Capitalização de juros explica saldo positivo nos certificados

Resgates nos certificados de aforro ainda superam as novas entradas. Pagamento de juros é que explica a subida do investimento nos últimos meses
André Veríssimo 25 de Fevereiro de 2013 às 00:01

O valor aplicado pelos portugueses em certificados de aforro subiu pelo segundo mês consecutivo em Janeiro, num sinal de recuperação do produto de poupança do Estado, depois do aumento da remuneração em Setembro. Mas, por enquanto, o que está a permitir que o saldo seja positivo é a capitalização dos juros e não a entrada de dinheiro novo.

Para travar a saída de poupanças dos certificados o Governo introduziu em Setembro uma alteração à fórmula de cálculo da remuneração da série B e C. Na primeira, ao prémio máximo de 2%, de que beneficiavam já todos os subscritores, foi adicionado um prémio fixo de 1%. Na série C foram suspensos os prémios de permanência anteriores, passando a vigorar apenas um fixo de 2,75%. De um mínimo histórico em redor dos 0,64%, o retorno bruto passou para a casa dos 3,2%. As novas condições estarão em vigor até ao final de 2016.

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Os certificados são um produto de capitalização, em que os juros ganhos trimestralmente são depositados na conta dos títulos, funcionando como um reforço automático da poupança. Com a subida da remuneração, o aumento do montante aplicado em certificados por via do efeito da capitalização é também maior. E foi este factor que, em última instância, permitiu que o saldo do investimento tenha sido positivo nos últimos dois meses, já que as novas subscrições continuam a ser inferiores aos resgates. Foi o que aconteceu em Dezembro e Janeiro.

De acordo com dados obtidos pelo Negócios, os portugueses investiram 64,4 milhões de euros em certificados de aforro em Janeiro. Mas levantaram 69,5 milhões. O que dá um saldo negativo de 5,1 milhões. Só quando se acrescentam os juros pagos naquele mês, no valor de 20,1 milhões, é que o saldo fica positivo em 15 milhões. Em Dezembro tinham entrado dois milhões.

Embora decisivo, o efeito da capitalização não explica sozinho a recuperação dos certificados de aforro. Embora os resgates tenham aumentado 7,4% de Dezembro para Janeiro, o produto está a atrair mais investimento, com o montante aplicado a subir 37%. Esta evolução positiva deve-se ao facto de as mexidas na remuneração terem tornado o produto concorrencial com os depósitos.

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