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Governo dos EUA ameaça Fed com ação judicial por não cortar taxa de juro

Jerome Powell considera que a intimação do Departamento de Justiça dos EUA é mais um episódio na pressão contínua da administração Trump para que sejam feitos novos cortes nas taxas de juro diretoras.

Governo dos EUA ameaça Fed com tribunais por não cortar taxa de juro
Governo dos EUA ameaça Fed com tribunais por não cortar taxa de juro Jacquelyn Martin / AP
07:26

O líder da Reserva Federal dos Estados Unidos, Jerome Powell, anunciou que o banco central enfrenta uma ação judicial por não cortar a taxa de juro, algo exigido pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.

Num comunicado divulgado no domingo, Jerome Powell disse que a instituição, conhecida como Fed, recebeu uma intimação do Departamento de Justiça que pode levar a um processo de destituição, com base numa audiência em junho.

Trump acusou a Fed de exceder o orçamento para a renovação da sede, em Washington, sugerindo que poderia haver fraude e citando um custo total de 3,1 mil milhões de dólares (2,66 mil milhões de euros), em comparação com os 2,7 mil milhões de dólares (2,31 mil milhões de euros) inicialmente projetados, um valor que Jerome Powell nega.

O presidente do banco central defendeu que a intimação faz parte da pressão contínua, exercida por Trump sobre a instituição, para cortar as taxas de juro de forma mais drástica, mesmo com a inflação a manter-se acima da meta de 2%.

"Esta ameaça não tem a ver com o meu testemunho. Isto é um pretexto. A ameaça de processo é uma consequência do compromisso da Fed em definir as taxas de juro no melhor interesse do público, em vez de ir ao encontro das preferências do Presidente", afirmou Powell num vídeo publicado no portal da Fed.

Questionado sobre o assunto durante uma entrevista à emissora norte-americana NBC, Trump afirmou que "não sabe nada sobre o assunto"

"Eu nem sequer pensaria em fazê-lo dessa forma. A única pressão que ele deveria sentir é que as taxas são demasiado elevadas. Só essa", acrescentou o republicano.

De acordo com Powell, a verdadeira questão é "se a Fed será capaz de continuar a definir as suas taxas com base nas condições económicas ou se a política monetária deve ser conduzida por pressão política e intimidação".

Ainda antes de ser reeleito, Donald Trump acusou Jerome Powell de não agir com a rapidez suficiente para reduzir as taxas de juro e de agir por razões políticas em vez de económicas.

Desde que regressou à Casa Branca, o republicano continuou a manter a pressão, nomeadamente chamando o presidente da Fed de "tolo" e procurando uma forma de o despedir.

"Servi a Fed sob quatro administrações, republicanas e democratas. Em cada uma delas, cumpri o meu dever sem medo ou favorecimento político, focado exclusivamente no nosso mandato. Pretendo continuar o trabalho para o qual o Senado me confirmou", insistiu Powell.

O mandato do presidente da Fed termina em maio de 2026, o que permitirá a Donald Trump substituí-lo,

Mas a vaga pode permanecer em aberto "enquanto a investigação segue o seu curso", disse o senador republicano Thom Tillis em comunicado, acrescentando que não confirmaria "nenhuma nomeação para a Fed, incluindo a de presidente, até que esta questão legal esteja totalmente resolvida".

Embora o presidente dos EUA proponha candidatos para cargos na administração, incluindo no banco central, estes não podem assumir o cargo até que o Senado vote a seu favor.

Além de Jerome Powell, Donald Trump tentou afastar outra funcionária do banco central, Lisa Cook, uma medida temporariamente bloqueada pelo Supremo Tribunal.

O Governo dos EUA declarou em setembro que o trabalho da instituição deveria passar por uma avaliação abrangente. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, acredita que a Fed "deve mudar de rumo".

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