Mercados num minuto Fecho dos mercados: Itália traz alívio aos juros, dólar mantém robustez e petróleo avança com palavras de Putin

Fecho dos mercados: Itália traz alívio aos juros, dólar mantém robustez e petróleo avança com palavras de Putin

As concessões de Itália para a meta do défice em 2020 e 2021 aliviaram as bolsas do Velho Continente e os juros da dívida na generalidade dos países do euro. O dólar continua a subir, bem como o petróleo, e o alumínio está a valorizar com perspectiva de maior escassez de alumina.
Fecho dos mercados: Itália traz alívio aos juros, dólar mantém robustez e petróleo avança com palavras de Putin
Bruno Simão/Negócios

Os mercados em números

PSI-20 subiu 0,04% para 5.294,32 pontos

Stoxx 600 ganhou 0,51% para 383,89 pontos

S&P 500 soma 0,36% para 2.933,84 pontos

"Yield" a 10 anos de Portugal recua 1,2 pontos base para 1,889%.

Euro cede 0,24% para 1,1520 dólares

Petróleo valoriza 0,25% para 85,01 dólares por barril em Londres

 

Europa em alta com alívio de receios em Itália

A bolsa nacional fechou no verde pela primeira vez em quatro sessões, com uma subida de 0,04% para os 5.294 pontos. A tendência foi comum nas principais praças europeias, numa altura em que Itália fez concessões a Bruxelas relativamente ao défice orçamentado para a economia transalpina. O Governo italiano decidiu manter a meta para o défice em 2019 nos 2,4% mas reduzi-la nos dois anos seguintes.

Por cá, foi a EDP que mais impulsionou o índice nacional. A eléctrica liderada por António Mexia avançou 1,62% para 3,2 euros. Também a EDP Renováveis se destacou com uma apreciação de 1,74% para 8,77 euros. A destoar e a travar o desempenho do índice esteve a Jerónimo Martins. A retalhista afundou 3,59% para 11,83 euros e chegou a tocar num mínimo de Janeiro de 2015 durante a sessão ao cair 4,73% para 11,69 euros. A empresa liderada por Soares dos Santos sofreu esta desvalorização no mesmo dia em que a cadeia Tesco revelou uma quebra de 1,5% nas vendas comparáveis da sua actividade na Europa Central no primeiro semestre do ano. A afectar a actividade da Tesco esteve a regulação que restringe o comércio ao domingo na Polónia, o mercado que mais remunera o grupo Jerónimo Martins.

 

Juros de Itália aliviam com cedência do governo sobre o défice

Os juros da dívida italiana a dez anos estão a descer 13,2 pontos base para 3,319%, depois de o governo transalpino ter feito cedências e decidido reduzir a meta do défice a partir de 2020.


O movimento de alívio estendeu-se à generalidade dos países do euro, com excepção da Alemanha, com as "yields" das obrigações alemãs (bunds) a 10 anos a subirem 4,8 pontos base para 0,470%. Já os juros da dívida portuguesa no mesmo prazo descem 1,2 pontos base para 1,889%.

 

Euribor mantêm-se a 3, 9 2 12 meses e sobem a 6 meses

A Euribor a três meses, em valores negativos desde 21 de Abril de 2015, manteve-se hoje em -0,318%. Já a taxa a seis meses, a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação e que entrou em terreno negativo pela primeira vez a 6 de Novembro de 2015, subiu 0,001 pontos para -0,267%.  
  

A nove meses, a Euribor permaneceu no mesmo nível, em -0,208%, e no prazo a 12 meses continuou em -0,157%.

 

Dólar avança com maior apetite pelo risco

A nota verde está a negociar em alta face a praticamente todos os seus pares, naquela que é a quinta sessão consecutiva a ganha terreno. Isto porque a retoma do apetite pelo risco, após as concessões do governo de coligação italiano relativamente à proposta de Orçamento para 2019 terem contribuído para elevar os juros da dívida dos EUA – que estão em alta também devido ao facto de a ADP (sector privado) ter anunciado um aumento dos postos de trabalho nos EUA em Setembro na ordem dos 230.000, contra uma estimativa de 184.000. O índice da Bloomberg para o dólar sobe 0,1%, mantendo-se em máximos de três semanas.

O euro não foge à regra e desvaloriza face à divisa norte-americana, seguindo a ceder 0,24% para 1,1520 dólares.

 

Petróleo continua a subir apesar de aumentos de produção

As cotações do "ouro negro" continuam a negociar em alta, a somar 0,25% para 85,01 dólares por barril em Londres – máximos de Novembro de 2014. Em Nova Iorque o WTI também segue no valor mais alto de quatro anos, a transaccionar nos 75,31 dólares.

Esta quarta-feira foi anunciado que a Rússia está a produzir em volumes recordes e que a Arábia Saudita também está quase nesse patamar. Juntas, estão a colocar mais um milhão de barris por dia no mercado. Ora, isto deveria fazer cair as cotações, já que têm estado a valorizar nos últimos tempos devido aos receios de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e outros grandes produtores não consigam compensar a queda de fornecimento por parte da Venezuela (que enfrenta perturbações na indústria petrolífera) e do Irão (devido às sanções dos EUA). Mas não é o que está a acontecer, sobretudo devido a uma voz potente que hoje se fez ouvir: a do presidente russo. Vladimir Putin disse que estes altos preços do crude "resultam grandemente das acções da actual Administração norte-americana". "Donald, se quer encontrar o culpado pela subida dos preços, terá de se olhar ao espelho", afirmou Putin esta manhã numa conferência em Moscovo.

 

Agitação pode regressar ao mercado do alumínio

O mercado do alumínio poderá ver-se de novo mergulhado em águas agitadas, isto depois de a maior refinaria do mundo de alumina (óxido de alumínio) estar com as operações em fase de encerramento. A norueguesa Norsk Hydro disse que decidiu encerrar temporariamente a refinaria de alumina Alunorte, no Brasil, devido a uma disputa em torno do tratamento das águas. A fábrica está já a funcionar a apenas 50% da sua capacidade. Esta paragem irá agravar a escassez de alumina, que é um ingrediente-chave da produção de alumínio, intensificando a possibilidade de subida dos preços deste metal industrial, o que afectará fabricantes automóveis e fornecedores de bebidas enlatadas, entre muitos outros.

Apesar de não haver contratos de alumina no Mercado Londrino de Metais (LME), o efeito desta notícia foi claro hoje nos mercados, com o alumínio a somar 3,6% para 2.194 dólares por tonelada – máximos de três meses.

 




pub

Marketing Automation certified by E-GOI