Bolsas europeias fecham no vermelho pressionadas por IA e resultados. Juros de França voltam a agravar-se
Acompanhe, ao minuto, a evolução do mercado desta quinta-feira.
Bolsas europeias fecham no vermelho pressionadas por IA e resultados. Juros de França voltam a agravar-se
As principais praças europeias fecharam a penúltima sessão da semana em terreno negativo, pressionadas por receios renovados em torno da inteligência artificial (IA) e por resultados dececionantes de algumas cotadas de peso.
O Stoxx 600, de referência para a Europa, caiu 1,05%, para 637,74 pontos, pressionado por quebras de 3,89% no setor das matérias-primas e de 3,54% na banca. O setor tecnológico recuou 2,04%.
Entre as principais praças, a bolsa italiana foi a mais penalizada, com o FTSE MIB a recuar 2,54%, para 48.383,66 pontos, seguindo-se a bolsa de Atenas, que caiu 2,29%, para 6.617,21 pontos. O espanhol IBEX retrocedeu 2,12%, para 18.913,50 pontos, e, em Portugal, o PSI caiu 1,46%, para 9.237,82 pontos.
Em França, em pleno tumulto económico e social, o CAC 40 recuou 1,39%, para 7.811,26 pontos. Já o alemão DAX caiu 1,07%, para 25.371,75 pontos, e o britânico FTSE 100 retrocedeu 0,26%, para 10.725,03 pontos.
Nas tecnológicas, um cabaz da UBS de ações europeias consideradas líderes na IA caiu 6,1%, segundo a Bloomberg. A fabricante de equipamentos para semicondutores ASML desceu 4,97% e foi a cotada que mais pesou no Stoxx 600, em pontos, com os investidores focados na sustentabilidade do investimento em infraestruturas de IA. A Siemens Energy recuou 8,56%, com a deterioração do sentimento em relação à IA.
Do lado dos resultados, a Hermès caiu quase 5%, depois de as vendas na região Ásia-Pacífico terem desiludido, e a Nokia afundou 9,72%, na sequência de contas com sinais mistos.
Em sentido contrário, a Nestlé subiu 1,08%, depois de ter registado um forte crescimento das vendas no terceiro trimestre, e a Verisure disparou 10,02%, após o Financial Times ter noticiado que a CVC está a estudar uma oferta para retirar a empresa de segurança de bolsa.
Segundo a Bloomberg, as ações europeias têm estado estagnadas nas últimas semanas e estão 3,3% abaixo do máximo de agosto, com as preocupações a acumularem-se em torno das apostas na IA, do "sell-off" no mercado de dívida francês e dos preços persistentemente elevados do petróleo.
"Os mercados europeus estão cada vez mais focados nos desenvolvimentos dentro da Zona Euro e nas zonas de conflito próximas", afirmou Guillermo Hernandez Sampere, responsável de negociação da MPPM, citado pela Bloomberg. "A atual época de resultados pode empurrar os mercados para fora do intervalo em que têm negociado, desde que os riscos dentro da Zona Euro se mantenham controlados".
Juros da dívida aliviam na Europa, exceto em França. "Spread" com a Alemanha em níveis de 2011
O juro da dívida soberana aliviou em todas as praças europeias, exceto em França. A instabilidade política e económica no país está a levar os investidores a exigirem prémios cada vez mais altos para financiar a dívida francesa.
Esta quinta-feira, o juro das obrigações francesas a 10 anos chegou a subir 13 pontos base durante a sessão, para 5,14%, o nível mais alto desde 2002, e fechou com uma subida de 5,8 pontos base, para 5,069%. Em sentido contrário, a "yield" da dívida alemã na mesma maturidade caiu 8,7 pontos base, para 3,331%.
O "spread" entre os juros franceses e alemães a 10 anos fechou nos 173,8 pontos, depois de ter chegado aos 178 pontos ao longo do dia, valores não vistos desde o final de 2011, quando a crise das dívidas soberanas da Zona Euro estava no auge e crescia a especulação sobre uma eventual desagregação da União Europeia.
França tem estado no centro das preocupações nos mercados de dívida este mês, com receios de que o país não consiga dar resposta ao seu endividamento, enquanto os protestos contra o custo de vida resultaram em confrontos com a polícia.
"O bloqueio político e a revolta da população com o elevado custo de vida estão a tornar praticamente impossível reparar as finanças públicas antes das eleições presidenciais francesas do próximo ano", afirmou Elias Haddad, estratega sénior de mercados da Brown Brothers Harriman, citado pela Bloomberg.
Segundo a agência de notícias financeiras, ao contrário da crise da dívida europeia, quando a Grécia estava no epicentro e o prémio de risco grego chegou aos 35 pontos percentuais no pior momento, os investidores acreditam, em larga medida, que as vendas atuais não vão exigir uma intervenção de emergência do Banco Central Europeu (BCE).
Noutros pontos do Velho Continente, o juro da dívida a 10 anos recuou 3,3 pontos base em Portugal, para 3,900%, e 3,0 pontos base em Espanha, para 4,041%. Em Itália, a descida foi de apenas 0,2 pontos base, para 4,573%. Fora da Zona Euro, no Reino Unido, a "yield" da dívida a 10 anos retrocedeu 5,2 pontos base, para 5,325%.
Brent acima dos 112 dólares com possível ataque dos EUA ao Irão
O barril de Brent, de referência para a Europa, superou esta quinta-feira os 112 dólares, um valor que não era visto desde maio, ganhando 3,17% para 112,26 dólares, ao passo que o West Texas Intermediate (WTI), de referência para os Estados Unidos, chegou a superar os 100 dólares durante a sessão, avançava 2,14% para 99,23 dólares por barril.
A subida acontece numa altura em que as tensões no Médio Oriente se agravam. De acordo com o The New York Times (NYT), que cita responsáveis dos EUA e outras pessoas a par das deliberações, as forças armadas dos EUA e de Israel elaboraram planos concretos para uma nova ronda de ataques contra o Irão, que poderá acontecer depois das eleições intercalares norte-americanas de 3 de novembro. Os alvos deverão incluir as infraestruturas energéticas do Irão, as instalações nucleares e o arsenal de mísseis e drones do país.
Questionado por um jornalista na noite de quarta-feira, o presidente norte-americano, Donald Trump, disse que os EUA não estão a negociar com o Irão e que "alguma coisa, num sentido ou noutro" vai "acontecer em breve". "A maioria das pessoas parece achar que será depois das eleições", acrescentou.
Na Arábia Saudita, ataques mortais agravaram as preocupações com o abastecimento na região, segundo a Bloomberg. O Departamento de Estado dos EUA ordenou, na quarta-feira, a saída de funcionários não essenciais e respetivos familiares do país, justificando a decisão com a escalada dos ataques dos houthis, rebeldes iemenitas apoiados pelo Irão, contra alvos civis. A Saudi Aramco ordenou aos funcionários que abandonem a sede da empresa, em Dhahran, e passem a trabalhar remotamente, disseram esta quinta-feira à Reuters fontes a par do assunto. As instalações da petrolífera têm sido alvo de ataques repetidos dos Houthis.
O Brent acumula uma subida de mais de 80% este ano, depois de os fluxos do Golfo Pérsico terem sido perturbados pela guerra entre os EUA e o Irão, que se aproxima do nono mês sem sinais de resolução. Ainda assim, as exportações de crude aumentaram recentemente e estão perto dos níveis anteriores ao conflito, com os petroleiros a desligarem os "transponders" para evitarem ser detetados nas suas travessias, embora os envios de produtos refinados continuem limitados.
"A continuação dos ataques e o risco de uma nova escalada depois das eleições intercalares [nos Estados Unidos] estão a dar suporte aos preços", afirmou Rebecca Babin, trader sénior de energia no CIBC Private Wealth Group, citada pela Bloomberg. "O resultado é um mercado com dificuldade em manter as subidas, mas também com pouca convicção por trás das vendas".
Fuga ao risco dá força ao iene e ao franco suíço
O iene e o franco suíço ganham terreno face ao dólar, num dia de aversão ao risco nos mercados. O aumento do preço do petróleo, com o Brent a passar os 112 dólares por barril depois de ataques na Arábia Saudita, e a queda das tecnológicas levam os investidores a procurar ativos de refúgio.
Face à moeda japonesa, o dólar cede 0,78% para 156,88 ienes, a maior variação entre as moedas do G10. A moeda norte-americana recua também 0,35% para 0,8216 francos suíços.
“Este é sobretudo um movimento de fuga ao risco que está a levar os participantes no mercado a reduzir as populares posições longas em 'carry trade'", estratégia em que os investidores contraem empréstimos em moedas com juros baixos para investirem em divisas com juros mais altos. "As tradicionais moedas de refúgio, como o franco suíço e o iene, foram as principais beneficiárias”, afirmou Lee Hardman, analista cambial do MUFG Bank, citado pela Bloomberg.
A fuga ao risco foi acentuada pela ameaça de novos protestos no fim de semana em França. Para já, os analistas do Citi encerraram a recomendação de venda do euro face ao franco suíço, depois de os riscos terem levado a cotação até ao objetivo definido, segundo a Bloomberg.
Já no Brasil, o dólar ronda os 5,05 eais, com os investidores a realizarem mais-valias depois da forte valorização dos ativos brasileiros que se seguiu à primeira volta das presidenciais. A segunda volta realiza-se no próximo domigo, com os dois candidatos - Flávio Bolsonaro e Lula da Silva - em empate técnico nas sondagens.
*Tomás Cardoso Lima, editado por Pedro Barros Costa
Ouro cai 2% com escalada no Médio Oriente e aumento no preço do petróleo
O preço do ouro está a cair, esta quarta-feira, na sequência de uma escalada de tensões no Médio Oriente e uma consequente subida no preço do petróleo. Os investidores olham com atenção para o Médio Oriente, com receios de uma crise inflacionista que possa levar os bancos centrais a subirem as taxas de juro para combater a inflação. O ouro tende a ter um desempenho pior em situações de juros altos, pois é um ativo que não gera juros.
Neste contexto, o ouro está a recuar 2,27%, sendo negociado em 4.047,10 dólares por onça. A prata, por seu lado, cai 5,05%, para 55,09 dólares por onça.
A subida dos preços da energia e o "sell-off" no mercado bolsista tem pressionado o preço do ouro, afirmou Alex Carrier, gestor de carteiras da DNCA Finance. "Os metais preciosos estão atualmente a atravessar uma fase de capitulação. A volatilidade poderá manter-se elevada pelo menos até à reunião da Reserva Federal (Fed) da próxima semana", acrescentou o gestor, citado pela Bloomberg.
Os investidores que tentam antecipar o próximo passo da Fed têm tido poucas pistas novas desde as declarações do presidente da Fed, Kevin Warsh, na sexta-feira, que não afastaram as expectativas de que o banco central mantenha os juros na próxima semana. Os dados que apontam para uma descida no número de casas cuja construção arrancou e para vendas pendentes de casas em mínimos históricos sustentam essa perspetiva, com a probabilidade de uma subida de 25 pontos base a situar-se atualmente abaixo de uma em seis.
Ainda assim, a subida do petróleo pode alterar o cenário para os juros. A inflação está bem acima da meta de 2% do banco central, e os custos elevados da energia aumentam a possibilidade de a Fed ter de voltar a ajustar a política monetária para conter as pressões sobre os preços. Os investidores esperam, em larga medida, uma nova subida na reunião de dezembro.
Wall Street em terreno negativo castigada por tecnológicas e subida do petróleo
Os principais índices bolsistas dos Estados Unidos abriram a penúltima sessão da semana em terreno negativo, fustigados pelo aumento do preço do petróleo. Vive-se uma escalada nas hostilidades no Médio Oriente, que fez os preços da energia subirem, com o barril Brent a rondar os 112 dólares, valores não vistos desde maio deste ano. Também se regista uma fuga aos ativos de maior risco, depois de vários resultados de tecnológicas terem ficado aquém das expectativas elevadas, nomeadamente com o investimento em inteligência artificial (IA).
O S&P 500 desce 0,80% o Dow Jones cai 0,29% e o Nasdaq Composite recua 1,37%.
Em termos individuais, a Tesla recua 2% depois de ter apresentado receitas aquém do esperado pelos analistas, bem como um corte nas previsões de investimentos para o ano. Nem os lucros ajustados por ação acima do esperado pelos analistas permitiu aos investidores olhar de forma positiva para os resultados da empresa de Elon Musk. No vermelho está também a fabricante de chips Lam Research, cujas previsões frustraram os investidores, levando a empresa a cair mais de 10% em bolsa no início da sessão desta quinta-feira.
A mais recente vaga de resultados está a testar se os lucros conseguem, ou não, sustentar a aposta na IA. No caso da Meta, mesmo tendo a empresa mostrado sinais de que os investimentos começam a dar frutos, as ações estão a cair mais de 5%.
"A mensagem parece cada vez mais clara. O mercado continua disposto a premiar o forte investimento em IA, mas está a tornar-se muito mais exigente quanto ao retorno", afirmou Santiago Mateo, responsável de ações da CaixaBank AM, citado pela Bloomberg. "Os investidores querem provas de que o investimento se está a traduzir em mais crescimento, melhor monetização e, em última análise, lucros".
Euribor sobe a três meses e desce a seis e a 12 meses
A taxa Euribor subiu esta quinta-feira a três meses e desceu a seis e a 12 meses em relação a quarta-feira.
A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, recuou hoje, ao ser fixada em 3,019%, menos 0,011 pontos percentuais que na quarta-feira.
No prazo de 12 meses, a taxa Euribor também recuou hoje, para 3,262%, menos 0,001 pontos que na véspera.
Em sentido contrário, a Euribor a três meses avançou hoje, pela quinta sessão consecutiva, ao ser fixada em 2,677%, mais 0,007 pontos.
Em 10 de setembro, como esperado pelos mercados, o Banco Central Europeu (BCE) subiu as taxas diretoras, em 25 pontos base, depois de as ter mantido em julho.
Em junho, o BCE tinha subido, pela primeira vez desde setembro de 2023, as taxas diretoras, designadamente 25 pontos base, depois de as manter em abril, pela sétima reunião consecutiva e de oito reduções desde que a entidade iniciou o ciclo de cortes em junho de 2024.
A próxima reunião de política monetária do BCE realiza-se em 28 e 29 de outubro em Frankfurt.
As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 21 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.
Europa pinta-se de vermelho com novo "sell-off" nas tecnológicas
As principais praças europeias estão a negociar com perdas avultadas esta quinta-feira, num dia marcado por um novo "sell-off" no setor tecnológico, depois de os resultados da Tesla e da Meta terem falhado em convencer os investidores a reforçar as apostas na inteligência artificial (IA).
Neste momento, o Stoxx 600 - "benchmark" para a negociação europeia - cede 1,02% para 637,93 pontos, apagando por completo os ganhos do dia anterior. O setor tecnológico cai mais de 2% esta manhã, mas é da banca e do setor mineiro que advém a maior pressão para o principal índice do Velho Continente, com o último a ser penalizado por uma queda no preço dos metais preciosos.
As ações europeias têm estagnado nas últimas semanas e encontram-se a negociar a mais de 3% do pico atingido em agosto, numa altura em que a subida nos preços do petróleo, os receios em torno da IA e um "sell-off" no mercado obrigacionista - que tem afetado especialmente França - estão a afastar os investidores de ativos de risco.
"Os mercados europeus estão cada vez mais focados nos desenvolvimentos regionais na Zona Euro e nas zonas de conflito vizinhas", explica Guillermo Hernandez Sampere, diretor de negociação da MPPM, à Bloomberg. "A atual ronda de divulgação de resultados empresariais tem o potencial de fazer com que os mercados saiam da sua atual faixa de negociação, desde que os riscos na zona monetária possam ser mantidos sob controlo", acrescenta.
Entre as principais movimentações de mercado, a Nestlé acelera 1,26%, depois de a empresa suíça ter registado um crescimento de vendas que ficou acima do esperado no terceiro trimestre. A cotada exclui também a sua unidade russa das suas contas, após Moscovo ter confiscado os ativos da empresa.
Por sua vez, a Verisure dispara 10,98%, depois de o Financial Times ter noticiado que a CVC está a estudar a possibilidade de apresentar uma oferta para tornar o grupo de segurança numa empresa privada.
Juros da dívida francesa voltam a disparar. "Spread" face a Alemanha em máximos de 2011
O juro da dívida francesa a dez anos está a disparar esta sexta-feira, renovando máximos de 2002 e levando o "spread" com a "yield" da dívida alemã a atingir o maior valor desde 2011. A ansiedade dos investidores em torno das contas públicas gaulesas, numa altura em que o clima de contestação social é elevado e os manifestantes exigem um reforço na despesa pública, continua a dominar o sentimento de mercado, num dia em que só a Alemanha consegue escapar a agravamentos.
A subida está ainda a ser desencadeada por uma nova subida nos preços do petróleo. O crude de referência para a Europa está a valorizar mais de 2% esta manhã e aproxima-se dos 112 dólares por barril, impulsionado por novos ataques na Arábia Saudita que mataram duas pessoas no campo de Shaybah, da Saudi Aramco.
Neste momento, a "yield" das obrigações francesas na maturidade de referência avança 5,9 pontos base para 5,070%, enquanto o juro da dívida alemã também a de anos cede 2,3 pontos para 3,395%. O "spread", ou seja, a diferença entre as duas dívidas já se encontra nos 167,3 pontos - o valor mais elevado em quinze anos.
Pelos países da Europa do Sul, a "yield" das obrigações portuguesas a dez anos acelera 1,6 pontos base para 3,95%, enquanto a das espanholas sobe 2,3 pontos para 4,094%. Já em Itália, o salto é de 5,2 pontos para 4,627%.
Fora da Zona Euro, o juro das "Gilts" britânicas a dez anos negoceia inalterado nos 5,377%, enquanto a "yield" das "Tresuries" norte-americana na maturidade de referência cai 4,2 pontos base para os 5,077%.
Iene acelera com investidores à procura de ativos de refúgio
O iene está a registar valorizações avultadas contra o dólar esta quinta-feira, num dia em que os investidores procuram a segurança da divisa japonesa e das obrigações para fazerem face a um novo "sell-off" nas ações tecnológicas, nomeadamente nos títulos ligados à inteligência artificial (IA).
Neste momento, a "nota verde" cede 0,63% para 157,15 ienes, afastando-se cada vez mais do nível de intervenção dos 160 ienes - marca em que os mercados começam a antecipar uma entrada das autoridades japonesas no mercado cambial. Noutras movimentações, o euro avança apenas 0,1% para 1,1243 dólares, enquanto a libra acelera 0,07% para 1,3404 dólares.
"O sentimento parece estar mais instável nos últimos dias, à medida que os investidores reconsideram os ativos relacionados com a IA", explica Eugene Leow, estratega sénior de taxas do DBS Bank, à Bloomberg. "Parece estar a surgir um pouco mais de cautela em relação à rentabilidade e ao retorno dos investimentos. Com as taxas de rendibilidade dos EUA ainda elevadas para os padrões recentes, os investidores podem querer proteger-se de alguns destes riscos", acrescenta.
A grande onda de vendas no setor da IA foi desencadeada pelos resultados da Meta e da Tesla. Enquanto a dona do Facebook até está a avançar no "pre-market", a revisão em alta das despesas de capital para o resto do ano está a deixar os investidores apreensivos em relação ao capital que as empresas estão a desembolsar para alimentar a tecnologia.
A subia nos preços do petróleo também está a levar os investidores à procura de segurança noutros ativos e o dólar parece ter ficado de fora deste movimento. O crude de referência para a Europa está a negociar próximo dos 112 dólares, depois de uma nova onda de ataques mortíferos lançados pelo grupo rebelde Houthis ter atingido a Arábia Saudita.
Ouro cai mais de 1% e negoceia abaixo dos 4.100 dólares
O ouro está a cair mais de 1% e a negociar abaixo do nível dos 4.100 dólares por onça, pressionado pela subida nos preços do petróleo, que está a levar os investidores a reverem em alta as possibilidades de a Reserva Federal (Fed) norte-americana ser mais dura na hora de mexer nas taxas de juro.
A esta hora, o metal amarelo cede 1,07% para 4.096,46 dólares por onça, tendo chegado a desvalorizar 1,2% esta madrugada - apagando por completo os ganhos registados no dia anterior. Os ataques na Arábia Saudita estão a destabilizar os fluxos de petróleo no Médio Oriente e a fazer com que o crude de referência para a Europa negoceie próximo dos 112 dólares por barril.
"Os preços mais elevados da energia estão a reavivar os receios de inflação e a manter viva a ameaça de novas medidas de aperto monetário por parte da Fed, o que enfraquece o apelo do ouro como refúgio seguro", explica Hebe Chen, analista de mercado da Vantage Global Prime, à Bloomberg.
O mercado de "swaps" vê o banco central norte-americano a deixar as taxas de juro inalteradas na reunião da próxima semana, mas dá quase como certo um aperto de 25 pontos base antes do final do ano. A inflação continua bastante acima da meta dos 2% definida pela autoridade monetária, com o índice dos preços no consumidor a acelerar 3,7% em setembro.
Petróleo acelera mais de 2% após novos ataques na Arábia Saudita
Os preços do petróleo estão a acelerar mais de 2% esta quinta-feira, com o Brent a aproximar-se dos 112 dólares por barril, depois de uma leva de novos ataques na Arábia Saudita ter aumentando os receios de uma escalada do conflito no Médio Oriente. As hostilidades têm tido um impacto claro nos fluxos de crude pelo estreito de Ormuz, mas, mesmo assim, as exportações mantêm-se próximas dos níveis registados antes da guerra.
A esta hora, o Brent do Mar Norte - de referência para a Europa - acelera 2,23% para 111,26 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) - de referência para os EUA - salta 2,01% para 99,05 dólares. Por sua vez, o gás natural TTF negociado na Europa, e que chegou a ultrapassar os 90 euros por megawatt-hora, negoceia agora próximos dos 89 euros.
Um ataque de drones no campo de Shaybah, da Saudi Aramco, matou duas pessoas, mas não terá afetado as operações da empresa. Uma outra ofensiva ao Aeroporto Internacional Rei Fahd, em Dammam, causou uma vítima mortal - um clima de grande instabilidade que levou os EUA a ordenarem a saída de alguns funcionários e familiares das embaixadas norte-americanas no país.
No estreito de Ormuz, seguem os ataques a navios por parte do Irão. A República Islâmica tem aumentando o lançamento de mísseis contra petroleiros na via marítima, numa tentativa de destabilizar ainda mais os fluxos de petróleo na região - que, apesar da turbulência, estarão a 80% dos níveis registados no pré-guerra. Os EUA e Israel, diz o New York Times, estarão em preparativos para escalar o conflito depois das eleições intercalares norte-americanas.
"Os ataques mortíferos continuam e o risco de uma nova escalada após as eleições intercalares estão a sustentar um nível mínimo nos preços", explica Rebecca Babin, operadora sénior do setor energético no CIBC Private Wealth Group, à Bloomberg. "O resultado é um mercado que tem dificuldade em manter as subidas, mas em que as vendas massivas também carecem de convicção", acrescenta.
Tesla e Meta falham em animar os investidores em torno da IA. Kospi cai mais de 3%
As principais praças asiáticas encerraram a sessão desta quinta-feira pintadas de vermelho, numa altura em que os resultados das grandes tecnológicas falharam, para já, em devolver o otimismo aos investidores em torno do setor da inteligência artificial (IA). Os elevados preços da energia estão ainda a deixar um "benchmark" chinês próximo do chamado "bear market", ou seja, com uma desvalorização de 20% face aos picos mais recentes.
Neste momento, o MSCI Asia Pacific - índice de referência para a negociação asiática - está a registar perdas de 1,74%, com o sul-coreano Kospi a ceder 3,41% e a encabeçar mais uma vez as perdas regionais. O "benchmark", que tocou mínimos de abril esta quinta-feira, é visto como um barómetro para a negociação de IA, muito devido ao peso de dois pesos pesados do setor - a SK Hynyx e a Samsung - na sua composição.
Pela China, o CSI 300 caiu 1,83% esta madrugada, encerrando a sessão com perdas de quase 20% face ao seu pico mais recente, atingido em junho. Já o Hang Seng, com um grande peso do setor tecnológico, caiu mais de 3% para mínimos de quase quatro meses. Por sua vez, o Shanghai Composite acompanhou as perdas dos pares e terminou o dia a deslizar cerca de 1,3%.
Os resultados da Tesla e da Meta, dona do Facebook e Instagram, não conseguiram convencer os investidores de que vale a pena continuar a apostar em grande no setor da IA, à espera de retornos avultados no curto prazo. A empresa liderada por Elon Musk está a ceder mais de 3% no "pre-market", mesmo depois de os lucros da cotada terem ficado acima das expectativas e as previsões de despesa terem sido reduzidas.
Já a Meta até está a acelerar mais de 2% no "pre-market", depois de ter visto os seus lucros mais do que triplicarem para 9,86 mil milhões de euros. No entanto, os investimentos avultados com IA vão voltar a aumentar e, este ano, a dona do Facebook prevê gastar entre 135 mil milhões e 145 mil milhões, aumentando o patamar mínimo face aos anteriores 130 mil milhões - algo que cria alguma ansiedade nos mercados.
"O mercado está difícil de agradar no que diz respeito às despesas de capital neste momento", explica Tim Waterer, analista-chefe de mercado da KCM Trade, à Bloomberg. "O mercado fica inquieto quando as empresas aumentam as despesas e fica inquieto quando estas as reduzem, como acabámos de ver com a Tesla. Neste contexto, é quase impossível encontrar o equilíbrio certo", acrescenta.
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