Fecho dos mercados: Petróleo cai quase 4% e preços do cacau atingem pico de dois meses
O dia foi de sentimento negativo nas bolsas europeias, na sombra da desvalorização das cotações de petróleo. Nas matérias-primas existe contudo um destaque positivo, que recai sobre o cacau, numa altura em que o processamento atinge recordes.
Os mercados em números
PSI-20 subiu 0,02% para 5.620,74 pontos
Stoxx 600 desceu 0,25% para 384,06 pontos
S&P 500 desvaloriza 0,15% para 2797,16 pontos
"Yield" 10 anos de Portugal sobe 4,8 pontos base para 1,782%
Euro soma 0,20% para os 1,1708 dólares
Petróleo cai 3,50% para os 72,69 dólares por barril em Londres
Bolsas cedem às perdas do petróleo
A maioria das praças europeias fechou no vermelho. O principal agregador europeu, o Stoxx 600, resumiu o sentimento negativo, com uma desvalorização de 0,25% para os 384,06 pontos.
A pesar nas cotações esteve a trajectória descendente do petróleo, que penalizou o sector. Estas cotadas registaram a quebra mais expressiva do agregador, de 1,66%. Ainda a travar a confiança dos investidores esteve o PIB chinês, com a economia a registar um crescimento de apenas 6,7%, o ritmo mais lento desde 2016.
Os resultados positivos apresentados no arranque da semana por instituições de renome do sector financeiro, como o Bank of America e Deutsche Bank, não foram desta forma suficientes para inverter a tendência predominantemente negativa no Velho Continente.
Lisboa, apesar de conseguir fechar no verde, ligeiramente acima da linha de água, não fugiu muito à tendência. O PSI-20 subiu apenas 0,02% para 5.620,74 pontos. Um dos pesos-pesados do principal índice nacional, a Galp, sentiu também o abalo dos preços do petróleo. Começou o dia a valorizar cerca de 2%, dado o anúncio de aumentos na produção da empresa, mas terminou a sessão inalterada.
Juros da dívida portuguesa e alemã de mãos dadas na subida
Os juros da dívida soberana nacional a dez anos agravaram-se esta segunda-feira em 4,8 pontos base para 1,782%, depois de duas sessões consecutivas de quebra. A mesma tendência viram as "yields" das bunds alemãs, que sobem 2,4 pontos base para os 0,363%, colocando o prémio das obrigações portuguesas face às alemãs nos 141,9 pontos base.
Taxas Euribor a três meses mantém-se pela 12.ª sessão consecutiva
As taxas Euribor mantiveram-se esta segunda-feira a três e 12 meses, desceram a seis meses e subiram a nove meses em relação a sexta-feira.
A Euribor a três meses manteve-se pela décima segunda sessão consecutiva em -0,321%, um máximo desde Abril do ano passado. No prazo de 12 meses, a taxa Euribor voltou a ser fixada pela quarta sessão consecutiva em -0,179%. A taxa Euribor a seis meses, a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação desceu hoje para -0,269%, menos 0,001 pontos. A nove meses, a Euribor subiu, tendo sido fixada em -0,216%, mais 0,002.
Euro avança com recuo do retalho americano
A moeda única europeia segue a valorizar 0,20% para os 1,1708 dólares, na segunda sessão consecutiva em terreno positivo face ao dólar. A nota verde perde dado o abrandamento que se espera conhecer esta segunda-feira no sector do retalho norte-americano. A visita de Trump à Rússia que abre a semana e o discurso do presidente da Reserva Federal, Jerome Powell, que terá lugar esta terça-feira, também deixam os mercados na expectativa.
Petróleo desliza quase 4% para mínimo de mais de 2 meses O barril de Brent, referência para a Europa, está a cair 3,50% para os 72,69 dólares, mas já chegou a tocar nos 72,36 dólares, um mínimo de 2 de Maio. Os preços da matéria-prima cederam perante a notícia de que a Arábia Saudita reforçou as entregas aos clientes asiáticos. Caso os sauditas não tomassem essa iniciativa, o presidente norte americano, Donald Trump, disse estar disposto a disponibilizar as reservas de emergência de forma a fazer baixar os preços.
Processamento recorde na Europa adoça preços do cacau
Os preços do cacau subiram para um pico de quase dois meses, depois de um trimestre recorde na actividade de processamento na Europa. Foram processadas 356.109 toneladas durante o segundo trimestre, um aumento de 7,3% face ao mesmo período do ano anterior, notou a associação europeia da matéria-prima. Os preços avançam agora 2,3% para as 1.865 libras por tonelada, e chegaram a tocar nas 1.867 libras, o valor mais alto desde 25 de Maio.