Energias Renováveis 2018 Uma aposta que tem de ser melhorada

Uma aposta que tem de ser melhorada

Governos têm estado atentos ao sector eléctrico, investindo e legislando. Mas está longe de ser um projecto perfeito.
Uma aposta que tem de ser melhorada

Portugal é um dos países de referência no campo das energias renováveis ao nível da produção de electricidade. Os governos portugueses têm apostado em promover as energias renováveis. Nem todos o têm feito de forma linear, mas, mesmo com diferenças, tem havido investimento nas energias alternativas, o que é fundamental para combater o aquecimento global do planeta. Cristina Camus, coordenadora da pós-graduação em Engenharia e Gestão de Energias Renováveis (EGER) do Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL), explica que foram "claramente as apostas do Governo desde 1999 [com o DL 168/99 e os que se seguiram] que estiveram por trás do grande incremento da produção renovável no sector eléctrico". De facto, recorda, "em 1999 apenas 18% da produção de electricidade era de origem renovável, constituída principalmente pela grande hídrica".

 

António Sá da Costa, presidente da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), diz na avaliação que faz das apostas do Governo nas energias renováveis que estas podiam ser "mais estruturadas e assertivas". "Todos concordamos que a fase em que o Estado legislou e contratou com promotores a atribuição de tarifas garantidas, a fim de permitir o desenvolvimento de tecnologias emergentes, já terminou, pois essas tecnologias, nomeadamente a eólica e a solar, já se afirmaram e hoje em dia geram uma electricidade limpa mais barata do que a electricidade fóssil", explica. Porém, diz que se sente a falta de uma definição coerente de que política energética se quer seguir. "Quer na tecnologia a usar, quer nas zonas do país, quer na respectiva calendarização, para que os operadores de rede desenvolvam a expansão das suas redes e consequentemente os investidores tenham uma perspectiva de um plano coerente e capaz de levar Portugal ao cumprimento das metas a que se obrigou nos acordos que livremente celebrou, nomeadamente o Acordo de Paris de 2015."

 

Investimento… ou falta dele

 

Sobre o investimento do Estado nesta área, Cristina Camus refere que actualmente é menor no sector eléctrico. Não obstante, constata que, por exemplo, em Lisboa existe "um grande incentivo à utilização da bicicleta".

 

Já António Sá da Costa afirma que "o Estado não investe no sector, nem tem obrigação de investir". Quem tem investido são os operadores das redes e os privados, conta. O Estado, prossegue o presidente da APREN, tem sim de "criar condições" para que estes investimentos se façam e "controlar os objectivos que pretende para o país, a taxa de concretização e o ritmo de produção desses mesmos investimentos, para aquilatar da sua bondade no cumprimento dos objectivos nacionais".