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A questão sobre a dívida alemã que pode dar pistas sobre os próximos passos do BCE

O padrão das compras de obrigações alemãs por parte do BCE está a mudar. E a justificação para esse factor poderá dar pistas sobre a evolução do programa alargado de compra de activos.

8º Mario Draghi, 602 notícias - O BCE continuou este ano a ter um papel determinante no rumo dos mercados, com várias decisões relevantes a mexerem nos mercados. O presidente da autoridade monetária foi citado em mais de 600 notícias do Negócios este ano.
Reuters
Rui Barroso ruibarroso@negocios.pt 08 de Junho de 2017 às 07:00
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Nos últimos dois meses o BCE abrandou as compras de dívida alemã, tendo feito aquisições abaixo da meta implícita pela chave de capital. Para compensar e manter o ritmo das compras mensais do programa, a entidade liderada por Mario Draghi tem carregado em dívida francesa e italiana. Além das menores compras de obrigações germânicas, o BCE está também a privilegiar prazos mais curtos nas "bunds". E a explicação para esse factor poderá dar pistas importantes sobre a duração do programa de compra de activos.


O abrandamento nas compras de obrigações alemãs poderá ser uma das questões que Mario Draghi irá enfrentar esta quinta-feira. E a resposta, segundo o RBC Capital Markets, será uma pista importante sobre a abordagem do banco central.



"Provavelmente isso levantará algumas questões sobre que flexibilidade o BCE se permite a si próprio no desvio da chave de captar. E qualquer indicação de que existe flexibilidade na chave de capital será interpretada como uma mensagem expansionista ["dovish"], referem os economistas do RBC Capital Markets numa nota a investidores a que o Negócios teve acesso.

Isto porque o banco de investimento nota que "os últimos dois meses seguem um padrão similar ao de países mais pequenos que viram a sua quota no programa cair quando as obrigações detidas se aproximaram dos limites de 33%". Portugal foi o principal prejudicado com esse limite, com as compras do BCE a serem cada vez menores devido a essa regra. Têm sido de bem menos de metade da meta implícita pela participação de Portugal na chave de capital do banco central.

Apesar de o RBC Capital Markets notar que a Alemanha ainda não está perto de bater no limite, sugere que a resposta de Draghi dará uma indicação importante do prazo que o BCE estima que as compras durem. Se o banco central admitir uma maior flexibilização da regra da chave de capital isso será um indício de que espera que o programa se mantenha por mais tempo e que tenciona fazer alguns ajustamento para continuar a ter obrigações disponíveis para as compras.

"Qualquer pista subtil de que existe mais flexibilidade nos parâmetros do programa do BCE do que o previamente esperado, particularmente no que diz respeito á chave de capital, será visto como uma mensagem suave já que aumentaria em teoria o período de vida do programa", referem os economistas do RBC Capital Markets.

O consenso do mercado aponta para que o BCE anuncie a redução gradual do programa depois do Verão, diminuição que deverá ter efeito a partir de Janeiro de 2018. Mas o ritmo da redução do programa e o prazo em que este será extinto não são alvo de previsões consensuais por parte dos economistas, que continuam a tentar recolher as pistas deixadas por Mario Draghi. 

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