Líderes de bancos centrais defendem Jerome Powell. "É crítico preservar a independência"
Numa declaração conjunta, os representantes de vários bancos centrais sublinham a importância de proteger as políticas monetárias de influências políticas.
Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), Andrew Bailey, governador do Banco de Inglaterra, Erik Thedéen, governador do Banco Central da Suécia, Martin Schlegel, presidente do conselho de administração do Banco Nacional da Suíça, Tiff Macklem, governador do Banco Central do Canadá, Gabriel Galipolo, governador do Banco Central do Brasil, entre outros líderes de bancos centrais, assinaram uma declaração conjunta na qual saem em defesa do presidente da Reserva Federal, Jerome Powell.
"Estamos em plena solidariedade com o Sistema da Reserva Federal e com o seu presidente, Jerome H. Powell", lê-se no início da declaração. "A independência dos bancos centrais é um pilar fundamental da estabilidade de preços, financeira e económica, no interesse dos cidadãos que servimos", defendem os vários líderes de bancos centrais que assinam a declaração. "É por isso crítico preservar a independência com respeito total pela lei e responsabilidade democrática".
The ECB and other European and international central banks stand in full solidarity with the Federal Reserve System and its Chair Jerome H. Powell.
— European Central Bank (@ecb) January 13, 2026
The independence of central banks is in the interest of the people we serve. pic.twitter.com/j8anBP2dpB
"Para nós, [Powell] é um colega respeitado que é tido com a máxima consideração por todos aqueles que trabalharam com ele"
Na segunda-feira, a Reserva Federal foi notificada de uma intimação pelo Departamento de Justiça dos EUA, a propósito de um depoimento do seu líder, Jerome Powell, sobre as obras de renovação da sede do banco central americano. A ação judicial, que pode levar a um processo de destituição, teve resposta imediata de Powell, que associou o caso à recusa em fazer cortes mais agressivos nas taxas diretoras.
"Esta ameaça não tem a ver com o meu testemunho. Isto é um pretexto. A ameaça de processo é uma consequência do compromisso da Fed em definir as taxas de juro no melhor interesse do público, em vez de ir ao encontro das preferências do Presidente", afirmou o presidente da Fed num vídeo publicado na segunda-feira.
No entanto, nos últimos meses, foram várias as situações nas quais o Presidente dos EUA, Donald Trump, criticou a política monetária seguida pela Fed e a própria competência de Jerome Powell. O líder americano tentou, inclusive, a destituição de uma das governadoras do banco central norte-americano, na tentativa de garantir mais apoiantes da sua visão para a política monetária do país dentro do conselho de governadores da Fed.
(Notícia atualizada às 10:52 horas com mais informação)
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