Moody’s mantém rating de Portugal em A3 e "outlook" estável

A agência já não altera a notação e a perspetiva para a dívida soberana do país desde novembro de 2023. Tempestades e crise no Médio Oriente deverão levar a um abrandamento do crescimento e a défices orçamentais, agravados também pelo aumento da despesa, prevê a Moody's.
Moodys avaliou Portugal esta sexta-feira
Bloomberg
Pedro Barros Costa 21:49

A Moody’s manteve o rating da dívida de longo prazo de Portugal em A3 e a perspetiva estável, refere um comunicado emitido esta sexta-feira. A agência já não altera a notação e a perspetiva soberana do país desde novembro de 2023, há cerca de de dois anos e meio, quando elevou o rating para o "clube" do A, em que se mantém desde então.   

Embora a Moody’s espere que a tendência de expansão económica se mantenha em torno dos 2% no longo prazo, prevê “um abrandamento temporário do crescimento para 1,6% em 2026 devido às disrupções relacionadas com o tempo” devido às “graves tempestades atlânticas e às cheias desde finais de janeiro até meados de fevereiro, assim como contágios do conflito no Médio Oriente.

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A agência refere ainda que “os riscos para o outlook de crescimento estão inclinados para o lado descendente e têm origem maioritariamente nos riscos externos relacionados com uma escalada prolongada do conflito mo Médio Oriente e mudanças mais amplas geoeconómicas e geopolíticas que possam pesar no crescimento económico na Europa, assim como da possibilidade de uma redução material na imigração líquida”.

A agência passou também a prever que Portugal registe um défice de 0,4% este ano, face a uma previsão anterior de um equilíbrio nas contas públicas, enquanto em 2027 o défice deverá ser de 0,5%. “A passagem a défices orçamentais em 2026 e 2027 reflete um crescimento do PIB temporariamente mais fraco, os apoios públicos para responder aos danos das tempestades atlânticas, as medidas direcionadas para conter os efeitos de contágio do conflito no Médio Oriente, as reduções fiscais, os aumentos salariais do setor público e as despesas sociais mais elevadas”.   

O rating de A3 “reflete uma economia competitiva e diversificada, níveis de rendimento de per capita relativamente elevados e fortes instituições”, refere o comunicado. “Embora o rácio da dívida pública continue elevado face aos pares, desceu significativamente desde o pico de 2020, e esperamos que esta tendência descendente continue”, destaca a agência, que também prevê que os “indicadores de capacidade de pagamento da dívida se mantenham estáveis”.      

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Contudo, a Moody’s deixa a ressalva de que “o aumento da incerteza política doméstica, com origem em eleições antecipadas consecutivas nos últimos anos e o aumento da fragmentação política, pode enfraquecer a eficácia das políticas ao longo do tempo”.

Já o outlook estável reflete a visão da agência de que os riscos para o perfil de crédito no nível A3 “estão equilibrados”. “Embora a incerteza política tenha aumentado nos últimos anos, marcada por repetidas eleições antecipadas e um aumento da fragmentação política que torna a implementação de políticas mais complexa, não esperamos que estes desenvolvimentos políticos domésticos alterem materialmente a nossa expectativa de um robusto crescimento económico e de uma continuação da redução do peso da dívida pública no curto prazo”.

Entre as principais agências, tanto a DBRS como a Standard & Poor’s têm o rating de Portugal no quinto patamar mais elevado, ao passo que a Fitch o coloca no sexto nível e a Moody’s ainda o tem no sétimo lugar da tabela. As quatro agências arrancaram o ano a atribuir a Portugal uma perspetiva estável, mas, entretanto, a Fitch, a S&P e a DBRS elevaram o “outlook” para positivo. A Moody's é a única que manteve o "outlook" estável.

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Em atualização

 

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