Petróleo acima dos 100 dólares. Dólar ganha, ouro no vermelho e juros disparam
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta segunda-feira.
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Juros disparam na Zona Euro. Investidores começam a considerar duas subidas nas taxas de juro
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão, mais uma vez, a disparar esta segunda-feira, numa altura em que a subida sustentada dos preços do petróleo está a levar os investidores a apostarem numa posição mais "hawkish" por parte do Banco Central Europeu (BCE). Na sexta-feira, o mercado já dava como certa uma subida de 25 pontos base nas taxas de juro por parte da autoridade monetária, mas, esta segunda-feira, os investidores já estão a considerar um possível segundo aumento.
Neste contexto, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, aceleram 3,5 pontos base para 2,891%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade disparam 7,7 pontos para 3,586% e a das obrigações italianas escalam 7,9 pontos para 3,696%.
Pela Península Ibérica, mantém-se a tendência, com os juros da dívida portuguesa a dez anos a subirem 6,7 pontos base para 3,348% e os da dívida espanhola a crescerem 6 pontos para 3,409%.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas também a dez anos registam um agravamento de 13,5 pontos base para 4,761%, numa altura em que os investidores começam a apostar numa subida das taxas de juro por parte do Banco de Inglaterra este ano. Até sexta-feira, os investidores viam o banco central britânico a não mexer na política monetária em 2026.
Dólar continua a ganhar com conflito no Médio Oriente. Euro e libra em queda
O dólar está a ganhar terreno face à grande parte dos seus rivais neste arranque de semana, num dia em que o petróleo rompeu a barreira dos 100 dólares por barril e impulsionou a procura pela divisa norte-americana como ativo de refúgio. A guerra no Irão continua a introduzir novas barreiras à produção e exportação de crude e, com o Presidente dos EUA, Donald Trump, a prometer intensificar a ofensiva contra o país do Médio Oriente, os investidores estão a começar a incorporar nos preços um conflito mais duradouro do que inicialmente previsto.
O índice do dólar da Bloomberg - que mede a força da moeda contra as suas principais concorrentes - chegou a acelerar quase 0,7% esta madrugada, tendo entretanto reduzido os ganhos para 0,42%, depois de o Financial Times ter noticiado que os ministros das Finanças dos G7 estariam a considerar libertar, de forma conjunta, petróleo das suas reversas próprias para fazer face ao disparo nos preços do crude.
Na semana passada, o dólar já tinha valorizado cerca de 1,3%, diminuindo a atratividade de outros ativos como o ouro. "O dólar tem sido visto como o refúgio seguro definitivo devido à sua liquidez, ao mesmo tempo que é impulsionado pela subida dos preços do petróleo", explica Matthew Ryan, diretor de estratégia da Ebury. "Acreditamos que o dólar continuará a valorizar, desde que a guerra se arraste sem um fim imediato à vista", antecipa.
A esta hora, o euro recua 0,55% para 1,1555 dólares, mesmo com os investidores a apostarem já numa subida das taxas de juro por parte do Banco Central Europeu este ano. Por sua vez, a libra cede 0,54% para 1,3341 dólares, enquanto a "nota verde" ganha 0,41% para 158,42 ienes. Os analistas indicam que a divisa nipónica está, novamente, a negociar abaixo do nível que poderá ditar uma nova intervenção das autoridades japonesas.
Receios inflacionistas e dólar mais forte atiram ouro para o vermelho
O ouro está a negociar em território negativo esta segunda-feira, pressionado por um dólar mais forte e numa altura em que a escalada nos preços do petróleo está a deixar os investidores receosos de uma nova crise energética no mundo. Face a uma possível subida da inflação, a Reserva Federal (Fed) norte-americana pode vir a ter de adotar uma postura mais cautelosa em termos de política monetária, o que tende a ser negativo para o metal amarelo.
A esta hora, o ouro recua 1,48% para 5.094,08 dólares por onça, tendo chegado a cair 3% esta madrugada, depois de ter registado a primeira semana no vermelho em mais de um mês. Estes movimentos seguem-se a uma escalada nos preços do crude, que chegou a aproximar-se dos 120 dólares por barril, após três países que integram a Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) terem anunciado uma redução da produção devido à falta de espaço de armazenamento.
"O barril de petróleo acima dos 100 dólares ativou uma reação em cadeia: choque energético, expectativas de [crescimento da] inflação, dólar mais forte e ouro mais fraco", explica Hebe Chen, analista da Vantage Markets, à Bloomberg. O mercado de "swaps" aponta agora para apenas um corte nas taxas de juro por parte da Fed este ano, mas há já quem aposte que o banco central não vai mexer na política monetária em 2026. Na Europa, os investidores já incorporaram uma subida nos preços.
Apesar das mais recentes quedas, o ouro continua com um saldo anual positivo, tendo valorizado mais de 18% deste que o ano arrancou. Numa primeira reação ao estalar do conflito no Médio Oriente, o metal amarelo ainda conseguiu avançar, mas a subida sustentada dos preços do petróleo, que originou grandes quedas no mercado acionista, levou os investidores a liquidar posições no ouro para cobrirem perdas noutros ativos.
A guerra no Irão entra agora no seu décimo dia. No fim de semana, Teerão escolheu um novo supremo líder e continuou a atacar em força países do Golfo Pérsico, atingindo uma série de infraestruturas energéticas. Por sua vez, Israel atingiu depósitos de combustível na capital iraniana e ameaçou a rede energética do país, enquanto os EUA prometeram intensificar a ofensiva após o Presidente iraniano ter descartado uma rendição.
Petróleo quase chegou aos 120 dólares antes de G7 travar preços. Gás dispara 30%
A guerra no Médio Oriente continua sem dar tréguas aos preços da energia. O petróleo quase chegou a tocar nos 120 dólares por barril nos contratos de futuros esta madrugada, impulsionado pela decisão do Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, três grandes produtores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), de reduzir a produção de crude devido à falta de espaço de armazenamento. No entanto, a escalada do crude acabou por ser contida por notícias de que o G7 estará a ponderar intervir no mercado petrolífero.
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Escalada dos preços do petróleo atira Ásia e Europa "ao tapete". G7 ajuda a reduzir perdas
As principais praças asiáticas encerraram a primeira sessão da semana em território negativo, uma tendência que deve ser seguida pela Europa, numa altura em que a escalada nos preços do petróleo - que chegaram a ultrapassar os 120 dólares por barril tanto em Londres como em Nova Iorque - está a deixar os investidores apreensivos em relação a uma nova crise energética no mundo. Mesmo assim, as perdas foram amparadas por notícias de que os países do G7 estão a equacionar libertar, de forma concertada, petróleo das suas reservas estratégicas para fazer face à grande subida dos preços.
O "benchmark" asiático - o MSCI AC Asia Pacific Index - chegou a cair cerca de 5,6% esta madrugada, tendo entretanto reduzido as perdas para 4%. Também na Europa assistiu-se à mesma tendência, embora os futuros do Euro Stoxx 50 continuem a apontar para quedas substanciais na abertura de sessão, de 2,5%, isto depois de o principal índice da região ter vivido aquela que foi a pior semana desde abril do ano passado - quando a política comercial de Donald Trump, Presidente dos EUA, foi apresentada ao mundo e levou a grandes disrupções nos mercados financeiros.
Com o conflito no Médio Oriente a entrar no seu décimo dia, a expectativa dos mercados continua a ser de que a guerra será de curto prazo - mas existem poucos sinais de que isso irá acontecer. As ofensivas continuam e o Presidente norte-americano já fez saber que o sucessor de de Ali Khamenei, agora revelado como sendo o seu filho Mojtaba Khamenei, será um alvo dos ataques ao país, tal como vários elementos da hierarquia iraniana que foram liquidados.
"Os investidores estão em pânico com a escalada da guerra no Irão e o impacto nos preços do gás natural e do petróleo na Europa. Na semana passada, os mercados estavam a negociar preços elevados, mas não excessivos, do petróleo e do gás. A escalada durante o fim de semana mudou a tónica para uma possível repetição do choque nos preços da energia semelhante ao de 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia", explica Joachim Klement, diretor de estratégia da Panmure Liberum, à Bloomberg.
Pela Coreia do Sul, as grandes quedas do Kospi, que chegou a afundar mais de 8%, levaram a uma interrupção da negociação por 20 minutos - a segunda vez que isto acontece na última semana. O índice encerrou a cair 5,96%, liderando as perdas regionais, seguido do japonês Nikkei 225, que mergulhou 5,20%, e do australiano S&P/ASX 200, com quedas de 2,85%. Por sua vez, na China, as perdas foram mais contidas, mas, mesmo assim, o Hang Seng viu o seu valor reduzido em 1,96%.
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