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Juros de Portugal descem pela sexta sessão com olhos postos em Sintra

No espaço de seis sessões, a "yield" das obrigações soberanas portuguesas a 10 anos já aliviaram mais de 25 pontos base.

Bruno Simão
Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 18 de Junho de 2018 às 14:43
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Os juros da dívida portuguesa estão a prolongar a tendência de queda no arranque desta semana, beneficiando ainda com as indicações deixadas pelo Banco Central Europeu, de que não subirá a taxa de juro de referência antes do Verão do próximo ano.


A "yield" das obrigações do Tesouro a 10 anos desce 6 pontos base para 1,76%, o que representa o nível mais baixo desde o início do mês. Está assim quase anulada a forte subida dos juros que foi motivada pela crise política em Itália, que contagiou toda a dívida europeias, em particular dos países periféricos.


No espaço de seis sessões os juros já desceram mais de 25 pontos base (no final da primeira semana de Junho estavam acima dos 2%). Tendo em conta apenas a semana passada, a descida foi a mais acentuada em nove meses, espelhando o ajuste que o mercado está a fazer às indicações de política monetária do BCE.      

O Banco Central Europeu anunciou na semana passada um corte do programa de compra de activos para metade, em Setembro, e a manutenção dos juros baixos durante o próximo ano. Foi esta indicação que tranquilizou os investidores e induziu uma correcção nos juros da dívida da generalidade dos países europeus.

 

A "yield" das obrigações italianas a 10 anos desce 6 pontos base para 2,54%, acumulando uma correcção de mais de 50 pontos base em seis sessões. Os juros da Alemanha caem 1 ponto base para 0,39%.

 

A Reuters assinala que os investidores do mercado de obrigações estão agora de olhos postos das declarações dos responsáveis de política monetária no Fórum do BCE, que arranca esta segunda-feira em Sintra.

 

O encontro dará a oportunidade para que Mario Draghi e outros responsáveis corrigem as expectativas dos investidores sobre o curso da política monetária em vários blocos económicos. As primeiras atenções estão para já viradas para Mário Draghi, que fará o discurso de abertura esta tarde.

 

Martin van Vliet, do ING, considera que os investidores foram longe demais na interpretação da mensagem deixada pelo BCE na reunião da semana passada. "Vemos o risco de a retórica do BCE ter esta semana uma leitura menos ‘dovish"", ou seja, mais conservadora", acrescentou o analista à Reuters.  

 

Agenda do Fórum do BCE


O presidente do BCE, Mario Draghi dará início aos trabalhos, com um jantar de boas-vindas às dezenas de economistas e responsáveis internacionais que participam no "ECB Forum on Central Banking", em Sintra.

 

Nessa noite, caberá ao antigo Secretário do Tesouro dos Estados Unidos (EUA) Lawrence H. Summers fazer um discurso sobre política monetária num mundo de inflação e taxas de juro baixas, refere a Lusa.

 

Na terça-feira, a primeira sessão será sobre a fixação de preços e de salários, estando prevista uma intervenção de James Stock, que foi conselheiro económico do presidente norte-americano Barack Obama entre 2013 e 2014, e de Lucrezia Reichlin, a primeira mulher a liderar a investigação macroeconómica do BCE.

 

De seguida, será a vez de professores como Yuriy Gorodnichenko (Universidade da Califórnia) e de Ricardo Reis (da London School of Economics) debaterem de que forma é que as expectativas de inflação podem ser usadas como ferramentas políticas.

 

Depois do debate académico, será dada a palavra aos bancos centrais: Jim Bullard (da filial da Reserva Federal norte-americana de São Luís) e Philip R. Lane (governador do Banco Central da Irlanda) vão debater a fixação de preços e salários, juntamente com Kristin J. Forbes, professora do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e Charles Wyplosz, professor do Instituto Universitário de Altos Estudos Internacionais, em Genebra, na Suíça.

 

Na quarta-feira, último dia do Fórum, a discussão centraliza-se nos salários e no emprego.

 

De manhã, Aviv Nevo, professor da Universidade de Pennsylvania, e Michael Weber, professor da Universidade de Chicago, debatem formas de medir a inflação.

 

De seguida, Uta Schönberg, professor da University College de Londres (UCL) e Michael C. Burda, professor da Universidade Humboldt de Berlim, debatem o crescimento da produtividade e dos salários e a importância dos sindicatos.

 

Juntam-se ao debate Philippe Marcadent, diretor da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Klaus F. Zimmermann, presidente da organização não governamental Global Labor Organization (GLO), Tommaso Valletti, economista-chefe direção-geral de competição na Comissão Europeia, e Erica L. Groshen, antiga economista da filial da Fed (Reserva Federal norte-americana) de Nova Iorque.

 

Por fim, Mario Draghi junta-se ao presidente da Fed, Jerome Powell, e aos governadores do Banco do Japão, Haruhiko Kuroda, e da Australia, Philip Lowe, para encerrar o Fórum.

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