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Notícia

Uma ponte entre Portugal e Cuba

Num ano muito complicado para todas as empresas, conheça a história de uma associação que ajuda vários empresários portugueses a desenvolver relações comerciais com Cuba.

16 de Dezembro de 2020 às 09:51
O secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, e o vice-ministro do Comércio Exterior de Cuba, Antonio Carricarte Corona, inauguram oficialmente o Pavilhão de Portugal na edição de 2017 da FIHAV.
O secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, e o vice-ministro do Comércio Exterior de Cuba, Antonio Carricarte Corona, inauguram oficialmente o Pavilhão de Portugal na edição de 2017 da FIHAV.
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Foi a 2 de junho de 2014 que nasceu a Câmara de Comércio Portugal Cuba (CCPC). A constituição desta entidade de utilidade pública surgiu numa altura de mudanças políticas em Cuba, na sequência da substituição de Fidel Castro por Raúl Castro, que se encontrava determinado a implementar um conjunto de medidas políticas, económicas e fiscais com vista a uma maior abertura do país ao exterior.

 

A forte aposta no turismo, uma das principais fontes de receitas de Cuba, veio juntar-se a esta equação. Assente neste clima de mudança, a CCPC organizou ao longo dos últimos seis anos mais de 30 missões empresariais setoriais e multissetoriais a Cuba, ajudando várias centenas de empresários portugueses a conhecer o mercado e a estabelecer e desenvolver relações comerciais ao mais alto nível no país.

 

Além de missões empresariais a Cuba, a CCPC organiza também missões inversas, trazendo a Portugal entidades e em presas importadoras cubanas, permitindo-lhes conhecer as empresas portuguesas in loco, atestando a capacidade produtiva e tecnológica das mesmas. Estas missões são na sua maioria missões multissetoriais abrangendo empresas de diversos setores.

 

Foi também em 2014 que a CCPC se tornou responsável pela representação portuguesa na FIHAV (Feira Internacional de Havana), a maior feira multissetorial das Caraíbas e uma das maiores representações multissetoriais portuguesas no mundo. Um evento que conta anualmente com cerca de 3.000 expositores oriundos de mais de 60 países, num total de 25 pavilhões.

 

Um dos pontos marcantes deste percurso deu-se em 2016, quando Portugal passou a ter um pavilhão exclusivo para as suas empresas nesta feira, marcando desde então presença habitual com cerca de 30 stands.

 

Todo este trabalho fez com que fossem criados diversos protocolos de cooperação para o mercado cubano com entidades como a AEP, a AICCOPN, a AICEP e a Câmara Municipal de Famalicão.

 

A própria AICEP abriu em 2017 uma delegação em Havana constituindo um momento muito importante na promoção da internacionalização das empresas portuguesas em Cuba. Em 2018, a CCPC vê ser-lhe atribuído pelo Governo português o Estatuto de Entidade de Utilidade Pública.


O projeto "Internacionalização de PME para Cuba"

2019 deu início a um projeto cujo principal objetivo passa por difundir em Cuba a oferta portuguesa de bens e serviços, ao aumentar a capacidade exportadora das empresas.

 

Com isto em mente, a CCPC tem neste projeto o papel de fomentar o intercâmbio económico entre Portugal e Cuba; divulgar oportunidades de negócio em Cuba; sensibilizar as empresas nacionais para fatores críticos de competitividade e risco, disponibilizando todo o apoio e informação necessária às relações económicas entre Portugal e Cuba; estimular e apoiar os contactos entre os agentes económicos interessados no desenvolvimento das relações entre os dois países; contribuir para a difusão internacional da oferta portuguesa de bens e serviços e auxiliar o desenvolvimento de processos colaborativos de internacionalização, através da partilha de conhecimento e capacitação sobre o mercado cubano.

 

Este projeto previa a realização de diversos eventos, seminários e conferências que não se realizaram devido à pandemia de covid-19. Contudo, foi ainda possível organizar em 2019 duas missões inversas, uma do setor alimentar e outra do setor da saúde e indústria farmacêutica.

 

O projeto incluiu ainda o desenvolvimento de uma plataforma de matchmaking para a disseminação de informação de relevo bem como a publicação de diversos documentos de apoio às empresas exportadoras e investidoras. Toda esta informação está disponível no site da CCPC. O ano de 2020 trouxe a nomeação de um novo presidente para a CCPC. Pedro Santos assumiu a presidência num ano difícil para tantas empresas e setores.

 

"Tínhamos um conjunto de projetos para 2020 que, devido à pandemia, não pudemos concretizar, como por exemplo três missões empresariais a Cuba; duas missões inversas e a participação na FIHAV. Participação que tem sido um enorme sucesso com o Pavilhão de Portugal a ser elogiado por todos, quer pelas dezenas de empresas que participaram, quer pelas autoridades cubanas.

"Prova disso são os muitos prémios que conquistámos", reforça. Relativamente ao futuro, o presidente acredita que a chegada da vacina trará mais confiança, pois muitas portas se vão abrir às empresas portuguesas.

 

Para além de estas entidades terem um instrumento de proteção dos seus negócios com Cuba, fruto do empenho dos governos de Portugal e Cuba; da AICEP; da COSEC e da anterior direção da Câmara de Comércio, para Pedro Santos existe ainda um outro fator, não menos importante: "O mercado cubano é um mercado no qual as empresas portuguesas são bem-vindas e a sua dimensão é muito parecida com a dimensão do nosso mercado.


A COSEC

Uma das principais "lutas" que a CCPC tem travado ao longo dos últimos anos tem sido a da concessão de seguros de crédito da COSEC às exportações portuguesas para Cuba. Na ausência de soluções na banca portuguesa para compra de cartas de crédito, este mecanismo é fundamental para ajudar as empresas portuguesas a aceitar as condições de pagamento das empresas cubanas.

"Tão ou mais relevante que o facto de muitos negócios se terem aberto é terem-se concretizado." Pedro Santos, Presidente da CCPC

As empresas cubanas, apesar das dificuldades financeiras do país, cumprem habitualmente os seus compromissos, embora com prazos de pagamento muito alargados, e algumas vezes com relevantes atrasos, o que inviabiliza algumas operações por dificuldade de tesouraria das empresas portuguesas.

 

É aqui que a presença da COSEC se torna crucial focando-se na facilitação de todo o processo para estas empresas, uma vez que a linha de seguros de crédito com garantia do Estado Português é fruto de um acordo entre os governos de Portugal e de Cuba, sendo a COSEC única e exclusivamente mandatária do Estado Português para a gestão do sistema de seguros de crédito com garantia do Estado.


Joe Biden e uma nova luz ao fundo do túnel

Durante o mandato do ex-Presidente Barack Obama foram dados passos importantes no que diz respeito ao restabelecimento das relações diplomáticas, político-económicas, entre os dois países.

Após a visita do ex-Chefe de Estado ao país em 2016, Cuba recebeu um aumento exponencial no turismo e, consequentemente, no crescimento económico. Com a chegada de Donald Trump ao poder, Cuba viu serem impostas uma série de medidas contrárias ao que tinha sido determinado até então, o que agravou drasticamente toda a conjuntura.

 

As eleições de 2020 trouxeram uma nova luz ao fundo do túnel. A eleição de Joe Biden, ex-vice-presidente de Barack Obama, para Presidente dos Estados Unidos, carrega consigo a esperança de que o mesmo dê continuidade à política conciliadora com Cuba. O Presidente eleito poderá trazer uma nova aproximação entre Cuba e os EUA, retomando o caminho que foi trilhado por Barack Obama.

 

O próprio Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, reconheceu a vitória de Biden como uma nova direção para o futuro dos dois países, referindo no Twitter: "Acreditamos na possibilidade de relações bilaterais construtivas respeitando as diferenças uns dos outros."

 

Biden, durante a sua campanha eleitoral, assegurou que iria reverter as políticas sobre Cuba promulgadas por Trump que "infligiram danos ao povo cubano e nada fizeram para o avanço da democracia e dos direitos humanos".


"O fim do embargo será uma oportunidade para levar riqueza e desenvolvimento"

Três perguntas a.. Sérgio Vieira, diretor-geral da Ecobrasa

 

Por que razão decidiu apostar em Cuba?

Quando em 2008/09 começou a haver restrições na importação de carvão vegetal de países como a Argentina e o Paraguai, na altura principais fornecedores da Europa, surgiu a necessidade de encontrar outras origens.

Cuba estava a tentar desenvolver a agricultura local, mas tinha os terrenos infestados por uma espécie de arbusto designado por marabu e encontrou a solução de o carbonizar, transformando-o em carvão vegetal de elevado poder calorífico e longa durabilidade, tornando-se desta forma um produto ambiental e socialmente sustentável.

 

Como descreve a sua experiência neste mercado?

Cuba é um país de pessoas com uma cultura e formação acima da média, que apesar de o embargo de que são alvo e que efetivamente se traduz em muitas restrições, têm sabido superar-se. O povo é afável e disponível, não obstante existirem dificuldades várias, quer pela burocracia do sistema quer pelas dificuldades logísticas internas. Trabalhar com Cuba é um desafio permanente que considero positivo.

 

Como pensa manter e intensificar os negócios preparando-se para o eventual fim do embargo dos EUA a Cuba?

O fim do embargo, que o povo tanto aguarda, será uma oportunidade para levar riqueza e desenvolvimento a um país que tanto precisa. Efetivamente, os EUA, pela proximidade geográfica face à Europa, podem vir a ser um forte concorrente na compra de carvão vegetal, mas acreditamos que as relações de parceria criadas ao longo destes anos com as instituições cubanas não serão esquecidas. É de referir que, a seguir ao açúcar, o carvão vegetal é o produto que assegura a maior entrada de divisas no país.


"Quem demonstrar que quer continuar a apostar em Cuba pode ter um cliente para muito tempo"

Três perguntas a… José Luís Rebelo, diretor comercial, Sourcing & Marketing da Batist Medical Portugal

 

Por que razão decidiu apostar em Cuba?

Foi um desafio lançado pela CCPC, da qual somos sócios, e uma questão de aposta. A nossa empresa elegeu como prioridades os países da América Latina. Cuba tem uma feira multissetorial considerada a maior da América Latina, estivemos presentes e aí começaram os contactos.

 

Como descreve a sua experiência neste mercado?

Cuba é um mercado exigente, formal e difícil, no entanto, todo este processo pode ser mais agilizado dependendo da confiança que transmitimos. Cuba não quer um parceiro para uma só vez, quem demonstrar que quer continuar a apostar naquele mercado pode ter um cliente para muito tempo. Daí a importância de participar nas várias missões empresariais, nas quais a nossa empresa sempre apostou. É fundamental a atuação da CCPC nestas missões, sem eles provavelmente ainda estaria a trilhar o caminho do sucesso, ou então já teríamos desistido.

 

Como pensa manter e intensificar os negócios preparando-se para o eventual fim do embargo dos EUA a Cuba?

O eventual fim do embargo traz logicamente maior liquidez para aquele país, logo os negócios intensificam-se, e nesse caso, obviamente os cubanos vão ter em conta quem os ajudou em alturas mais difíceis, é também essa a nossa aposta, intensificar as missões empresariais promovidas pela CCPC.

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