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Comprar arte e antiguidades no centro de Lisboa

A Sociedade Nacional de Belas Artes recebe de 13 a 17 de novembro de 2019 a segunda edição da Feira de Outono, organizada pela Associação Portuguesa de Antiquários.

11 de Novembro de 2019 às 12:37
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Um país com a história de Portugal deve saber valorizar o seu património. A melhor forma de partilhar o conhecimento e o gosto pelas antiguidades e pela arte contemporânea é através de iniciativas como a Feira de Outono, organizada pela Associação Portuguesa de Antiquários (APA). Um local central de Lisboa, que pode atrair novos públicos e aumentar o interesse. A segunda edição deste evento conta com 12 expositores (ver caixa) e destina-se a colecionadores, aos amantes de arte e de design, e ao público em geral. A entrada tem um custo de 10 euros.

Na primeira edição, mais de 3000 pessoas visitaram a Feira de Outono. Este ano, a associação espera superar esse número. Uma das grandes preocupações da APA é a de conseguir chegar a um público mais novo do que aquele que atualmente constitui a maioria dos interessados no colecionismo de arte e de antiguidades, cuja média etária se situará entre os 55 e os 70 anos. "Constatamos que, na edição de 2018, conseguimos chegar a um público mais jovem e esperamos que nesta edição, através da aposta que estamos a fazer nas redes sociais, possamos consolidar esta tendência", diz a direção da APA.

Além da quantidade de público da primeira experiência, realizada no período do Outono de 2018, a associação também olhou para os resultados positivos obtidos em termos comerciais, o que motivou a associação a continuar com esta iniciativa. A Feira de Outono acontece cerca de seis meses após a Lisbon Arts and Antiques Fair (LAAF), o grande evento do ano do sector em Portugal, também organizado pela APA.

Este é um evento mais pequeno do que a LAAF e permite preencher um vazio na oferta da cidade nesta área, proporcionando aos interessados em antiguidades, arte e design um produto de características ligeiramente diferentes. Trata-se de um evento localizado no centro da cidade e que acaba por facilitar a visita ao cliente, permitindo atrair um público mais diversificado do que aquele que visita a feira de abril.

Tudo o que é exposto pelas galerias e antiquários participantes nesta feira tem a possibilidade de ser vendido. De acordo com a direção da APA, "talvez devido ao facto de existir nesta feira uma maior possibilidade de encontrar um comprador ‘neófito’ possam ser feitas vendas de valor inferior às que se realizam em abril". Sublinha ainda que os expositores acabam por apresentar as peças mais importantes e mais caras na feira da LAAF em abril.

A APA refere que os expositores são avessos a apresentar publicamente o valor das peças que expõem mas, de uma forma genérica, pode encontrar peças que vão das poucas centenas de euros até peças que ultrapassam, por vezes, a centena de milhar de euros. Consulte aqui o catálogo da Feira de Outono.

 

Avaliação de peças

À semelhança do que acontece na LAAF, a APA conta com uma equipa de peritagem independente que previamente analisa e veta as peças em exposição, garantindo a sua autenticidade e qualidade. Antes da abertura da feira, uma comissão de peritagem constituída por elementos de referência em todas as áreas expostas (ourivesaria, pintura clássica, pintura moderna, mobiliário, porcelana, etc.) verifica a qualidade das peças apresentadas, eliminando aquelas que possam apresentar dúvidas em relação à sua autenticidade. Este painel de peritos é constituído por conservadores de museus, investigadores universitários, restauradores credenciados, entre outros especialistas.

A direção da APA refere que os interesses e motivações que caracterizam públicos mais jovens – neste caso, é uma geração cuja idade se situa no intervalo dos 35 a 50 anos – "são, naturalmente, diferentes daquelas que eram as do público tradicional destas feiras". No entanto, as peças mantêm-se ao longo dos últimos cem anos.

A sua apresentação expositiva e contextualização devem ter em conta as tendências e as preocupações mais contemporâneas. "A cada peça está normalmente associada uma histórica única e teremos, cada vez mais, que ter presente que a sua apresentação deverá levar sempre em linha de conta este binómio, criando um discurso com maior recetividade junto destes novos públicos", reconhece a APA.

Outros temas que entram junto dos públicos mais jovens são questões como a sustentabilidade. Um exemplo é "o reciclar de peças de mobiliário dos anos 50-70 que, ao serem restauradas e colocadas de novo no mercado, acabam por constituir argumentos significantes para um público mais jovem".

 

Peças únicas vendidas na primeira Feira de Outono

A primeira edição teve dois acontecimentos significativos. Um dos grandes momentos foi a apresentação de um núcleo de mobiliário dos anos 50, desenhado pela equipa de Le Corbusier para a cidade de Chandigarh (capital do Punjab, na Índia), que chegou a Portugal pela Galeria Bessa Pereira, especializada em design dos anos 50/60. Trata-se de peças que, atualmente, estão classificadas como património da Índia e que a partir de 2010 deixaram de poder sair desse país. 

Houve também a venda de um importante pórtico em azulejos, que constituía a entrada da famosa Loja Rampa. Este trabalho de Querubim Lapa resultou da primeira colaboração com o arquiteto Conceição e Silva, uma obra de cerâmica modernista vendida ao Museu do Design e da Moda (MUDE) pela Galeria Objectismo, especializada neste segmento.

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