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DBRS mantém rating de Portugal três níveis acima de "lixo" mas adverte para desaceleração

A agência canadiana decidiu manter a notação da dívida soberana da República, que continua assim três níveis acima de "lixo", mas adverte para a situação vulnerável de Portugal.

Bruno Simão/Negócios
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 20 de Março de 2020 às 21:06
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A agência de notação financeira DBRS manteve esta sexta-feira, 20 de março, a dívida soberana de Portugal e a perspetiva para a sua evolução.

 

Assim, a classificação manteve-se em BBB Alto (três níveis acima de "lixo", após a melhoria de um nível a 4 de outubro do ano passado) com "outlook" estável, sendo a agência canadiana a que tem melhor "rating" para o país.

"A pequena dimensão e natureza aberta da economia portuguesa torna-a vulnerável à convulsão financeira e económica trazida pela atual crise mundial de saúde", refere o relatório.

 

A DBRS Morningstar "prevê uma considerável disrupção económica em 2020 devido à rápida propagação do novo coronavírus (covid-19). No mínimo, a economia portuguesa deverá desacelerar nos primeiros trimestres do ano, à medida que o fluxo turístico diminui e que a confiança dos consumidores e o sentimento na indústria se vai debilitando"-

 

"A severidade do abrandamento económico dependerá da profundidade e duração do choque. O tempo dirá se a disseminação da doença desacelera e se a resposta doméstica e global à pandemia é adequada", diz ainda o relatório.

Apesar da atual perturbação, a perspetiva ‘estável’ reflete a avaliação da DBRS no que diz respeito aos principais indicadores de Portugal para efeitos de classificação, salienta a agência.

 

"A economia portuguesa – que nos últimos anos se diversificou para ter exportações de maior qualidade, e observou um aumento do investimento do setor privado – está numa posição mais forte do que aquando da anterior crise e mais capaz de sustentar um crescimento equilibrado", considera a DBRS.

A agência canadiana chama também a atenção para o facto de o resultado orçamental de 2019 ter ficado praticamente equilibrado e para o facto de o rácio da dívida em relação ao PIB estar a diminuir a um ritmo saudável. Além disso, "os fundamentais do crédito dos bancos portugueses também continuam a fortalecer, tal como evidenciado pela melhoria constante da qualidade dos ativos".


Para a próxima sexta-feira, 27 de março, está agendada uma potencial reavaliação das dívidas das regiões autónomas da Madeira e dos Açores.

 

Trajetória do "rating"

A primeira agência a colocar Portugal no "lixo" (categoria de investimento especulativo) foi a Moody’s em julho de 2011 – a seguir ao pedido de assistência financeira. Entre "downgrades" e mexidas no "outlook", só a 18 de setembro de 2015, quando a S&P subiu para BB+, é que ficaram as três agências com igual classificação para a dívida portuguesa – todas elas a apenas um "notch" de colocar Portugal na categoria de investimento de qualidade.


A situação manteve-se durante dois anos, até 15 de setembro de 2017, dia em que a S&P tirou Portugal do lixo, colocando o país no último nível de "investment grade". Três meses depois era a vez de a Fitch fazer o mesmo e logo para dois níveis acima de "junk".

 

A Moody’s decidiu esperar mais tempo e só em outubro de 2018 decidiu colocar a República Portuguesa no patamar de investimento de qualidade.

Em março de 2019 a S&P colocou a dívida portuguesa no mesmo nível que a Fitch, ficando a faltar a Moody’s, que ainda não o fez – em janeiro deste ano, no dia agendado, preferiu não se pronunciar.

Quando vai haver mais análises este ano?

Moody’s
Baa3 com "outlook" positivo;
• 17 de julho

S&P
BBB com outlook positivo;
• 11 de setembro

DBRS
BBB Alto com "outlook" estável;
• 18 de setembro

Fitch
BBB com "outlook" positivo;
• 22 de maio
• 20 de novembro

 

notícia em atualizada pela última vez às 22:28

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