Alívio da tensão no Irão afunda preços do petróleo. Prata também tomba quase 4%
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta quinta-feira.
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Juros das dívidas soberanas agravam-se na Zona Euro
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro arrancaram esta quinta-feira com uma tendência de subida.
Os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, avançavam 1,6 pontos-base para 2,828%, enquanto a "yield" das obrigações francesas subia 1,4 pontos para 3,502%. Já em Itália, os juros aumentavam 1,3 pontos para os 3,461%.
Pela Península Ibéria, registou-se a mesma tendência, com a "yield" das obrigações portuguesas, também a dez anos, a subir 1,3 pontos base para 3,212%, tal como a das espanholas que estavam nos 3,226%.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas, também a dez anos, apresentavam o maior agravamento: subiam 1,7 pontos base, para 4,356%.
Inflação em Espanha em dezembro nos 2,9%
Os preços em Espanha subiram 2,9% em dezembro, menos uma décima do que em novembro, revelou esta quinta-feira o Instituto Nacional de Estatística de Espanha (INE), que confirmou assim uma estimativa anterior.
Esta evolução da inflação homóloga (subida dos preços comparando com o mesmo período do ano anterior) deveu-se, fundamentalmente, à descida dos combustíveis, disse o INE.
A inflação em Espanha desceu em dezembro pelo segundo mês consecutivo, depois de se ter situado nos 3% em novembro.
Ao longo de 2025, a inflação em Espanha atingiu a taxa mais baixa em maio, quando se situou nos 2%, e a mais alta em outubro (3,1%).
A taxa média de inflação no ano de 2025 foi 2,7%.
Quanto à inflação subjacente (sem a energia e os produtos alimentares frescos, tradicionalmente os mais voláteis do cabaz de compras), manteve-se nos 2,6% em dezembro.
Esta taxa está assim, segundo os dados do INE, no valor mais alto desde dezembro de 2024, depois de cinco meses a subir.
Na evolução em cadeia (comparação com o mês anterior), os preços em Espanha aumentaram 0,3% em dezembro, depois de terem subido 0,2% em novembro.
Prata afunda quase 4% após novo recorde e sem sinais de tarifas nos minerais críticos
O preço da prata está em queda significativa na sessão desta quinta-feira, depois de ter batido um novo recorde e perante a avaliação de uma possível imposição de tarifas sobre minerais críticos por parte da administração de Donald Trump.
A prata chegou a tocar nos 93,7515 dólares por onça, um novo máximo para o metal "branco", mas entrou depois numa forte oscilação: já chegou a ceder 7,29%, tendo depois recuperado um pouco, com a queda às 08:36 horas a ser de 3,98% para os 89,46 dólares por onça.
Esta "montanha russa" na prata é, acima de tudo, justificada por duas razões. Por um lado, a tomada de mais-valias por parte dos investidores após um novo recorde. Por outro, o facto de os EUA ainda estarem a ponderar a aplicação de tarifas sobre minerais críticos e que afetaria diretamente a prata.
O valor da prata vai, no entanto, manter-se em alta, "sustentado por défices de oferta, consumo industrial e pela procura por efeito de contágio a partir do ouro", considera Cristopher Wong, da área de estratégia do Oversea-Chinese Banking Group. Mas a volatilidade recente mostrada pela prata sugere cautela aos investidores, segundo o mesmo analista, citado pela Bloomberg.
Atualmente, o Departamento do Comércio dos EUA está a analisar se as importações de metais e minerais críticos podem ser vistos como uma ameaça à segurança nacional americana e, em caso positivo, isso pode traduzir-se na imposição de tarifas. Esta análise tem deixado as empresas e os investidores no limbo, com grandes quantidades de prata a serem mantidas em reserva nos EUA perante esta hipótese.
A ausência de novidades nesta análise "sugere que a administração irá adotar uma abordagem mais cirúrgica na tomada de futuras decisões", analisa Daniel Ghali, estratega de matérias-primas na TD Securities.
Neste contexto, também o ouro cede 0,52% para os 4.602,51 dólares na negociação desta manhã.
Trump adia ataque ao Irão e petróleo derrapa 3%
Os preços do petróleo estão a tombar mais de 3% esta manhã, isto depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter dito que, afinal, poderia adiar um possível ataque ao Irão, depois do país do Médio Oriente ter dado garantias à Casa Branca de que iria parar de matar manifestantes que protestam nas ruas de Teerão há três semanas. O republicano afirmou mesmo que a “repressão no Irão está a parar”.
O West Texas Intermediate (WTI) - de referência para o mercado dos EUA - tomba 3,16% para 60,06 dólares por barril, enquanto o Brent - "benchmark" para a Europa - mergulha 3,23% para 64,37 dólares.
Apesar de ainda haver receios quanto a uma ação militar dos EUA no Irão, a probabilidade de interrupções na produção iraniana e em rotas de navegação essenciais é agora muito menor, pressionando negativamente os preços.
Ainda assim, a situação no Irão continua instável e os EUA redistribuíram parte do pessoal das suas bases militares no Médio Oriente.
“A força do Brent, induzida por fatores geopolíticos, provavelmente continuará, e um teste até aos 75 dólares por barril é certamente possível”, disse Robert Rennie, do Westpac Banking, à Bloomberg, num cenário de incerteza geopolítica prolongada. A subida pode ser seguida de um colapso quando o sinal de “tudo bem” for dado ou o regime de Ali Khamenei cair, acrescentou.
Do lado da procura, a Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) afirmou esta quarta-feira que a procura por "ouro negro" vai crescer a um ritmo semelhante em 2027 em comparação com este ano e publicou dados que indicam um equilíbrio próximo entre oferta e a procura este ano - aliviando outras previsões que apontam para um grande excesso de oferta em 2026.
Ásia sem rumo pressionada pelas tecnológicas. TSMC tomba 1%
As bolsas asiáticas terminaram a sessão sem tendência definida, com as ações de tecnologia a sofrerem maior pressão, arrastadas pelas ações da TSMC, que apresentou resultados.
A maior fabricante mundial de semicondutores anunciou esta quinta-feira um aumento de 35% do lucro líquido para 16 mil milhões de dólares no último trimestre, acima das estimativas dos analistas e um novo recorde para a empresa taiwanesa.
No entanto, os bons resultados foram ofuscados em bolsa, com as ações da tecnológica a tombarem 1,17%, isto depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter anunciado que vai impor uma taxa alfandegária de 25% a semicondutores que circulem pelo país.
No Japão, a primeira-ministra, Sanae Takaichi, vai dissolver a Câmara Baixa do Parlamento e convocar eleições antecipadas, com o objetivo de consolidar a liderança e garantir um mandato para a nova coligação, já na próxima semana.
Neste contexto, as bolsas nipónicas terminaram sem rumo definido. Enquanto o Topix estendeu o recorde e ganhou 0,68% para 3.668,98 pontos, o Nikkei 225 cedeu 0,42% para 54.110,5 pontos. Na China, o Shangai Composite perdeu 0,33% para 4.112,6 pontos e em Hong Kong, o Hang Seng, recuou 0,25% para 26.933,38 pontos. O taiwanês Taiex cedeu 0,42% para 3.810,58 pontos. Na Coreia do Sul, o Kospi disparou 1,58% para 4.797,55 pontos, um novo recorde.
O won sul-coreano desvalorizou esta quinta-feira após uma subida na sessão anterior, depois de o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, falar em quedas excessivas na moeda, representando um raro apoio verbal à moeda asiática, que caminha para o nível mais baixo desde 2009. Já o Banco da Coreia manteve a taxa de juro inalterada, uma decisão já incorporada pelo mercado.
Pela Europa, o sentimento é mais otimista: os futuros do Euro Stoxx 50 avançam 0,4%, com os investidores ainda atentos aos resultados da banca norte-americana e aos dados da economia britânica. Apesar da queda das ações, os resultados trimestrais da TSMC devem impulsionar o setor da tecnologia europeia.
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