Resultados e inflação nos EUA deixam Europa sem rumo. Orsted acelera mais de 5%
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta terça-feira.
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Resultados e inflação nos EUA deixam Europa sem rumo. Orsted acelera mais de 5%
As principais praças europeias terminaram a segunda sessão da semana divididas entre ganhos e perdas, num dia em que a mais recente leitura da inflação nos EUA não conseguiu "selar" um corte nas taxas de juro ainda este mês por parte da Reserva Federal (Fed) norte-americana. Mesmo assim, o mercado continua a apontar para dois alívios de 25 pontos base em 2026, com o primeiro a chegar em meados do ano.
O Stoxx 600, "benchmark" para a negociação europeia, terminou o dia com perdas pouco substanciais de 0,08% para 610,44 pontos, corrigindo face aos máximos históricos atingidos na sessão anterior. O setor da construção foi um dos principais penalizadores do desempenho do índice, depois de a suíça Sika ter afundado 9,5% em bolsa esta terça-feira.
A empresa dedica à produção de químicos para a indústria da construção registou uma quebra de 4,8% nas suas vendas anuais em 2025, terminando o ano com receitas de 11,20 mil milhões de francos suíços (cerca de 12,01 mil milhões de euros, à taxa de câmbio atual). A Sika acabou penalizada por um diminuição das vendas no mercado chinês e uma divisa mais forte face ao dólar (o franco suíço valorizou 14% no ano passado contra a "nota verde").
Já a dinamarquesa das energias renováveis Orsted acabou por amparar as quedas do Stoxx 600, ao acelerar mais de 5% nesta sessão, depois de um tribunal norte-americano ter decretado que a empresa pode retomar a construção de um projeto de parque eólico ao largo da costa de Rhode Island, enquanto contesta a mais recente ordem de suspensão dos trabalhos vinda da atual administração dos EUA.
A ligeira correção registada nesta terça-feira é apenas um pequeno percalço num ano que, até agora, se tem mostrado bastante positivo para o "benchmark" do Velho Continente. Apesar de ainda estarmos em meados de janeiro, o Stoxx 600 já valorizou mais de 3% em 2026 - superando, por larga margem, os ganhos registados pelo norte-americano S&P 500.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX subiu 0,06%, o espanhol IBEX 35 ganhou 0,08% e o neerlandês AEX subiu 0,37%. Já o italiano FTSEMIB desvalorizou 0,45% e o francês CAC-40 cedeu 0,14%, ao passo que o britânico FTSE 100 caiu 0,03%.
Juros agravam-se na Zona Euro após "sell-off" no Japão
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro terminaram a sessão com agravamentos, embora de menor magnitude do que os registados no arranque do dia, quando foram contagiados pelo movimento da "yield" japonesa. A primeira-ministra nipónica, Sanae Takaichi, está a ponderar dissolver o parlamento para capitalizar a grande popularidade que tem conquistado entre os eleitores, o que daria uma maioria mais reforçada ao Partido Liberal Democrata para avançar com grandes estímulos económicos.
Os investidores responderam com um aumento substancial nos juros do país a dez anos (maturidade de referência), que dispararam mais de 7 pontos base para 2,157%. Os agravamentos espalharam-se pelo mundo e chegaram ao Velho Continente, com a "yield" das "Bunds" alemãs também a dez anos a crescer 0,7 pontos para 2,845% e os juros da dívida francesa a saltarem 1,6 pontos para 3,520%.
Entre os países do sul da Europa, os juros da dívida portuguesa com a mesma maturidade ganharam 1,2 pontos base para 3,092%, enquanto os das obrigações espanholas escalaram 1 ponto para 3,240% e os da italiana aceleraram 1,1 pontos para 3,477%.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas seguiram a tendência, embora com uma maior magnitude, ao crescerem 2,5 pontos base para 4,397%.
Inflação dá força à recuperação do dólar. Iene em mínimos de ano e meio
O dólar está a negociar em território positivo face aos seus principais rivais esta terça-feira, corrigindo parcialmente das perdas do dia anterior, isto apesar de a inflação subjacente (que exclui os preços com maior volatilidade) até ter desacelerado em dezembro e ter ficado abaixo das expectativas dos analistas. Mesmo assim, a variação não foi suficientemente otimista para fechar um corte de juros já na reunião deste mês, com os investidores a apontarem para um alívio apenas para meados do ano.
A leitura mais recente da inflação foi "ligeiramente mais suave" do que antecipado, mas "não representa uma surpresa grande o suficiente para mudar significativamente a opinião dos investidores [face ao primeiro momento de corte nas taxas de juro este ano ] - especialmente dada a incerteza em torno [da fiabilidade] destes dados devido ao 'shutdown' do governo", explica Jordan Rochester, chefe de estratégia macroeconómica da Mizuho, à Bloomberg.
A esta hora, o euro recua 0,21% para 1,1642 dólares, após ter avançado no dia anterior, à boleia do que está a ser encarado como um novo ataque de Donald Trump, Presidente dos EUA, à independência da Reserva Federal (Fed) norte-americana. Na segunda-feira, o Departamento de Justiça avançou com uma ação judicial contra o banco central, citando problemas com o orçamento para a renovação da sede da instituição - um movimento que pode culminar com a destituição do líder da autoridade monetária, Jerome Powell.
Por sua vez, o iene caiu para mínimos de julho de 2024, ao ceder mais de 0,6% face ao dólar, pressionado pela intenção do Governo nipónico de adotar uma política orçamental cada vez mais expansiva, de forma a dar ímpeto à economia. A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, está mesmo a considerar dissolver o parlamento e convocar eleições já para fevereiro, de forma a capitalizar a sua popularidade para ter uma maioria reforçada e poder implementar políticas com mais flexibilidade.
Inflação e Irão dão novos máximos ao ouro e prata
O ouro e a prata atingiram esta terça-feira novos máximos históricos, à boleia de uma leitura da inflação nos EUA abaixo das previsões dos analistas e do aumento das tensões geopolíticas a nível global, após comentários do Presidente norte-americano sobre uma possível intervenção no Irão - caso a repressão às pessoas que estão a participar nas manifestações antigovernamentais não pare.
A esta hora, o ouro avança 0,42% para 4.616,96 dólares por onça, tendo chegado a ultrapassar a marca dos 4.620 dólares. Já a prata dispara 4,40% para um novo máximo de 88,88 dólares por onça, isto depois de na segunda-feira já ter chegado a valorizar quase 7%. Apesar de a mais recente leitura da inflação nos EUA ter deixado as expectativas de um corte nas taxas de juro inalteradas, foi suficiente para aliviar as "yields" do Tesouro norte-americano - tornando os metais preciosos mais atrativos.
Já na sessão anterior, tanto o ouro como a prata tinham registado ganhos avultados, depois de o Departamento de Justiça dos EUA ter intimado a Reserva Federal (Fed) devido às renovações da sede do banco central, que podem culminar com a destituição do seu presidente, Jerome Powell. No entanto, tanto os investidores como o líder do supervisor estão a ver esta ação judicial como um pretexto para aumentar a pressão sobre a Fed para cortar os juros - indo de encontro aos desejos de Donald Trump.
"Com o mandato de Powell como presidente da Fed a terminar em maio, a incerteza quanto à independência da Fed e à trajetória das taxas de juro dos EUA continuará, na nossa opinião, a ser um fator determinante para o mercado do ouro durante grande parte de 2026", escreveu David Wilson, diretor de estratégia de "commodities" da BNP Paribas, numa nota a que a Bloomberg teve acesso.
O banco norte-americano Citi prevê que o ouro alcance os 5 mil dólares por onça e a prata os 100 dólares nos próximos três meses. No entanto, preveem que, para a segunda metade do ano, exista um alívio nos riscos geopolíticos, que retire um pouco do gás que o mercado dos metais preciosos tem recebido nos últimos tempos.
Petróleo avança 3% com receios de disrupções no abastecimento do petróleo iraniano
O barril de petróleo chegou a valorizar mais de 3% esta terça-feira, tendo tocado em máximos de mais de dois meses, depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter aumentado a pressão sobre o regime iraniano e ter posto em cima da mesa uma possível intervenção no país. Os investidores estão a reagir com algum nervosismo às palavras do líder norte-americano, estando ainda a avaliar o possível impacto no abastecimento global de crude.
A esta hora, o West Texas Intermediate (WTI) - de referência para o mercado dos EUA - avança 2,72% para 61,12 dólares por barril, enquanto o Brent - "benchmark" para a Europa - acelera 2,72% para 65,61 dólares. Estes ganhos acontecem depois de Trump ter publicado nas redes sociais que tinha cancelado "todos os encontros com oficiais iranianos até que as mortes sem sentido de manifestantes parem" e que a "ajuda está a caminho" - não dando mais detalhes.
Estes comentários acontecem depois de, no final de segunda-feira, a Casa Branca ter anunciado tarifas de 25% sobre os produtos oriundos de países que negoceiem com o Irão. Isto foi suficiente para dar ímpeto aos preços do petróleo no arranque da sessão de hoje, com nações como a China, Brasil, Turquia e Rússia na mira norte-americana.
Washington tem vindo a aumentar a pressão sobre o regime de Ali Hosseini Khamenei, numa altura em que o país do Médio Oriente enfrenta grandes protestos anti-governamentais que já levaram à morte, às mãos das autoridades iranianas, de milhares de manifestantes, segundo uma série de organizações de direitos humanos com presença no país. O Irão é o sétimo maior produtor de crude a nível global, produzindo mais de 4 milhões de barris por dia.
Wall Street sem rumo com inflação a não mexer nas expectativas de cortes de juros
Os principais índices norte-americanos arrancaram a sessão desta terça-feira sem rumo, com os dados da inflação a falharem em alavancar as expectativas dos analistas em torno de novos cortes nas taxas de juro por parte da Reserva Federal (Fed). O mercado continua a ver apenas dois alívios este ano - com o primeiro a chegar apenas a meio de 2026 e não no final deste mês.
A esta hora, o S&P 500 recua 0,04% para 6.974,19 pontos, enquanto o industrial Dow Jones perde 0,61% para 49.287,54 pontos, depois de ambos terem conseguido tocar num novo máximo histórico na segunda-feira, apesar de as ameaças à independência da Fed terem deixado os investidores com os "nervos em franja". Já o tecnológico Nasdaq Composite destoa, ao acelerar 0,04% para 23.742,13 pontos.
A inflação nos EUA acabou por ficar dentro das expectativas, com o índice dos preços no consumidor a acelerar 2,7% em dezembro. No entanto, a surpresa veio na inflação subjacente - que exclui os preços com maior volatilidade - e que acabou por ficar ligeiramente abaixo das expectativas dos analistas, com o índice a manter-se nos 2,6%.
"É improvável que os dados da inflação subjacente divulgados hoje, abaixo do que era esperado, alterem as expectativas [dos analistas] em relação ao que a Fed pode fazer na reunião de janeiro", explica Seema Shah, da Principal Asset Management, à Bloomberg. "Com o desemprego ainda baixo, o crescimento acima do esperado, estímulos orçamentais a dar algum impulso e a inflação a permanecer acima da meta, a Reserva Federal pode manter confortavelmente as taxas inalteradas este mês e, provavelmente, nas próximas reuniões", acrescenta.
No mundo empresarial, o JPMorgan deu o pontapé de saída à primeira "earnings season" do ano. O gigante da banca norte-americana conseguiu superar as estimativas dos analistas, ao registar um lucro por ação de 5,23 dólares por ação no último trimestre de 2025, contra as previsões de 5 dólares. Mesmo assim, os títulos da instituição financeira estão a cair mais de 1%.
Na quarta-feira, é a vez dos rivais Bank of America, Citi e Wells Fargo também apresentarem resultados ao mercado, enquanto o Morgan Stanley, o Goldman Sachs e a BlackRock revelam contas relativas ao último trimestre do ano passado na quinta-feira.
Taxa Euribor desce a três meses e sobe a seis e a 12 meses
A taxa Euribor desceu esta terça-feira a três meses e subiu a seis e a 12 meses em relação a segunda-feira.
Com estas alterações, a taxa a três meses, que baixou para 2,016%, permaneceu abaixo das taxas a seis (2,143%) e a 12 meses (2,250%).
A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, avançou, ao ser fixada em 2,143%, mais 0,013 pontos que na segunda-feira.
Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a novembro indicam que a Euribor a seis meses representava 38,6% do 'stock' de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.
Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,84% e 25,17%, respetivamente.
No prazo de 12 meses, a taxa Euribor também subiu, para 2,250%, mais 0,001 pontos do que na sessão anterior.
Em sentido contrário, a Euribor a três meses baixou, para 2,016%, menos 0,004 pontos do que na segunda-feira.
Em relação à média mensal da Euribor de dezembro, esta voltou a subir a três, a seis e a 12 meses, mas de forma mais acentuada no prazo mais longo.
A média mensal da Euribor em dezembro subiu 0,006 pontos para 2,048% a três meses e 0,008 pontos para 2,139% a seis meses. A 12 meses, a média mensal da Euribor avançou 0,050 pontos para 2,267%.
Na reunião de 18 de dezembro, o Banco Central Europeu (BCE) manteve as taxas diretoras, de novo, pela quarta reunião de política monetária consecutiva, como tinha sido antecipado pelo mercado e depois de oito reduções das mesmas desde que a entidade iniciou este ciclo de cortes em junho de 2024.
A próxima reunião de política monetária do BCE realiza-se em 4 e 5 de fevereiro, em Frankfurt, Alemanha.
As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 19 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.
Europa no vermelho antes de inflação nos EUA. Orsted sobe 5%
As bolsas europeias estão a recuar dos máximos históricos atingidos ontem, enquanto os investidores esperam pelos dados da inflação nos EUA e avaliam alguns desenvolvimentos do mundo empresarial.
O mercado está a "ignorar" a escalada de tensões entre os EUA e o Irão, à espera de impactos reais decorrentes das tarifas de 25% a quem "faça negócio" com o Teerão, ontem anunciadas por Donald Trump. A atenção vai hoje também para o lado de lá do Atlântico, com a publicação da evolução da inflação no último mês do ano, que deverá dar mais pistas ao mercado sobre qual será o próximo passo da Reserva Federal na política monetária.
Nesta manhã, o Stoxx 600, de referência para o bloco, recua dos máximos históricos de ontem, ainda que de forma ligeira, cedendo 0,02% para 610,85 pontos. O setor da construção é o que mais arrasta o "benchmark", ao tombar 2,35%.
A suíça Sika mergulha 7,5%, depois de, no ano passado, as vendas de produtos químicos para construção terem cedido quase 5%.
Também a construtora Persimmon perde 1% após ter apresentado uma perspetiva cautelosa para 2026, ao anunciar que vendeu mais casas do que o esperado no ano passado.
O grande destaque da sessão vai para a Orsted, que chegou a avançar quase 6%, depois de a justiça dos EUA ter revertido uma decisão do Governo de proibir a dinamarquesa de construir um parque eólico em Rhode Island. Os analistas parecem, contudo, ainda bastante cautelosos quanto à conclusão e operacionalização deste projeto. As ações sobem agora 4,7%.
A Airbus sobe 0,5% numa reação dos investidores ao aumento das entregas da empresa no ano passado. Já a Mercedes-Benz cai 1%, depois de no ano passado ter registado uma queda de 10% nas vendas mundiais, com um total de 2,16 milhões de unidades comercializadas.
Quanto aos resultados por praça, o espanhol IBEX 35 avança 0,2%, o francês CAC-40 cede 0,37%, o britânico FTSE 100 está inalterado, o italiano FTSEMIB desvaloriza 0,04% e o alemão Dax cede 0,1%. O neerlandês AEX sobe 0,35%.
A apresentação de resultados da banca americana arranca hoje com as contas do JPMorgan, à qual os "traders" também irão estar atentos.
Juros agravam-se em toda a linha na Zona Euro
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro agravam-se em toda a linha na sessão desta terça-feira, depois de um 'sell-off' nas obrigações japonesas ter empurrado as yields globais para cima.
Os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, agravam-se em 1,9 pontos-base para 2,858%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade sobe 2,4 pontos para 3,528% e os juros das 'bonds' italianas avançam 2,2 pontos para os 3,488%.
Pela Península Ibéria, registou-se a mesma tendência, com a "yield" das obrigações portuguesas a dez anos a agravar-se em 1,9 pontos-base para 3,099% e as espanholas a subirem 2,0 pontos para 3,249%.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas, também a dez anos, sobem 2,3 pontos-base, para 4,395%.
Dólar estabiliza, iene perde força com fantasma de eleições no Japão
O braço de ferro entre a Casa Branca e a Reserva Federal (Fed), uma "novela" que já dura há vários meses e que tem como tema central a pressão da administração Trump para que o banco central seja mais agressivo no corte das taxas de juro, continua a dominar as atenções nesta terça-feira.
O Departamento de Justiça dos EUA intimou a Fed relativamente a um depoimento do líder do banco central, Jerome Powell, a propósito das obras de renovação da sede da instituição. O caso judicial pode, em última instância, levar a um processo de destituição. Powell ripostou, dizendo que a intimação nada tem a ver com a renovação da sede da Fed, mas sim com as pressões políticas sobre a política monetária.
Entretanto, a Casa Branca negou que Donald Trump esteja por trás da investigação lançada pelo Departamento de Justiça. Depois do choque provocado pelo caso ontem nos mercados, o índice do dólar americano (DXY), que compara o valor da moeda norte-americana com outras divisas, segue estável nesta terça-feira e avança 0,10% para os 98,9580 pontos.
Já a possibilidade de o Japão ir a eleições legislativas antecipadas, num movimento que poderia reforçar a posição da primeira-ministra Sanae Takaichi, está a retirar força ao iene face às outras divisas.
"À medida que o cenário de o LDP assegurar uma maioria absoluta se torna mais realista, as preocupações com uma maior expansão orçamental, sustentada pelo apoio público, deverão acelerar as vendas de obrigações japoneses e do iene", analisou Rinto Maruiama, da área de estratégia cambial da SMBC Nikko Securities, citado pela Bloomberg.
A esta hora, o euro cede uns ligeiros 0,01% para 1,1666 dólares e a libra avança 0,08% para 1,3476 dólares. O dólar valoriza 0,06% para 0,7979 francos suíços e avança 0,54% face à divisa japonesa, para 158,99 ienes.
Já noutros pares de câmbio, o euro recua 0,08% para 0,8657 libras e avança 0,54% para 185,50 ienes.
Ouro corrige ligeiramente após máximo histórico, prata sobe
O ouro negoceia em leve queda, após de ter disparado para um máximo histórico na segunda-feira, com os mercados a reagirem aos receios sobre a independência da Reserva Federal (Fed), depois do Departamento de Justiça ter ameaçado o presidente do banco central, Jerome Powell, com uma acusação criminal.
O metal amarelo desce uns ligeiros 0,21% para os 4.587,73 dólares a onça, depois de ter subido 2% na sessão anterior, quando Powell afirmou que a possível acusação fazia parte de um conjunto de tentativas de pressão sobre o banco central. O mais recente ataque à Fed reavivou a chamada estratégia de “vender a América”, com o dólar a cair na segunda-feira e as obrigações do Tesouro a serem vendidas ao longo de toda a curva.
A investigação do Departamento de Justiça a Powell levou até membros do próprio Partido Republicano e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, a alertarem Trump de que a medida poderia ser prejudicial para os mercados.
Em sentido contrário, a prata segue a subir 0,74% para 85,74 dólares por onça.
O Citigroup prevê que o ouro atinja 5.000 dólares por onça e a prata 100 dólares por onça nos próximos três meses. “Esperamos que o mercado em alta se mantenha no curto prazo”, escreveram os analistas do Citi numa nota, citada pela Bloomberg.
Noutros metais, a platina cai 0,81% para 2.324,54 dólares por onça e o paládio afunda 2,07%, para os 1.819,60 dólares por onça.
Petróleo ganha força com tarifas sobre parceiros do Irão
Os preços do petróleo atingiram o valor mais elevado desde novembro, numa reação dos investidores ao anúncio do Presidente dos EUA, Donald Trump, de que vai impor uma tarifa de 25% sobre os produtos dos países que negoceiem com o Irão.
Estas tarifas vão afetar países como a China, Brasil, Turquia e Rússia e entram em vigor com efeitos imediatos. Os EUA querem pressionar o regime de Teerão a acabar com a repressão contra os protestos anti-governamentais que entram na terceira semana e já causaram cerca de 600 vítimas mortais.
As sanções vêm adicionar uma nova camada de preocupações quanto ao abastecimento de "ouro negro" pelo mundo, reacendendo a guerra comercial com a China, o maior importador de petróleo bruto do mundo e comprador de cerca de 90% das exportações do Irão.
Neste contexto, o West Texas Intermediate (WTI) - de referência para os EUA – avança 0,55% para os 59,83 dólares por barril. Já o Brent – de referência para o continente europeu – segue a valorizar 0,5% para os 64,19 dólares por barril.
A estratega-chefe da Saxo Markets, Charu Chanana, disse à Bloomberg que o impacto imediato das ameaças das tarifas pode ter um prémio geopolítico nos preços do crude, mas tudo depende de as ameaças se consolidarem em "políticas aplicáveis" e se provocarem interrupções mensuráveis "no abastecimento, ou mesmo retaliações comerciais mais alargadas que prejudiquem o crescimento da procura”.
Por outro lado, uma possível paragem nas exportações iranianas vieram acalmar os receios de excesso de oferta no mercado este ano, sobretudo depois de os EUA forçarem um aumento da produção na Venezuela. As vendas de crude do Irão, país membro da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), representam pouco menos de 2% da procura global.
Japão regressa de feriado com recordes e dão força ao "rally" na Ásia
As bolsas asiáticas terminaram a sessão com valorizações significativas, com as praças japonesa, sul-coreana e taiwanesa a tocarem máximos históricos, à boleia do otimismo dos investidores em relação às ações de tecnologia.
Grande parte do otimismo surgiu do Japão, onde as ações dispararam e os juros da dívida soberana subiram devido às notícias de que a primeira-ministra, Sanae Takaichi, poderá convocar eleições antecipadas, de forma a fortalecer a maioria parlamentar da sua coligação, o que abriria espaço para políticas mais agressivas. O iene caiu para o nível mais baixo em relação ao dólar desde julho de 2024. As ações de defesa e nucleares subiram no chamado "efeito Takaichi", que ajudou a impulsionar os ganhos dos mercados asiáticos.
No Japão, o Nikkei disparou 3,1% para 53.549,16 pontos, enquanto o Topix subiu 2,41% para 3.598,89 pontos - os dois bateram recordes, o primeiro nos 53.814,79 pontos e o segundo nos 3.604,16 pontos. Na Coreia do Sul, o Kospi somou 1,47% para 4.692,64 pontos, perto do máximo de 4.693,07.
Em Taiwan, o Taiex ganhou 0,46% para 30.707,22 pontos, mas chegou a um recorde de 30.973,85 pontos. Na China, o Shangai Composite ficou para trás na corrida ao perder 0,64% para 4.138,76 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng pulou 0,62% para 26.772,97 pontos.
Para os analistas, os investidores começam a querer diversificar as suas carteiras para lá das ações americanas - movimento que tem mais impulso no arranque do ano. Mark Cranfield, estratega da MLIV, diz à Bloomberg que "as ações asiáticas estão a estender a sua recente trajetória de subidas, com um impulso adicional da inquietação dos investidores com a saga Powell-Casa Branca, que paira sobre os mercados norte-americanos. Assim, os investidores que procuram um caminho para a inteligência artificial têm muitas opções na Ásia, com empresas chinesas, coreanas, japonesas e taiwanesas na vanguarda dos desenvolvimentos".
Entre os principais movimentos empresariais, as ações da GigaDevice Semiconductor chegaram a subir até 54% na sua estreia em Hong Kong, apesar de terem terminado com ganhos de 0,64% para 263,5 yuans.
O otimismo asiático e o movimento de diversificação de carteiras deverá contagiar a Europa, com os futuros do Euro Stoxx 50 a subirem 0,3%. Nos EUA, o foco irá para o arranque da "earnings season" da banca americana, com as contas do JPMorgan.
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