%).
A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, baixou, ao ser fixada em 2,137%, menos 0,004 pontos do que na quarta-feira.
Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a dezembro indicam que a Euribor a seis meses representava 38,77% do 'stock' de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.
Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,85% e 25,09%, respetivamente.
No prazo de 12 meses, a taxa Euribor manteve-se de novo em 2,198%, o mesmo valor da sessão anterior.
Já a Euribor a três meses avançou ao ser fixada em 2,024%, mais 0,018 pontos.
Em 05 de fevereiro, o BCE manteve as taxas diretoras, de novo, pela quinta reunião de política monetária consecutiva, como tinha sido antecipado pelo mercado e depois de oito reduções das mesmas desde que a entidade iniciou o ciclo de cortes em junho de 2024.
A próxima reunião de política monetária do BCE realiza-se em 18 e 19 de março em Frankfurt, Alemanha.
Em relação à média mensal da Euribor em janeiro, esta baixou a três, a seis e a 12 meses, de forma mais acentuada no prazo mais longo.
A média mensal da Euribor em janeiro desceu 0,020 pontos para 2,028% a três meses e 0,002 pontos para 2,137% a seis meses.
Já a 12 meses a média da Euribor recuou 0,022 pontos para 2,245% em janeiro.
Europa negoceia com perdas em toda a linha. Airbus tomba mais de 7%
Os principais índices europeus estão a negociar com perdas em toda a linha nesta sexta-feira, depois de o “benchmark” europeu ter ontem renovado máximos históricos. Os investidores mantêm-se atentos à época de resultados, enquanto seguem a avaliar a incerteza no Médio Oriente e as negociações para pôr fim à guerra na Ucrânia.
O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – recua 0,48%, para os 625,66 pontos.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX perde 0,83%, o espanhol IBEX 35 cede 0,45%, o italiano FTSEMIB desvaloriza 0,90%, o francês CAC-40 cai 0,88%, o neerlandês AEX desliza 0,32%, ao passo que o britânico FTSE 100 regista uma queda de 0,57%.
Entre os setores, o dos alimentos (+0,76%) lidera as valorizações, impulsionado pela subida do preço das ações da Nestlé, que avançam a esta hora mais de 2,60%, depois de a empresa ter anunciado que o crescimento das vendas irá provavelmente acelerar este ano. Por outro lado, tanto o setor dos recursos naturais como o automóvel perdem mais de 2%.
Apesar das perdas de hoje, o índice de referência da Europa caminha para o oitavo mês consecutivo de ganhos, o que, a confirmar-se, marcará sua maior sequência de valorizações mensais desde 2013. Embora as preocupações com a perturbação causada pela inteligência artificial tenham agitado alguns setores, o Stoxx 600 continua a superar os seus pares norte-americanos e atingiu um recorde na quarta-feira. “Estamos a começar a ver as pessoas a abandonarem os ativos intangíveis por medo da perturbação causada pela IA e a entrarem em alguns dos setores menos populares, como telecomunicações, serviços públicos e bens de consumo básico”, disse à Bloomberg Richard Saldanha, da Aviva Investors.
Entretanto, a época de divulgação dos resultados empresariais tem conseguido superar as expectativas. As empresas do índice regional MSCI Europe registaram um aumento de 3,6% nos lucros do quarto trimestre, em comparação com as estimativas dos analistas de 1,3%, de acordo com dados compilados pela Bloomberg Intelligence.
Entre os movimentos do mercado, a Air France-KLM dispara mais de 7%, após ter apresentado lucros melhores do que o esperado e permanecer otimista em relação às rotas do Atlântico Norte. Já Airbus tomba mais de 7,50%, ao anunciar que a falta de fornecimento de motores para a sua frota de A320 está a atrasar a produção e as entregas de aeronaves.
Juros agravam-se na Zona Euro
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a registar agravamentos em toda a linha na sessão desta quinta-feira, num dia em que as bolsas do Velho Continente negoceiam com perdas.
Os juros da dívida portuguesa, com maturidade a dez anos, agravam-se em 1,5 pontos-base, para 3,110%. Em Espanha a "yield" da dívida com a mesma maturidade segue a mesma tendência e avança 1,6 pontos, para 3,127%.
Já os juros da dívida soberana italiana sobem 2,1 pontos, para 3,364%.
Por sua vez, a rendibilidade da dívida francesa agrava-se em 1,9 pontos, para 3,327%, ao passo que os juros das "bunds" alemãs, referência para a região, agravam-se em 1,6 pontos, para os 2,753%.
Fora da Zona Euro, os juros das "gilts" britânicas, também a dez anos, sobem 1,6 pontos-base, para 4,338%.
Dólar desliza depois de atas da Fed. Euro recupera terreno
O dólar regista perdas contidas nesta quinta-feira, depois de as atas da última reunião da Fed terem mostrado que os decisores de política monetária norte-americanos não pareciam estar com pressa para cortar as taxas de juros e que vários estavam abertos a aumentos se a inflação se mostrasse persistente.
O índice do dólar - que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes - desliza 0,07%, para os 97,630 pontos.
Ainda pelos EUA, e antes de se conhecerem os pedidos de subsídio de desemprego, durante o dia de hoje, e os números do PIB e inflação na sexta-feira, dados divulgados na quarta-feira mostraram que a produção industrial dos EUA registou o maior aumento em 11 meses em janeiro.
Entretanto, o iene sofreu uma queda durante a noite, enfraquecendo pelo segundo dia consecutivo, depois de a Administração Trump ter anunciado projetos japoneses nos EUA avaliados em 36 mil milhões de dólares como os primeiros investimentos inseridos no recente acordo entre os dois países.
A esta hora, o dólar desvaloriza 0,01%, para os 154,790 ienes. A divisa nipónica já perdeu cerca de 1,5% até agora nesta semana.
Por cá, o euro valoriza 0,16%, para os 1,180 dólares, recuperando de uma queda acentuada no dia anterior, na sequência de notícias de que a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, planeava deixar o cargo antes do fim do seu mandato. Já a libra soma 0,06%, para os 1.350 dólares.
Ouro e prata somam ganhos com tensão entre Washington e Teerão a alimentar maior procura
O ouro e a prata estão a negociar com ganhos na manhã desta quinta-feira, depois de fortes ganhos na sessão de ontem, com as tensões entre os EUA e o Irão a impulsionarem a procura por metais preciosos enquanto ativos-refúgio, à medida que os “traders” avaliam também o possível rumo da política monetária norte-americana.
A esta hora, o metal amarelo, valoriza 0,70%, para os 5.012,260 dólares por onça. A prata, por sua vez, avança 2,67%, para os 79,265 dólares por onça.
A Casa Branca revelou que, apesar de algum progresso ter sido feito durante as negociações com o Irão esta semana, em Genebra, ainda há divergências em algumas questões, enquanto o ministro dos Negócios estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, alertou que qualquer novo ataque dos EUA ao Irão teria consequências graves.
Entretanto, as atas da Fed de janeiro mostraram que os decisores de política monetária do banco central dos EUA estavam quase unanimemente de acordo em manter as taxas de juro inalteradas, mas continuavam divididos quanto aos próximos passos, com “vários” a mostrarem abertura para aumentos das taxas se a inflação se mantiver elevada, enquanto outros se mostravam inclinados a apoiar novos cortes se a inflação recuar. O ouro, que não rende juros, tende a ter um bom desempenho em ambientes de taxas diretoras baixas.
De acordo com a ferramenta FedWatch da CME, os mercados esperam atualmente que o primeiro corte nas taxas de juro deste ano ocorra em junho.
A atenção dos "traders" volta-se agora para os pedidos semanais de subsídio de desemprego, que serão divulgados ainda hoje, e para o relatório de despesas de consumo pessoal de sexta-feira, que é o indicador de inflação preferido da Fed.
Incerteza no Médio oriente continua a impulsionar preços do crude
O petróleo negoceia com ganhos esta manhã, depois de ambos os preços de referência terem subido mais de 4% durante a sessão de quarta-feira, à medida que os “traders” avaliam o impasse nas negociações sobre o programa nuclear de Teerão, enquanto tanto os EUA como o Irão parecem intensificar as atividades militares na região.
O West texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – ganha 0,72%, para os 65,66 dólares por barril. Já o Brent – de referência para o continente europeu – valoriza 0,70% para os 70,84 dólares por barril.
A principal preocupação para o mercado petrolífero é que um agravamento das tensões possa interromper o transporte marítimo no Estreito de Ormuz, região por onde passa cerca de 20% do consumo mundial de crude.
O Irão emitiu um aviso a pilotos a informar que planeia lançar projéteis na região sul do país na quinta-feira, de acordo com o site da Administração Federal de Aviação dos EUA, num dia em que o país do Médio oriente arranca com exercícios navais feitos em conjunto com a Rússia. Ao mesmo tempo, os EUA enviaram navios de guerra para perto do Irão, com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, a dizer que Washington estava a ponderar se deveria continuar as negociações com Teerão ou procurar antes “outra opção”.
Noutros pontos, dois dias de negociações de paz em Genebra entre a Ucrânia e a Rússia terminaram na quarta-feira sem avanços claros, com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a acusar Moscovo de atrasar os esforços mediados pelos EUA para acabar com a guerra que já dura há quatro anos.
Já os “stocks” de petróleo bruto, gasolina e destilados dos EUA terão caído na semana passada, contrariando as expectativas de que as existências de petróleo bruto norte-americanas aumentariam em mais de 2 milhões de barris na semana terminada a 13 de fevereiro. Os relatórios oficiais dos dados de petróleo dos EUA da Administração de Informação Energética serão divulgados nesta quinta-feira.
Ásia fecha em alta com novo recorde na Coreia do Sul. Samsung pula 4% e renova máximo histórico
Os principais índices japoneses e sul coreano encerraram a sessão desta quinta-feira em alta, com os mercados asiáticos a seguirem a recuperação das tecnológicas registada durante o dia de ontem em Wall Street, à medida que a volatilidade associada às empresas ligadas à área da inteligência artificial (IA) parece diminuir. Pela Europa, os futuros do Euro Stoxx 50 deslizam 0,10%. Os mercados financeiros permaneceram encerrados na China continental, Hong Kong e Taiwan, devido ao feriado do Ano Novo Lunar.
O Nikkei subiu 0,57% e o Topix valorizou 1,18%. Já o sul-coreano Kospi - índice com grande peso de cotadas ligadas à IA – pulou 3,09% e atingiu um novo recorde de 5.681,65 pontos, impulsionado pela Samsung Electronics, que fechou o dia com uma valorização de mais de 4%, tendo as ações da tecnológica atingido um novo máximo histórico. Isto num dia em que se soube que a justiça da Coreia do Sul condenou Yoon Suk-yeol à pena de prisão perpétua, após declarar o Presidente deposto do país culpado de liderar uma insurreição e impor ilegalmente a lei marcial.
O apetite pelo risco parece estar a recuperar após um período de volatilidade, sugerindo que as preocupações com a disrupção causada pela IA estão a diminuir. Relatos de que a OpenAI, dona do ChatGPT, está perto de finalizar a primeira fase de uma nova ronda de financiamento na qual que poderá arrecadar mais de 100 mil milhões de dólares apoiaram o sentimento dos investidores em relação a esta área.
Os mercados asiáticos “encontraram alguma estabilidade com o avanço das sessões dos EUA e mesmo a divulgação de atas ‘hawkish’ da Fed não foi suficiente para acabar com a recuperação”, disse à Bloomberg Matthew Haupt, da Wilson Asset Management. “A onda de vendas parece ter acabado”, acrescentou.
Olhando para o Japão, os ativos de risco subiram pelo segundo dia consecutivo, com o novo acordo da Nvidia com a Meta a aumentar o apetite pelas ações de tecnologia, enquanto os bancos foram influenciados positivamente por uma reportagem da Kyodo que avançou que a Agência de Serviços Financeiros estará a ponderar a alocação de novos fundos para apoiar fusões e aquisições de bancos regionais no Japão, com o Sumitomo Mitsui a avançar mais de 4%.
“As especulações sobre o novo contrato da Nvidia e da Meta estão a impulsionar as ações de tecnologia para o topo do desempenho”, disse à agência de notícias financeiras Hiroshi Namioka, da T&D Asset Management. “O iene mais fraco é outro fator favorável para as ações japonesas, e o facto de o dólar ter valorizado com sinais de força na economia dos EUA é positivo para o sentimento”.
As crescentes expectativas de mais projetos de investimento nos EUA por parte de empresas japonesas também apoiaram os ganhos. Nesta linha, cotadas ligadas à área da energia, como a Hitachi (+1,63%) e a Japan Steel Works (+9,20%), também tiveram um desempenho sólido, apoiadas por uma reportagem da NHK de que o Governo japonês está a considerar a construção de reatores nucleares de última geração como parte de seu compromisso de investimento de 550 mil milhões de dólares nos EUA.
“Os setores alinhados com os planos do Governo para investimento e financiamento nos EUA estão a ganhar vantagem”, referiu Namioka. “As expectativas de oportunidades de negócios estão a crescer”, notou o especialista. Em contrapartida, as ações da Advantest – fabricante de equipamentos para a indústria de semicondutores - caíram mais de 3%, depois de a empresa ter anunciado que pode ter sofrido um ataque cibernético.
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