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Mistério do mercado de Treasuries atormenta investidores globais

Os traders de obrigações dizem há anos que existe liquidez no maior mercado de títulos do mundo, exceto quando realmente é preciso.

bloomberg
Bloomberg 07 de Março de 2021 às 11:00
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As surpreendentes oscilações dos juros das obrigações do Tesouro dos Estados Unidos nas últimas semanas podem dar novo suporte a esse mantra e levar a outra procura de respostas num mercado de 21 biliões de dólares que forma o alicerce das finanças globais.

Embora as ações estejam sujeitas a variações repentinas, esse tipo de movimentos deve ser supostamente raro num mercado de dívida pública que define a taxa de referência livre de risco para grande parte do mundo.

No entanto, fortes oscilações ocorrem periodicamente no mercado de Treasuries e criam um certo mistério, já que não há dois eventos iguais. Alguns apontam para o aumento das regulações bancárias após a crise financeira de 2008. O escrutínio sobre os défices de liquidez aumentou em outubro de 2014, quando um crash de 12 minutos e a recuperação dos juros ocorreram sem um motivo aparente. Vendas de pânico durante o caos provocado pela pandemia há um ano, agravado quando as apostas alavancadas dos hedge funds colapsaram, trouxe novamente a questão à tona.

E então veio a semana passada, quando a distância entre os preços de compra e venda para os títulos a 30 anos atingiu o nível mais elevado desde a onda vendedora de março de 2020.



Os recentes movimentos "são um forte alerta do que acontece quando a liquidez desaparece de repente no maior e mais profundo mercado de títulos", disse Ben Emons, diretor de macroestratégia global da Medley Global Advisors.

A questão é se este amplo mercado está mais vulnerável a súbitos ataques de turbulência graças a medidas que dificultaram a manutenção de títulos do Tesouro dos EUA por parte dos bancos.

 

Alguns analistas dizem que a turbulência da semana passada foi ampliada por questões sobre se a Reserva Federal irá prolongar a flexibilização dos requisitos de capital dos bancos, que deve expirar a 31 de março. Implementada no início da pandemia, a medida é vista como uma forma de facilitar a inclusão de Treasuries pelos bancos nos seus balanços.

 

O episódio de 2014 desencadeou uma profunda análise da estrutura do mercado, e os reguladores têm implementado algumas mudanças - como maior transparência – estando agora a crescer a especulação de que podem ser adotadas mais medidas para reforçar a estrutura do mercado.

 

"Embora a escala e a velocidade dos fluxos associados ao choque da covid estejam provavelmente no fundo da distribuição de probabilidades, a crise destacou vulnerabilidades no mercado de Treasuries que justificam uma análise cuidadosa", disse na segunda-feira a governadora da Fed, Lael Brainard.

Há muitos possíveis culpados para a queda do mercado de obrigações na semana passada, desde a melhoria dos indicadores económicos até fatores mais técnicos. A política ultra-expansionista da Fed e a perspetiva de um novo estímulo orçamental nos EUA levam os investidores a apostarem num crescimento mais rápido e na inflação.

Com base no Índice de Liquidez dos Títulos do Governo dos EUA da Bloomberg, um indicador de quanto os juros se estão a desviar de um modelo de valor justo, as condições de liquidez pioraram recentemente, embora não tenha sido nada parecido com o que foi visto em março.

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